Preços da soja devem recuar no Brasil em 2022, indica estudo do Ipea

Foto: Aprosoja Brasil

Do Broadcast

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou seu primeiro estudo com perspectivas de preços para produtos agropecuários em 2022. O documento foi elaborado com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para as análises de produção e balanços de oferta e demanda domésticos, e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), na avaliação dos preços domésticos.

“Os preços internacionais apresentam tendência de crescimento graças ao movimento de recomposição de estoques por parte de diversos países e ao aquecimento da demanda por grãos, principalmente os destinados para ração animal”, disse o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo Souza Júnior, nessa quarta-feira (1º), durante a divulgação do estudo.

Para a soja, o Ipea aponta que a perspectiva de maior oferta brasileira do grão na safra 2021/22 deve levar a uma queda nos preços do grão no porto de Paranaguá (PR). No mercado internacional, os valores podem se manter estáveis, dada a previsão de safra recorde no Brasil e nos Estados Unidos e os altos estoques da China. “Os preços menos pressionados para 2022 podem refletir também o excesso de oferta de carne suína para o país asiático. Com estoques próximos das máximas históricas, o país deve demandar menos grão, que é usado principalmente para ração animal”, diz o Ipea em nota.

Os dados de oferta e demanda considerados na análise são os divulgados pela Conab no começo de novembro, de produção de 142,01 milhões de toneladas de soja, exportação de 89,92 milhões de t e estoque de passagem de 9,30 milhões de t.

Com relação ao milho, a previsão de agentes consultados em outubro para o levantamento na média era de “certa” manutenção de preços no primeiro trimestre de 2022 e queda de aproximadamente 10% a partir de julho de 2022 (em relação ao contrato de novembro de 2021 negociado na B3). “Se confirmado, isso pode contribuir para a manutenção do Indicador Esalq/BM&FBovespa de preço do milho em patamares semelhantes aos observados em 2021”.

A previsão considera também as últimas estimativas da Conab, de recorde de produção no ciclo 2021/22, 116,712 milhões de t, redução das importações do grão para 900 mil toneladas e recuperação dos estoques de passagem, 7,6 milhões de t no ciclo passado para 12,5 milhões de t neste.

No mercado internacional, o Ipea vê preços próximos da estabilidade nos próximos meses, com balanço de oferta e demanda equilibrado, conforme o USDA, tendo a demanda aquecida, em especial da China, de um lado, e tendência de pequena elevação nos estoques mundiais, de outro.

Trigo e algodão

Para o trigo, a expectativa da Conab de uma safra 23,3% maior e as importações elevadas podem pressionar negativamente os preços domésticos, conforme o Ipea. A sustentação das cotações pode vir da paridade de importação, considerada elevada, com o preço externo superior ao observado no Brasil. O Ipea nota que produtores seguem restringindo a oferta do produto colhido em 2021, com a intenção de negociá-lo no primeiro semestre de 2022, quando os preços tendem a ficar acima da média. No mercado internacional, as cotações devem encontrar sustentação na previsão do USDA de déficit de 1% entre a produção e o consumo na safra atual e de 1,6% na próxima, bem como na possível necessidade de consumo de estoques.

Quanto ao algodão, o Ipea vê por ora perspectiva de manutenção dos preços que compõem o Indicador Cepea/Esalq de preço do algodão em pluma. A análise considera as atuais indefinições em relação à área a ser plantada em 2021/22, especialmente a segunda e a terceira safras – inicialmente, a Conab projeta 1,510 milhão de hectares, aumento de 10,2% ante a safra passada. Tem em vista, além disso, a perspectiva de que, até a colheita da nova safra, a indústria têxtil deve continuar adquirindo apenas o necessário para repor estoques, “preocupada com as vendas no varejo diante do fragilizado poder de compra da população”, aponta o Ipea.

No cenário internacional, a perspectiva no momento é de que as cotações do algodão não devem ceder e poderão se refletir nos preços domésticos. O Ipea considera que a última previsão do USDA para a safra 2021/22 é de recomposição da produção mundial, para patamares semelhantes aos de 2019/20. “O principal problema no balanço de oferta e demanda apontado pela agência americana é que o consumo entre estas duas safras deverá crescer 20,4%. Se essa estimativa se concretizar, será a segunda safra seguida com déficit produtivo, o que deve jogar os estoques de passagem de 94% para 70% do consumo corrente”.

 

AGROemDIA

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