Sempre aos domingos: Canção Verde – José Cláudio Machado
Da redação//AGROemDIA
Neste último domingo do pandêmico 2020, que caminha apressado para desaparecer na noite de 31 de dezembro, deixando um rastro de lágrimas, cruzes e incertezas pelos rincões mundo afora, o AGROemDIA divide com seus leitores o cantar galponeiro de José Cláudio Machado em Canção Verde, do compositor e também cantor Mauro Moraes.
José Cláudio Machado (1948-2011) é uma das maiores expressões na música gaúcha. “O José Cláudio é considerado por muitos como o melhor Intérprete terrunho de todos os tempos no Rio Grande”, escreveu Léo Ribeiro, no blog Mundo Gaúcho, no dia da morte do cantor. há nove anos.
Segundo Ribeiro, José Cláudio aliou a estampa gaudéria e a irreverência dos bugres bolicheiros a uma voz de trovão, afinada e retumbante, que acordava e continua acordando as madrugadas campeiras do Rio Grande. “Ele foi o maior intérprete da música galponeira que pisou nesta província rio-grandense”, reforçou.
Canção Verde
José Cláudio Machado
Composição: Mauro Moraes
O meu cavalo sabe onde é a luta sabe escolher o verde que desfruta
Esta colheita amarelida dessas limitações
O meu rebento é quem abriga o gado campo dobrado onde meu sul galopa
Buscando a vida quitandeira das alucinações
(Nas fronteiras nuas do arvoredo iluminado
Sempre fica alguma pra chorar do outro lado
Pede por quem perde lá na mata, lá na várzea por aí
Faz com que a procura da textura da madeira
Desabrigue aos poucos o descanso das ovelhas
Força de quem some lá na mata lá na várzea por aí)
O meu destino não conhece rédeas não faz de conta nem tem sete léguas
Ele é o amigo mais antigo vizinho ao que faz mal
Meu desafio teme o sombrio das folhas é o que rebanha o fardo sem escolha
Onde despetalar na indefesa a cor da flor integral

