Carestia tira leite, carne e óleo da cesta de compras dos brasileiros

Foto: Foto Ricardo Stuckert

Da redação, com DCM

A carestia dos alimentos no Brasil, provocada pela inflação de mais de 12% acumulada no ano passado, pela perda de poder aquisitivo e pelo desemprego, encolheu a cesta de compras da população, especialmente dos mais pobres e até da classe média. Segundo pesquisa da empresa de inteligência de mercado Horus, até produtos básicos estão deixando de ser consumidos pelos brasileiros. Entre os itens que estão menos presentes na mesa das famílias, em comparação com abril de 2021, estão a carne vermelha, o leite de vaca e óleo.

A análise levou em conta 35 milhões de notas fiscais em todo o Brasil, informa o site Diário do Centro do Mundo (DCM). A pesquisa da Horus constatou que o leite, no mês passado, estava presente em apenas 14,2% dos carrinhos. O percentual representa um recuo em relação a 2021, quando era de 15,9%. “No mesmo período, o litro do leite passou de R$ 4,29 para R$ 7,25, um crescimento de 69%.”

Ainda de acordo com a Huros, o cenário é semelhante para o óleo e a carne vermelha. “O primeiro produto passou de 7,1% para 6% de presença nos carrinhos; já a carne, foi de 5,9% para 5,3%”, pontua o DCM.

O retorno da inflação ao Brasil tem três causas básicas: o fracasso da política econômica do governo Bolsonaro, a pandemia de covid-19 e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Os efeitos da crise sanitária e do conflito no Leste Europeu atingiram todos os países, mas no Brasil eles se somam aos equívocos da área econômica do presidente Bolsonaro.

Ricos fazem estoques

O cenário de carestia está fazendo com que os brasileiros voltem a conviver com um fenômeno dos anos 1980, quando a inflação chegou a 235% ao ano em 1985. Para se proteger da onda altistas, famílias mais ricas estão fazendo estoques em casa.

“A estratégia é comprar itens em grande quantidade e de uma só vez para se proteger da inflação no país”, relata o DMC. Se de um lado pode criar a sensação de que as famílias estão se protegendo contra a carestia, de outro, a formação de estoques caseiros acaba alimentando ainda mais a inflação, porque reduz a oferta de alguns itens e eleva a procura.

“As famílias com mais recursos começam a buscar embalagens mais econômicas, com maiores quantidades, para se proteger da alta dos preços, porque não sabem se dali a mês vão conseguir comprar a mesma quantidade de coisas”, afirma Luiza Zacharias, especialista da Horus.

“Apesar disso, todas as famílias acabam atingidas pela crise econômica. O valor da cesta básica aumentou em todas as capitais do país em março deste ano, sendo a cidade de São Paulo a mais cara entre as pesquisadas. Entre março de 2021 e o mesmo período este ano foi registrado um aumento de 21,60%”, diz o DCM.

AGROemDIA

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