Conab: Preço do leite ao produtor segue caindo e custos, subindo

Foto: Divulgação/Gov. RO

Os preços pagos aos produtores de leite apresentaram tendência de queda no último trimestre de 2021, como indica a análise mensal do produto, publicada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo a avaliação, na média das 10 principais regiões produtoras, os preços praticados em dezembro estão cerca de 7,2% menores em relação ao mesmo período de 2020, com queda mais acentuada nos estados do Sul do país.

“O movimento baixista teve início no último trimestre do ano, uma vez que, com a maior disponibilidade de alimento para o gado, percebe-se o aumento da produção de leite, o que reflete no preço pago aos produtores”, diz em nota a Conab.

Apesar do aumento na produção de leite nos últimos meses, no acumulado de 2021, o volume adquirido do produto está em torno de 1,2% inferior ao registrado em 2020. “Essa queda é reflexo dos altos preços de insumos, combustíveis e energia”, pontua a companhia.

A tendência é que o cenário de custos elevados se mantenha em médio prazo. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea -Esalq/USP), até novembro, os custos acumulados em 2021 com adubos e corretivos já ultrapassam altas de 70%, enquanto as cotações dos suplementos minerais subiram 28%.

“Com a valorização do dólar, os preços elevados do petróleo e a forte demanda por insumos para a safra 2021/22, os custos de produção têm registrado altas sucessivas e pouco espaço para repasse diante de um mercado interno enfraquecido. Logo, a queda na produção anual já é sentida em todo o país”, ressalta o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Sergio De Zen.

Além do valor gasto com a produção, as adversidades climáticas também têm influência nos preços do leite, uma vez que impactam diretamente na qualidade e disponibilidade de pastagens.

“O clima, ainda muito impactado pelo La Niña, especialmente na Região Sul, vem afetando as principais culturas de grãos, com falta de chuvas e altas temperaturas. Em consequência, algumas áreas de milho para grãos estão sendo convertidas para a realização de silagem. Dessa forma, os efeitos das condições climáticas enfrentadas, inclusive para as lavouras de milho semeadas para silagem, deverão aumentar a pressão nos custos de produção, impactando diretamente as cadeias de leite e carne”, explica a analista da Conab, Clarissa Albuquerque.

A valorização dos preços de soja e milho, combinada com a queda nas cotações do leite no mercado, interfere na relação de troca entre os produtos, que voltou a cair nas praças pesquisadas. No Paraná, a relação leite/milho está 15,7% inferior em comparação com o mesmo período de 2020. Em relação ao mês anterior, a queda foi de 6,2%. Quanto ao farelo de soja, houve melhora de 28,5% em comparação com o mesmo período de 2020, mas uma queda de 5,9% em relação a novembro. No estado paranaense, com a venda de um litro de leite é possível comprar 1,46 quilo de milho e 0,88 quilo de farelo de soja. Já em São Paulo, a relação de troca leite/milho também foi 11,7% inferior a novembro e cerca de 17,3% menor que em dezembro de 2020. Na prática, com a venda de 1 litro de leite é possível comprar 1,38 quilo de milho.

Clique aqui para mais informações sobre a conjuntura de mercado do leite.

Da Conab

 

AGROemDIA

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