Embrapa avalia uso de subprodutos da indústria de azeite de oliva na alimentação bovina

Foto: Paulo Lanzetta/Embrapa/

Além da produção de azeite, a olivicultura poderá contribuir para a alimentação de bovinos. A   Embrapa Pecuária Sul está desenvolvendo um projeto de pesquisa que visa avaliar a utilização de subprodutos da indústria de azeite de oliva na dieta dos animais.

Segundo a pesquisadora Cristina Genro, os objetivos são verificar a utilização na composição de concentrados para alimentação de bovinos, seu potencial de reduzir a produção de metano e melhorar a qualidade da carne e do leite produzido.

A suplementação será utilizada na fase de terminação de bovinos de corte e na alimentação de bovinos de leite. O estudo conta com a participação da Embrapa Gado de Leite (MG) e da Embrapa Pecuária Sudeste (SP).

Esse subproduto é rico em gordura, que tem um efeito direto na redução na produção de metano, pontua Cristina. A gordura envolve as fibras ingeridas e as bactérias que atuam sobre elas, principalmente as metanogênicas, que não conseguem atingir esse alimento.

“Com isso, ocorre uma transformação no rúmen dos animais, uma redução na população dessas bactérias metanogênicas, responsáveis pelo processo de produção do gás”, explica a pesquisadora.

Plantio de oliveiras cresce no Sul do RS

A olivicultura teve um grande crescimento no Sul do Rio Grande do Sul na última década, região que possui condições para um bom desenvolvimento da cultura. A expansão da área plantada com oliveiras, estimada em mais de 14 mil hectares, incentivou a instalação de várias indústrias de produção de azeite de oliva na região.

“Escolhemos esse subproduto porque, além do potencial para a nutrição, são passivos da agroindústria da região e não estão sendo utilizados ou estão sendo subutilizados. Além disso, tem a característica da gordura que diminui a metanogênese, e pelos compostos secundários da azeitona, como os taninos, que faz com que esse produto seja mais bem aproveitado no intestino dos animais”, diz a pesquisadora Renata Suñé, da Embrapa Pecuária Sul.

Foto: Paulo Lanzetta/Embrapa

De acordo com ela, a ideia é transformar esse passivo ambiental em um produto que possa ser utilizado na alimentação de ruminantes. “Estamos vendo, num primeiro momento, uma forma prática de transformar esse material em um produto que possa ser acrescentado em um concentrado”.

Esse subproduto também tem potencial de substituir as fontes de energia mais tradicionais utilizadas nos concentrados, como o milho. Na pesquisa será avaliada ainda a qualidade do produto para a nutrição, ou seja, a resposta na produção animal, uma vez que vai substituir um dos principais ingredientes de concentrados.

Além do potencial em relação à diminuição da emissão de metano, a expectativa é que o subproduto tenha um efeito benéfico na qualidade da gordura, tanto da carne como do leite.

Efeitos positivos para a saúde humana

A oliva, pontua Cristina, tem um perfil de ácidos graxos distintos que pode afetar na gordura da carne, possivelmente com efeitos positivos para a saúde humana.

“Podemos classificar como um alimento funcional, de forma que o consumo dessa carne, que já possui vitaminas e proteína, poderá, por exemplo, contribuir na redução do colesterol”, afirma Cristina.

Na pesquisa serão desenvolvidos testes in vitro (em laboratório), in vivo (usando animais) e também avaliações a campo.

No caso de bovinos de corte, a suplementação será oferecida na fase de terminação em área de pastagem de inverno, durante cerca de 120 dias. Serão avaliados, além de aspectos nutricionais e produtivos, a emissão de metano em dois momentos distintos da suplementação.

 

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