Néri Perin: Doutores em agro

Néri Perin*

Começo por um esclarecimento da não pretensão de criticar posições adotadas por boa parte da mídia, que se esforça tão somente para qualificar o agronegócio brasileiro e destacá-lo. Já passou da hora de perceber a situação real do trabalho realizado pelos rurícolas.

E há um hiato entre o que é cantado e a realidade cotidiana. Explico. Não são poucos que pretendem ensinar como os produtores rurais devem apresentar. Não apenas no trabalho, mas sobretudo no que falar e como se comportar. Muitas vezes são tratados como incultos. Contraditoriamente, enaltecem a produção e a capacidade produtiva. Mas como isso é possível se eles necessitam ser conduzidos? Parece-nos que o inverso seria mais apropriado.

A compreensão é fácil. Os rurícolas brasileiros aprendem desde cedo a trabalhar a terra e dela gerar frutos. Manejam com destreza suas ferramentas contendo a melhor tecnologia disponível. Demonstram habilidades na programação dos computadores e na execução dos softwares utilizados. Tornaram-se rábulas em engenharia mecânica, professores de agronomia e hábeis administradores. Não bastasse, enfrentam o tempo e seus humores. É como fazer a graduação, pós-graduação, doutorado e Phd.

Apreender a pilotar uma aeronave talvez seja mais fácil de que operar uma colheitadeira. E há algo ainda mais importante. Eles praticam a ciência da observação na seleção de sementes e no manejo dos cultivos para tornar a terra mais produtiva. Conseguem gerar mais alimentos com menos custos, de forma ambientalmente sustentável. Quem não conhece uma fazenda produtora, ficaria perplexo com a tecnologia e o trabalho realizado.

Apreender a pilotar uma aeronave talvez seja mais fácil de que operar uma colheitadeira. E há algo ainda mais importante. Eles praticam a ciência da observação na seleção de sementes e no manejo dos cultivos para tornar a terra mais produtiva. Conseguem gerar mais alimentos com menos custos, de forma ambientalmente sustentável.

De fato, precisam ser auxiliados. Mas com crédito agrícola mais justo, pontual. Ser protegidos das empresas de biotecnologia que os acorrentam com suas “patentes” e se apropriam da sua renda. Enfim, com Políticas Agrícolas efetivas que propiciem “segurança alimentar e soberania”, bem como segurança jurídica às propriedades, ao trabalho e à liberdade. Teríamos tantas pautas reais para nos ocupar. Menos tentar ensinar um rurícola de como se comportar. A sabedoria aconselharia o contrário.

Vamos aprender com eles a evoluir. Afinal, o futuro da humanidade depende dos homens e das mulheres que operam esta grade indústria a céu aberto.

*Advogado, especializada em Direito Agrário e Rural – Néri Perin Advogados Associados

 **Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

 

 

 

 

 

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