ONU alerta: Tendência é que desastres ambientais se intensifiquem no Brasil

Foto: José Cruz/ABr

Um relatório lançado pelo Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudança Climática (IPCC), nesta segunda-feira (28), mostra que “o colapso do ecossistema, a extinção de espécies, ondas de calor fatais e enchentes estão entre os perigos inevitáveis” que o mundo enfrentará nos próximos 20 anos em consequência do aquecimento global. Segundo o documento, as chuvas fortes, que provocam inundações e deslizamentos de terra, devem se intensificar significativamente no Brasil, seja em magnitude ou frequência, com perspectiva de dobrar, ou mesmo triplicar, o número de brasileiros atingidos por desastres ambientais.

Conforme os analistas do IPCC, a tendência é que os impactos da crise climática atinjam de forma crescente as populações mais vulneráveis. “O relatório mostra que os impactos da crise do clima são irreversíveis. A população em situação de vulnerabilidade será a mais impactada. É urgente que haja uma mudança rápida nas políticas públicas de adaptação no Brasil e no mundo, com orçamento adequado para perdas e danos das populações”, disse Fabiana Alves, porta-voz de Clima e Justiça do Greenpeace Brasil, à Agência O Globo.

Ainda de acordo com o relatório, há possibilidade de que a Amazônia sofra uma transição gradual de savanização, deixando de ser floresta tropical. O risco, pontuam os analistas do IPCC, cresce enquanto a região apresenta números que indicam um aumento médio de 2 graus até o fim do século.

Os principais alertas para o Brasil e a América Latina são estes: segurança hídrica; degradação dos ecossistemas dos recifes de corais; riscos para a segurança alimentar devido a secas frequentes ou extremas; e danos à vida e à infraestrutura devido a inundações, deslizamentos de terra, elevação do nível do mar, tempestades e erosão costeira.

Leia, abaixo, a íntegra da nota divulgada pela ONU News:

Relatório do Ipcc prova “o fracasso da liderança global sobre o clima”

“Um relatório lançado, esta segunda-feira, pelo Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudança Climática, Ipcc, mostra que “o colapso do ecossistema, a extinção de espécies, ondas de calor fatais e enchentes estão entre os perigos inevitáveis” que o mundo enfrentará nos próximos 20 anos devido ao aquecimento global.

O presidente do Ipcc, Hoesung Lee, declarou que o relatório faz um alerta sobre “as consequências da falta de ação”, mostrando como a mudança climática já está afetando bilhões de vidas pelo mundo. Este é o segundo de uma série de três documentos do tipo produzidos pelos cientistas da ONU especializados em clima.

Derrota para a mudança climática

O relatório é lançado cerca de 100 dias depois da COP26, quando os líderes mundiais se reuniram em Glasgow, na Escócia, e concordaram em aumentar as ações para limitar o aquecimento global a 1.5° Celsius e assim, evitar os piores impactos da mudança climática.

O secretário-geral da ONU declarou que o novo relatório do Ipcc traz evidências “nunca vistas”, revelando como as pessoas e o planeta estão sendo derrotados pela mudança climática”.

António Guterres afirmou que o “relatório do Ipcc é um atlas do sofrimento humano e uma prova do fracasso da liderança sobre o clima”. Segundo ele, quase metade da humanidade está vivendo na zona de perigo e “muitos ecossistemas já estão agora num ponto sem retorno”.

Apelo ao fim dos combustíveis fósseis

O chefe da ONU explicou que a poluição por dióxido de carbono está lançando as pessoas mais vulneráveis do mundo para a destruição. Ele lembrou que é essencial limitar as emissões de gases em 45% até 2030 e atingir emissões zero até 2050.

António Guterres explicou que com os acordos atuais, as emissões globais poderão subir quase 14% na próxima década, o que será uma “catástrofe, destruindo qualquer chance de manter viva a meta de 1.5° C”.

