Alta de mais de 350% no preço dos fertilizantes pode causar desabastecimento, diz Aprosoja-MT

O preço dos principais fertilizantes subiu mais de 350%, saindo de uma média de 350 dólares por tonelada, na safra passada, para 1,3 mil dólares por t na temporada 2022, informa a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), em nota divulgada nesta quinta-feira (26). Segundo a entidade, o aumento de três dígitos no valor dos fertilizantes pode provocar desabastecimento de alimentos no mercado mundial.

De acordo com o presidente da Aprosoja-MT, Fernando Cadore, o impacto no aumento dos preços, não será sentido apenas pelo produtor rural, mas também afetará o consumidor final, que terá menos alimentos nas prateleiras do supermercado. “Como Brasil e Mato Grosso são grandes produtores, o efeito pode ter escala global”, pontua a associação.

“Sugerimos à Frente Parlamentar da Agropecuária [FPA], nesta semana, que acione o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), cobrando explicações das empresas sobre o reajuste no preço, considerado pelo setor produtivo como ‘abusivo e inexplicável’ ou mesmo como ‘formação de cartel’, ou seja, com intuito de gerar lucro às poucas indústrias que atuam no país”, afirma Cadore.

Conforme a associação, além do cloreto de potássio (KCL), que variou de 350 para 1,3 mil dólares por tonelada de uma safra para a outra, o fosfato monoamônico, conhecido pela sigla MAP, saiu de um média de 480 dólares para 1,4 mil dólares por tonelada da safra anterior para a atual.

“Frente à situação, a Aprosoja-MT alerta que os valores atuais são ‘impraticáveis’ e devem inviabilizar a produção agrícola no Brasil”, sublinha a entidade na nota.

Em busca de explicações

“Precisamos que o Cade e a nossa bancada parlamentar nos ajudem a encontrar explicações, porque foi um reajuste de quase quatro vezes, que não se justifica pelo aumento no preço dos combustíveis. Além disso, queremos compartilhar com as indústrias de fertilizantes as possíveis consequências de um desabastecimento mundial de alimentos”, diz Cadore.

No comunicado, a Aprosoja informa que, “em relação às empresas, a americana Mosaic, uma das maiores fornecedoras de fertilizantes do mundo, registrou lucro líquido de US $1,18 bilhão no primeiro trimestre deste ano, resultado 653% superior ao do mesmo período de 2021, conforme relatado pela imprensa nacional”.

“Toda empresa, como atividade econômica, visa lucro, mas a geração de caixa exorbitante de uma das maiores fornecedoras de fertilizantes mundial chama a atenção para os atuais preços praticados. Essas empresas, em caso de desabastecimento alimentar, também deverão ser responsabilizadas, já que com os atuais preços desses insumos, a agricultura pode se tornar impraticável no país”, ressalta Cadore.

O presidente da Aprosoja-MT esteve na segunda e terça-feira (23 e 24) em Brasília para reunião com o com os ministros da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes, e Meio Ambiente, Joaquim Leite. Também participou de reunião com o presidente da FPA, o deputado federal Sérgio Souza (MDB-PR), quando expôs a situação do mercado de fertilizantes, tema que já preocupa os produtores mato-grossenses.

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: