Aiba vê com otimismo cenário para a safra 2021/22 no oeste baiano

Foto: Divulgação/Aiba

Preparar o solo, plantar, cuidar da lavoura, colher e comercializar. Falando de forma simples e resumida, essas são as principais fases da produção. Outro aspecto importante no processo produtivo é a realização do prognóstico da safra, para orientar os produtores sobre as tendências do mercado e subsidiar os governos em relação às políticas públicas que devem ser adotadas para o setor. Na região oeste da Bahia, o levantamento de safra é feito pelo Conselho Técnico da Aiba.

A primeira reunião entre os membros do Conselho, em 2022, ocorreu na manhã desta segunda-feira (24), na sede da instituição, com a participação de integrantes, também, por videoconferência. Além de promover o cruzamento de informações, os técnicos das entidades envolvidas fizeram um panorama sobre a safra 21/22, considerada atípica, por conta dos altos volumes de chuvas registrados até o momento.

“Observamos que a implantação das lavouras de soja foi a melhor dos últimos anos”, comemora o presidente do Conselho Técnico, Orestes Mandelli. Mesmo com a possibilidade de maior incidência de fungos e doenças por conta do excesso de chuvas, os analistas optaram por manter as médias pré-estabelecidas.

“Ainda é cedo para chegarmos a números definitivos, porque há muitas áreas plantadas entre o final de outubro e o mês de novembro, que não serão afetadas porque estão enchendo grãos agora”, avaliou Mandelli, ressaltando a expectativa de confirmar, para este ciclo, a média de 67 sacas por hectare, alcançada na safra anterior.

Sobre o milho, espera-se uma redução da média produtiva, de 180 para 175 sacas por hectare, com a possibilidade de nova baixa nos próximos levantamentos. Isto também se deve ao excesso de chuvas, que dificulta a absorção de nitrogênio pela planta ou promove a lixiviação desse nutriente no solo.

Em relação ao algodão, o início do ciclo apresentou dificuldades, por conta do volume de chuvas no período de semeadura, que foi deslocado para o final de dezembro, e em algumas áreas ocorreu no início de janeiro. Além disso, houve ataque de fungos do solo, como a Rhizoctonia solani. Os técnicos acreditam no potencial de recuperação que têm as lavouras de algodão, por isso decidiram não reduzir a estimativa de produção até o próximo levantamento.

O assessor de agronegócio da Aiba, Luiz Stahlke, falou sobre o boletim da Safra, que será divulgado, semanalmente, pela Aiba, com informações atualizadas sobre o comportamento das lavouras em quatro regiões produtivas que fazem parte do oeste Baiano. “Vínhamos fazendo o acompanhamento com certa periodicidade. Mas, agora, essa iniciativa será conduzida por meio de uma nova estratégia, que dividiu o oeste Baiano em quatro zonas de levantamento. Os técnicos do programa fitossanitário e de outros setores da entidade farão o acompanhamento das lavouras de soja e milho, para trazer informações mais abrangentes.”

Fator climático

Com a forte estiagem que atinge regiões produtoras do Sul e Centro-Oeste, provocada pelo fenômeno natural La Niña, foram registradas, até o momento, perdas de 7 milhões de toneladas de soja e milho. Com isso, os preços das commodities devem se manter em alta. Como são matérias-primas para a produção de ração animal, a cotação dos grãos deve influenciar, também, na mesa do consumidor, com a elevação dos preços de frango, suíno e bovino.

Paralelamente, nos 24 municípios do Oeste Baiano, entre setembro e janeiro, foram registrados 1100 mm de chuvas, em média. Esse é o volume de precipitações esperado, tradicionalmente, para o ano inteiro. A média de dezembro, de 545mm, que representa a metade do volume anual, foi superada em algumas regiões, que apresentaram 804mm, no mesmo período.

Da Aiba

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