Sempre aos domingos: Elza Soares, a cantora ativista

Tito Matos*

Quem gosta de boa música, sabe quem foi Elza Soares. É uma das poucas cantoras que dispensa apresentações. Começou sua carreira em 1953, no programa “Calouros em Desfile”, do exigente Ari Barroso na Rádio Tupi. Perguntada pelo apresentador de onde vinha, a caloura respondeu: “Venho do planeta fome”.

Foi aplaudida ao cantar a canção Lama. Ali nascia uma estrela. Em 1959, Elza Soares despontou com “Se acaso você chegasse”, do gaúcho Lupicínio Rodrigues.

A voz do milênio se calou quinta-feira passada para tristeza de seus milhões de fãs espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Foi ativa até os 91 anos.

Ao tomar conhecimento da morte dela, a BBC de Londres, a mesma que a considerou em 1999 a voz do milênio, chamou Elza Soares de “uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos.” E foi mesmo.

Ela se apresentou ao longo da sua carreira contra o racismo, o machismo, o feminicídio, qualquer que fosse o preconceito. Ela tinha duas paixões: o Flamengo e a escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel.

Virou ícone da luta contra a miséria que viveu. Perseguida por suas posições políticas, ela foi morar no exterior.

Criada na favela, Elza Soares viveu uma vida sofrida. Casou-se aos 12 anos, virou mãe aos 13, perdeu um filho para a fome e enviuvou aos 21. Teve oito filhos, oito netos e seis bisnetos. Viveu um relacionamento amoroso com o jogador Mané Garrincha, união de 17 anos marcada pela violência e alcoolismo.

Disposta, trabalhou até às vésperas de sua morte, dia 20 passado, e deixou vários trabalhos prontos, inclusive um CD, um DVD e um documentário. As músicas inéditas versam sobre a atual crise política brasileira. Elza Soares nunca deixou de ser uma cantora ativista.

Que a partir de agora ela tenha a merecida paz celestial, paz que não viveu por aqui.

Elza Soares tinha milhões de fãs por este Brasil adentro; um deles Odilon Santos Neto, meu estimado primo, me sugeriu postar hoje este belo vídeo dela cantando Lupicínio Rodrigues, uma interpretação espetacular. Ei-lo aqui para o deleite dos leitores do AGROemDIA.

*Jornalista

 

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