Manifesto de pecuaristas do Pará condena desmatamento na cadeia da carne

Foto: Siglia Souza/Embrapa/Divulgação

A Aliança Paraense pela Carne, movimento que defende o fortalecimento da cadeia agroindustrial, comercial e de prestação de serviços da pecuária bovídea no estado do Pará, divulgou manifesto, nesta semana, em defesa da sustentabilidade da cadeia pecuária na Amazônia. No comunicado, a Aliança Paraense pela Carne reconhece que “o desmatamento ilegal é um problema gravíssimo para a pecuária, para o Pará, para a Amazônia, para o Brasil e para toda humanidade” e se compromete a apoiar e implementar medidas para permitir o desenvolvimento da atividade em consonância com a preservação ambiental.

No manifesto, a Aliança Paraense pela Carne assume seis compromissos:

  1. Apoiar os governos para que possam acelerar os processos de regularização fundiária e ambiental, como forma de gerar segurança jurídica para quem não desmata e facilitar a identificação e punição dos desmatadores ilegais;
  2. Apoiar, no âmbito do Projeto PECUARIANDO, a pesquisa agropecuária pública e privada, validando as tecnologias necessárias aos investimentos para a intensificação da produção pecuária e na sua integração com a agricultura e com a silvicultura, promovendo a inclusão tecnológica de pequenos e médios produtores da pecuária bovídea familiar e priorizando a reabilitação das áreas já antropizadas e degradadas;
  3. Promover a restauração florestal das áreas com ocorrência de desmatamento, através da implantação da ferramenta SIRFLOR;
  4. Incentivar, ainda no âmbito do Projeto PECUARIANDO, plantio de 14,4 milhões de árvores no Estado do Pará, a exemplo do cacaueiro e de outras espécies de grande interesse amazônico;
  5. Combater e reduzir o desmatamento ilegal no Pará, promovendo;
  6. Investimento em inteligência para atuação preventiva;
  7. campanhas de esclarecimento e conscientização;
  8. a identificação e a abordagem direta ao proprietário para o convencimento de não desmatar; e
  9. apoio público às ações das autoridades de autuação e punição aos desmatadores ilegais.
  10. Estudar e desenvolver ações para apoiar a bioeconomia, bem como para viabilizar a compensação financeira pelo mecanismo REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação) das áreas preservadas nas propriedades e outras para neutralizar as emissões de gases do efeito estufa, contribuindo para reduzir o aquecimento global e as mudanças climáticas.
Foto: Kadijah Suleiman/Embrapa/Divulgação

Leia, abaixo, a íntegra do manifestado:

Manifesto da Aliança Paraense pela Carne em Prol da Sustentabilidade da Pecuária na Amazônia

“A Aliança Paraense pela Carne, movimento de união e trabalho em prol do fortalecimento da Cadeia Agroindustrial, Comercial e de Prestação de Serviços da Pecuária Bovídea no Estado do Pará, apresenta o seguinte MANIFESTO que expressa o pensamento e a vontade de indivíduos e empresas, por intermédio das entidades abaixo relacionadas.

Pelo fato da pecuária bovina ser uma das mais antigas atividades exercidas para a sobrevivência e evolução dos seres humanos.

Pelo fato da proteína obtida a partir do consumo da carne e do leite bovinos ser fundamental ao pleno crescimento das crianças e à nutrição das pessoas em geral.

Pelo fato da pecuária bovina, desde o descobrimento Brasil contribuir para o processo de ocupação, expansão e consolidação das nossas fronteiras.

Pelo fato de ter sido a ambição, a coragem, e o trabalho árduo de muitos pecuaristas que ajudaram a desenhar o mapa territorial brasileiro, tornando nosso País o maior da América Latina e do Hemisfério Sul, o quinto maior do Planeta e detentor, dentre outras inestimáveis riquezas, de 60 % de toda Amazônia Sul Americana.

Pelo fato da pecuária bovina ser responsável pelo nascimento e pela sustentação econômica de boa parte dos municípios do interior do Brasil.

Pelo fato de a pecuária bovina estar presente em mais de 2,5 milhões de propriedades rurais, sendo fonte direta de ocupação e renda para quase 2 milhões de brasileiros de todos os estados.

Pelo fato de a pecuária bovina representar cerca de 7% do PIB nacional e 12,5% do superavit na balança comercial brasileira, apenas com a exportação de carne.

Pelo fato de, nos últimos 30 anos, o rebanho bovino brasileiro ter crescido perto de 32%, a produção de carne aumentado em quase 100% e a ocupação de áreas de pastagens diminuído em 16%, liberando inclusive espaços para agricultura, tudo isso graças aos investimentos dos pecuaristas em genética, manejo, nutrição, sanidade e gestão.

Pelo fato de homens e mulheres pecuaristas ajudarem a manter preservada mais de 60% da vegetação natural no Brasil.

Por tudo isso, mas especialmente pelo fato de reconhecer que o desmatamento ilegal é um problema gravíssimo para a pecuária, para o Estado do Pará, para a Amazônia, para o Brasil e para toda humanidade, que a Aliança Paraense pela Carne assume os seguintes compromissos:

  1. Apoiar os governos para que possam acelerar os processos de regularização fundiária e ambiental, como forma de gerar segurança jurídica para quem não desmata e facilitar a identificação e punição dos desmatadores ilegais;
  2. Apoiar, no âmbito do Projeto PECUARIANDO, a pesquisa agropecuária pública e privada, validando as tecnologias necessárias aos investimentos para a intensificação da produção pecuária e na sua integração com a agricultura e com a silvicultura, promovendo a inclusão tecnológica de pequenos e médios produtores da pecuária bovídea familiar e priorizando a reabilitação das áreas já antropizadas e degradadas;
  3. Promover a restauração florestal das áreas com ocorrência de desmatamento, através da implantação da ferramenta SIRFLOR;
  4. Incentivar, ainda no âmbito do Projeto PECUARIANDO, plantio de 14,4 milhões de árvores no Estado do Pará, a exemplo do cacaueiro e de outras espécies de grande interesse amazônico;
  5. Combater e reduzir o desmatamento ilegal no Pará, promovendo;
  6. Investimento em inteligência para atuação preventiva;
  7. campanhas de esclarecimento e conscientização;
  8. a identificação e a abordagem direta ao proprietário para o convencimento de não desmatar; e
  9. apoio público às ações das autoridades de autuação e punição aos desmatadores ilegais.
  10. Estudar e desenvolver ações para apoiar a bioeconomia, bem como para viabilizar a compensação financeira pelo mecanismo REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação) das áreas preservadas nas propriedades e outras para neutralizar as emissões de gases do efeito estufa, contribuindo para reduzir o aquecimento global e as mudanças climáticas.

Marabá, 27 de abril de 2022.

Acripará – Associação de Criadores do Pará

FAEPA – Federação da Agricultura e Pecuária do Pará

FETRAF – Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado do Pará

SINDICARNE – Sindicato das Indústrias de Carnes Bovinas, Suínas, Aves, Peixes e Derivados

FIEPA – Federação das Indústrias do Estado do Pará

ASPAS – Associação Paraense de Supermercados

UNIEC – União Nacional da Indústria e Empresas da Carne”

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: