Embrapa estimula uso de gliricídia como tutor de pimenta-do-reino

Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa/Divulgação

Três novas Unidades de Referência Tecnológica (URTs) marcam a expansão do sistema de produção da pimenta-do-reino com o uso do tutor vivo de gliricídia em substituição às estacas de madeira, nos municípios paraenses de Tomé-Açu, Santarém e Baião. A gliricídia (Gliricidia sepium) é uma árvore leguminosa de rápido crescimento, originária da América Central, que serve como tutor vivo (suporte para o crescimento) da pimenteira-do-reino, que é uma espécie trepadeira.

As URTs são áreas de demonstração da tecnologia localizadas em propriedades de agricultores familiares e servem como polos de aprendizagem e difusão do conhecimento.

Uma das unidades está localizada na propriedade de Maciel Ferreira, agricultor do município de Baião, região Nordeste Paraense. Ele, que herdou do avô a tradição da pipericultura, tem atualmente quatro mil pés de pimenteira-do-reino. “Eu tenho cacau, peixe e outras frutas, mas a pimenta é o principal produto da minha renda. Sempre apostei na pimenta e atualmente estou colhendo os frutos desse trabalho”, afirma Maciel.

Ele conta que implantou o tutor de gliricídia (tutor “vivo”) há cerca de três anos, quando teve o primeiro contato com a tecnologia. “No início, sem orientação técnica, tive dificuldades com o ‘amarrio’ da pimenta no tutor e com a poda da gliricídia, mas não desisti”, conta o agricultor. Atualmente, a área dele é uma referência para os produtores região e recebe visitas de quem quer conhecer os benefícios da tecnologia.

“Além de uma produção de três quilos de pimenta seca por pé, o tutor vivo é melhor para quem faz a colheita na época do verão, pois tem sombra. Então é muito bom para a planta e para o trabalhador”, ressalta Maciel.

Benefícios econômicos e ambientais

A substituição das estacas de madeira pela árvore de gliricídia como tutor da pimenteira-do-reino é uma tecnologia que conquista cada vez mais agricultores nas diferentes regiões do Pará. As três Unidades de Referência Tecnológica implantadas no estado têm 0.6 hectares cada uma e cerca de mil plantas, sendo 500 na estaca de madeira e 500 no tutor de gliricídia, que evidenciam as diferenças nos sistemas de produção. O trabalho é realizado em parceria com as empresas Tropoc e Pró-Mudas.

O pesquisador Oriel Lemos, da Embrapa Amazônia Oriental, ressalta que são inúmeras as vantagens do uso da gliricídia como tutor, entre elas, “a redução em 27% do custo de implantação do pimental em comparação ao sistema tradicional em função da substituição das estacas e da redução na aquisição de fertilizantes e adubos”, explica.

Além disso, como acrescenta João Paulo Both, analista da Embrapa Amazônia Oriental, o plantio da gliricídia evita o corte de árvores, contribui no sequestro de carbono, melhora a condição do solo com a fixação de nitrogênio e a incorporação da matéria orgânica. “O uso da gliricídia como tutor é sustentável em diversos aspectos, pois reduz custos e impacto ambiental, garante a lucratividade e melhora o ambiente”, afirma Both.

As Unidades de Referência Tecnológica implantadas em Tomé-Açu, Santarém e Baião estão abertas à visitação de produtores e interessados no tema. Além do trabalho com o tutor de gliricídia, as unidades apresentam novas variedades de pimenteira-do-reino livres de vírus, que serão lançadas em breve pela Embrapa Amazônia Oriental em parceria com o viveiro Pró-Mudas.

Pará

O estado do Pará é o segundo maior produtor nacional de pimenta-do-reino com uma produção de 36,1 mil toneladas em 2020, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As maiores produções se concentram nos municípios de Tomé-Açu, Baião, Mocajuba, Igarapé-Açu e Capitão Poço, e envolvem, principalmente, agricultores familiares.

Da Embrapa Amazônia Oriental

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