Eis que chega um novo ano

Gil Reis, consultor em agronegócio

Gil Reis*

Dentro de poucos dias se iniciará um novo ano, o marco temporal será o dia 1° de janeiro de 2021. Inevitavelmente, mudanças drásticas ocorrerão; a maior parte delas, creio, para melhor. Entre todos os setores, o agro sai fortalecido, provando a sua resiliência e a capacidade de enfrentamento à pior crise do século XXl, a pandemia do coronavírus. O povo brasileiro adquiriu a consciência que pode ter segurança alimentar e quantidade sem perda de qualidade, apesar da gravidade da situação.

Neste ano que termina, que ficará gravado indelevelmente em nossas lembranças, perdemos amigos queridos e familiares. No entanto, precisamos deixar tudo no passado, em um altar especial da memória, e continuar lutando para honrar os que se foram, para reconstruir o nosso país, destroçado de várias formas, que sequer ainda podemos avaliar.

UTILIDADADE PÚBLICA:  CLIQUE AQUI para fazer a inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O prazo vai até a próxima quinta-feira, dia 31 de dezembro.

Com a vacinação contra a covid no novo ano, todos os brasileiros adquirem novo alento com a possibilidade de voltar ao “velho normal”, o normal de sempre, que tem feito o Brasil se tornar o gigante de hoje. As boas notícias não terminam por aí. As atividades laborais virtuais, em alguns setores, se consolidarão, o que representa mais uma opção de “uso para o bem” da internet, o que, para mim, não é nenhuma novidade, pois, na maioria das minhas atividades, já trabalho virtualmente há mais de 10 anos e nenhum cliente até hoje reclamou.

A saúde pública cresceu, evoluiu e se aprimorou, às custas de muitas perdas de vida, o que em 2021 e nos anos seguintes possibilitará uma melhora na assistência da população, que, ao longo da história recente, sempre foi mal assistida e cuidada em termos de saúde. Esse fenômeno ocorreu na maioria dos países afetados pela covid, que reconheceram que nenhuma nação sobrevive sem boa alimentação e saúde. Agora vamos esperar como todos se comportarão em relação à educação e à segurança pública.

No Brasil, junto com todas as boas notícias para o próximo ano, os investimentos em infraestrutura estão sendo muito bem utilizados, os resultados aparecerão no ano entrante e o Plano Safra ampliou seus benefícios.

UTILIDADADE PÚBLICA: CLIQUE AQUI para saber tudo sobre o plano safra 2020/21: Programas, linhas de crédito, limites de financiamento, juros, prazos de pagamento etc.

Desde 2017, o povo do agro, diante dos prejuízos que vem causando o passivo retroativo do Funrural, saiu porteira à fora, aprendeu a se manifestar, a reclamar e exigir os seus direitos, chegando a participar decisivamente na eleição do atual governo e do Legislativo.

O novo ano consolidará essa postura do agro que, por sinal, já começa a se preparar para as eleições de 2022. Todos os políticos estão sendo observados e avaliados para que possamos saber se merecem os nossos votos. Em alguns estados diversos políticos sentiram a força do agro e não foram reeleitos.

Um dos fatos políticos marcantes deste ano que termina foi a declaração do deputado Federal Alceu Moreira, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA): “A Câmara Federal precisa de um presidente que tenha o olhar voltado para o agro”.

O agro continuará crescendo e se desenvolvendo, apoiando o Brasil, desde que os seus legisladores não compactuem com reformas e PECs destinadas a aumentar a tributação do setor. Será preciso que o atual governo mantenha as “mãos firmes no leme” em direção ao cumprimento das promessas de campanha, sem se deixar “encantar pelo canto das sereias colaboracionistas”, que, apesar de significarem uma parcela ínfima do povo brasileiro, são muito influentes. Naturalmente, não se curvar às chantagens da União Europeia, que não reconhece ou não quer reconhecer que o Brasil tem a mais severa legislação ambiental do mundo e 99,9% dos produtores rurais a cumprem.

Os desmatadores ilegais representam uma parcela tão pequena do mundo do agro brasileiro, tão irrelevante, que chega ser um jogo desonesto promovê-los para usar como arma contra o nosso país. Que tal propormos à União Europeia que implante em seu território o nosso Código Florestal?

