Agrônomo aponta alternativas para reduzir perdas causadas pela seca

Foto: Divulgação/Epagri/Gov.SC

Se não há como revertê-los em percentuais expressivos, os prejuízos causados pela estiagem no Rio Grande do Sul pelo menos podem ser atenuados. O engenheiro agrônomo Delmir Jonatto, supervisor de campo da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-RS, indica algumas alternativas para os agricultores tentarem reduzir um pouco as perdas, como o milho silagem, por exemplo.

“Há uma demanda forte por silagem e existem muitas lavouras em que as perdas foram de 80%, 85%. Uma opção é cortar esse milho e vender ou usá-lo na alimentação dos animais”, sugere Jonatto, que tem acompanhado o impacto da seca nas lavouras do RS, onde mais de 195 mil propriedades relatam danos. A Fecoagro estima em R$ 19,7 bilhões o prejuízo nas lavouras de milho e soja.

Outra alternativa é a devolução de insumos e defensivos não utilizados. “Muitos produtores compraram produtos para usar em uma safra normal. A compra antecipada é um bom negócio, mas 50% desses insumos não chegaram a ser utilizados porque as plantas não estão aptas a recebê-los. Dependendo da situação, vale a pena negociar o excedente”, diz o engenheiro agrônomo.

“Recomendo que o produtor veja o preço que pagou pelo produto, porque em 2021 houve uma variação cambial muito grande. Se comprou barato, fique com ele, mas, se não consegue pagar, o melhor é negociar o que sobrou com as cooperativas, revendas, distribuidores”, acrescenta.

Um terceiro caminho é investir em uma safrinha de milho, feijão ou soja. Nesse caso, observa Jonatto, o agricultor terá que contar, mais uma vez, com a boa vontade do clima. “Não sabemos como o tempo vai se comportar daqui para a frente, mas, se a safra de verão está perdida, uma safrinha poderia ajudar a ressarcir uma parte dos custos, abonar um pouco do prejuízo.”

Planejamento

O fundamental, enfatiza o engenheiro do Senar-RS, é que os produtores criem a mentalidade de se preparar para secas futuras. Segundo ele, um pouco de planejamento e boas práticas podem ajudar a retardar ou reduzir os danos trazidos pela falta de chuvas.

“Além de armazenar água da chuva e construir cisternas, temos de voltar a tratar o solo como um depósito de água. Claro, em uma estiagem como esta, nem solos que têm armazenado água têm aguentado, mas em secas menores dá uma diferença significativa. As plantas aguentam bem 10 dias sem chuva”, assinala o especialista.

De acordo com Jonatto, a intensidade de produção deixa os solos compactados, dificultando a absorção da água. O tratamento adequado, com uso de palhada, e a rotação de culturas ajudam a terra a recompor sua característica natural.

“A rotação de plantas leva raízes diferentes para o solo. As mais agressivas conseguem penetrar mais fundo na terra e, quando apodrecem, criam pequenos canais para levar água para as camadas mais profundas.”

Jonatto também recomenda que os produtores avaliem a possibilidade de investir em culturas de inverno, como triticale, centeio, aveia e cevada para silagem. “É uma oportunidade de o produtor ter renda no inverno e de trabalhar para uma boa estruturação do solo.”

*Com informações da Ascom/Padrinho Conteúdo

 

 

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