O secretário-geral destacou ainda que o relatório do Ipcc mostra como “carvão e outros combustíveis fósseis estão engolindo a humanidade”. Ele pediu aos países do G-20, que inclui o Brasil, para deixarem de financiar o carvão e dirigiu um apelo direto às empresas gigantes de gás e de petróleo: “Vocês não podem afirmar serem ‘verdes’ quando seus planos e projetos minam o acordo para emissões net zero até 2050 e enquanto ignoram que grandes cortes de emissões precisam ocorrer nesta década”.

Foto: Isac Nobrega/PR

Mais investimentos em adaptação

António Guterres lembrou que este é o momento de acelerar a “transição para energias renováveis”, afirmando que os combustíveis fósseis “são o fim da linha para o planeta, a humanidade e para as economias”.

O relatório do Ipcc traz ainda novidades sobre investimentos no setor da adaptação climática. Guterres quer que 50% de todo o financiamento para o clima seja usado na adaptação, mencionando obstáculos para que países insulares e nações menos desenvolvidas consigam o dinheiro necessário para salvar vidas e meios de subsistência.

O chefe da ONU acredita que atrasos “significam mortes” e mencionou que as pessoas em todo o mundo, incluindo ele próprio, estão “ansiosas e irritadas” e por isso o momento é de ação.

O estudo do Ipcc mostra que o aumento das ondas de calor, das secas e das enchentes “já está ultrapassando a capacidade de tolerância das plantas e dos animais”, causando mortalidade em massa em várias espécies de árvores e de corais.

Segundo os cientistas do Ipcc, ecossistemas saudáveis são mais resilientes à mudança climática e conseguem fornecer água potável e alimentos. Por isso, restaurar a degradação e conservar de 30% a 50% das terras do planeta, habitats oceânicos e água doce ajudam a capacidade da natureza em absorver e armazenar carbono.

O relatório mostra que governos, setor privado e sociedade civil precisam cooperar para combater todos esses desafios, incluindo uso insustentável de recursos naturais, desigualdades sociais e aumento da urbanização, já que a mudança climática interage com essas tendências globais.

Ao mesmo tempo, o Ipcc nota que as cidades fornecem oportunidades para ação climática, com “edifícios verdes, fontes seguras de água potável, energias renováveis e transportes sustentáveis”, o que poderá criar sociedades mais justas e inclusivas.

O vice-presidente do Grupo de Trabalho II do Ipcc, que produziu o relatório, Hans-Otto Portner, afirmou que “a evidência científica é inequívoca: a mudança climática ameaça o bem-estar humano e a saúde do planeta”. Segundo ele, “qualquer atraso para garantir ação global resultará na perda de uma janela que já está se fechando rapidamente para garantir um futuro habitável”.

Pessoas na África, na Ásia e na América do Sul já foram expostas à falta d’água e à insegurança alimentar. Para evitar mais perdas de vida e de biodiversidade, é essencial acelerar ações de adaptação à mudança climática e cortar, rapidamente, as emissões de gases de efeito estufa.

Ecossistemas resilientes   

Segundo os cientistas do Ipcc, ecossistemas saudáveis são mais resilientes à mudança climática e conseguem fornecer água potável e alimentos. Por isso, restaurar a degradação e conservar de 30% a 50% das terras do planeta, habitats oceânicos e água doce ajudam a capacidade da natureza em absorver e armazenar carbono.

O relatório mostra que governos, setor privado e sociedade civil precisam cooperar para combater todos esses desafios, incluindo uso insustentável de recursos naturais, desigualdades sociais e aumento da urbanização, já que a mudança climática interage com essas tendências globais.

Ao mesmo tempo, o Ipcc nota que as cidades fornecem oportunidades para ação climática, com “edifícios verdes, fontes seguras de água potável, energias renováveis e transportes sustentáveis”, o que poderá criar sociedades mais justas e inclusivas.

O vice-presidente do Grupo de Trabalho II do Ipcc, que produziu o relatório, Hans-Otto Portner, afirmou que “a evidência científica é inequívoca: a mudança climática ameaça o bem-estar humano e a saúde do planeta”. Segundo ele, “qualquer atraso para garantir ação global resultará na perda de uma janela que já está se fechando rapidamente para garantir um futuro habitável”.”

Clique aqui para ler o relatório na íntegra, na versão em inglês

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