O efeito colateral benéfico da crise e perseguição ambiental da União Europeia foram o olhar e a preocupação do resto da nação em direção à Amazônia, sempre tão esquecida e ignorada. O próximo ano trará a consolidação definitiva da região no mapa do Brasil.

Dias atrás, segundo reportagem publicada no jornal “O Estado de S. Paulo”, o copresidente do conselho de administração da Natura, Guilherme Leal, afirmou: “Não temos de ter xenofobia. Temos de ter consciência da nossa soberania, mas soberania exige responsabilidade.”

Como amazônida tomo a liberdade de esclarecer alguns pontos para Leal. Os amazônidas nunca foram xenófobos. Para atestar tal fato, basta conhecer um pouquinho a região e verificar a quantidade de estrangeiros trabalhando aqui, sem sofrer qualquer hostilidade. Talvez ele esteja falando sobre o resto do país. Os habitantes de 51% do território brasileiro já têm consciência da soberania da região e sabem que soberania não exige apenas responsabilidade. Exige prioritariamente a integração, que significa ocupação de todo o território. Por isso, cabe perguntar: “Como ocupar integralmente o nosso território, como foi feito no resto do país, sem ferir a sensibilidade dos europeus, aos pés dos quais alguns maus brasileiros, os colaboracionistas, se ajoelham?”. A propósito, é sempre bom lembrar que os prejuízos causados por adotarmos uma postura altaneira serão pífios quando comparados com perda da nossa soberania sobre a Amazônia e o fracasso do agro tropical.

No próximo ano será o início da “era Biden” e esperamos que o novo presidente americano tome atitudes que favoreçam os países emergentes e reconheça que o Brasil é o guia da América do Sul. A aliança com Brasil é o melhor caminho para o fortalecimento de qualquer país no “concerto das nações” e no protagonismo na geopolítica. Cada vez mais nos tornamos o fiel da balança para os que buscam o protagonismo político e comercial no planeta.

Alguns acharão que neste final de ano estou sendo otimista. Como não ser otimista sendo brasileiro e conhecendo as vitórias do nosso agro tropical, que já alimenta quase ¼ da população mundial? Fica apenas uma advertência: temos que consolidar o nosso agro tropical. Saímos na frente, todavia, outros países possuem áreas tropicais e estão aprendendo a utilizá-las conosco, apesar de que o Brasil é uno como país e como nação.

A maior parte das terras do nosso país é extremamentes fértil, com clima propício para as mais diversas culturas e água abundante, como relatou Pero Vaz de Caminha em sua “carta do achamento do Brasil”: “Nela, até agora, não pudemos saber que aja ouro, nem prata, nem coisa alguma em metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, assim como os de Entre Doiro e Minho, porque neste tempo de agora achávamos como os de lá. Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á tudo por bem das águas que tem”.

Está mais do que provado que o mundo, dito civilizado, representado pela União Europeia não estava preparado para o Brasil. Entretanto o Brasil já está preparado para enfrentar o mundo.

O nosso grande desafio agora é triplicarmos a produção do agro para que não haja a grande fome de 2050. O agro está preparado para participar do processo de reconstrução do país destroçado pela covid 19, desde que permitam o seu desenvolvimento.

Antes de encerrar, mais uma boa notícia: está tramitando no Congresso Nacional um Projeto de Lei, de autoria do deputado federal Arnaldo Jardim, que cria o Fiagro, um fundo de investimento que vai ajudar os produtores rurais, sem grandes burocracias, a terem acesso a créditos mais baratos para as suas atividades e implantação de novas tecnologias. Existe no mercado internacional mais de US$ 10 trilhões buscando bons investimentos, e o agro brasileiro já demonstrou ser um excelente investimento. O Fiagro é mais uma porta de entrada para o ingresso de investimentos internacionais.

Vou encerrando aqui, desejando a todos um excelente 2021 com muito sucesso, saúde e harmonia familiar. Agora, o tradicional “Próspero Ano Novo” para todos. Afinal, prosperidade é o que no Brasil precisamos.

*Consultor em Agronegócio

 

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: