Café da Chapada de Minas chega à Austrália pela primeira vez

Foto: Divulgação/Emater MG

Pela primeira vez, o café da Chapada de Minas chega à Austrália. Um contêiner com 640 sacas de 30kg do produto, avaliado em R$ 400 mil, foi desembarcado em um porto daquele país nesta semana. A exportação dos grãos, colhidos nos municípios de Capelinha, José Gonçalves de Minas e Água Boa, é resultado de parceria com o Sebrae Minas, que visa a melhorar o posicionamento da cafeicultura do estado nos mercados interno e externo.

“Antes, os produtores não conseguiam saber qual o destino ou o preço pago pelo café. Agora, com a negociação direta, eles têm mais controle e autonomia.  Além disso, os compradores passam a ter acesso às informações sobre a origem do produto, como foi produzido e quem produziu”, diz o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Roberto Simões, referindo-se à estratégia “Café da Região da Chapada de Minas”, lançada, em 2020, com o objetivo de agregar valor ao reforçar a identidade e a origem da região.

Para garantir a origem do café da Chapada de Minas foi necessário demarcar áreas reconhecidas pela qualidade dos produtos ali cultivados, além de adotar medidas para garantir a rastreabilidade dos grãos. “Informações sobre a procedência do produto e em quais condições ele foi produzido são uma exigência do próprio consumidor. Para se ter uma ideia, após a criação da marca coletiva, o produto foi reconhecido no mercado e teve uma valorização de quase 15% do preço do café.”

Origem controlada

O próximo passo dos produtores para a expansão dos negócios é a busca pela origem controlada, que garante ao mercado que o café foi produzido na região com característica específica e, por isso, não pode ser encontrado em nenhum outro lugar, tornando o produto único. “É um novo olhar sobre a cafeicultura, que vai além do preço do café especial e do impacto individual, envolvendo produtores, gestão, processos, transparência e criação de valor sustentável, fatores capazes de atrair mais investimentos, gerar desenvolvimento coletivo e tornar o território demarcado em uma marca conhecida e respeitada”, pontua Simões.

Alguns princípios devem ser observados para que uma região seja uma origem controlada. Entre eles: demarcação da área, governança atuante, proteção, produção controlada, alta qualidade, rastreabilidade e impacto coletivo.

Atualmente, Minas Gerais é o maior estado produtor de café do país. Há três regiões com origens controladas: Cerrado Mineiro, Matas de Minas e Mantiqueira de Minas. Chapada de Minas e a Região Vulcânica (Sul de Minas) estão em processo de estruturação.

Estímulo à cafeicultura

Há 10 anos, o Sebrae Minas tem estimulado a organização e articulação conjunta dos pequenos e médios produtores da região, responsáveis pela produção anual de 400 mil sacas de café e a geração de mais de 20 mil empregos diretos e indiretos.

Em 2018, apoiou a criação do Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM). “Antes, notamos uma redução de 60% na produção do café, pois havia uma migração para o cultivo do eucalipto, por ser uma cultura que não exige cuidado contínuo, como ocorre com o café. A chegada do ICCM propiciou a criação de uma governança local estruturada, a maior união dos produtores e o desenvolvimento de ações que melhoraram o volume e a qualidade do produto”, ressalta o dirigente.

Por meio da parceria com o ICCM, o Sebrae Minas tem promovido uma série de ações: consultorias especializadas, cursos de classificação e degustação de café, visitas a grandes fazendas da região e workshop destinado à construção da marca coletiva.

Hoje, a região da Chapada de Minas é formada por 22 municípios dos Vales Alto Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce, com uma área de produção de aproximadamente 28 mil hectares, caracterizada por seus chapadões.

*Com informações do Sebrae MG

 

 

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