Mais um recorde no campo: Safra de grãos 2021/22 é estimada em 271,3 milhões de t

Foto: Antonio Costa-/Fotos Públicas

A produção brasileira de grãos 2021/22 deve ter um novo recorde, alcançando 271,3 milhões de toneladas. É o que indica o 9º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quarta-feira (8) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo a empresa, o volume representa um aumento de 6,2% sobre a temporada anterior, o que significa um acréscimo de cerca de 15,8 milhões de toneladas.

“A estimativa inicial da companhia era de uma safra ainda maior. No primeiro levantamento, era esperada uma produção de 288,6 milhões de toneladas. Mas, mesmo com a redução na expectativa em 6,4%, os agricultores brasileiros serão responsáveis pela maior safra da série histórica”, diz o presidente da Conab, Guilherme Ribeiro.

De acordo com ele, o bom desempenho da safra, que está em fase de conclusão, ocorre mesmo em um ano em que as culturas de primeira safra, principalmente soja e milho, foram afetadas pelas condições climáticas adversas na Região Sul do país e em parte do Mato Grosso do Sul.

Na atual temporada, o destaque é para a recuperação de 32,3% na safra de milho. Com uma produção estável na 1ª safra do cereal, próximo a 24,8 milhões de toneladas, a 2ª safra do grão tende a registrar uma elevação de aproximadamente 45% se comparada com o ciclo anterior, passando de 60,7 milhões de t para 88 milhões de t.

Milho no Paraná e em MS

“No entanto, ainda precisamos acompanhar o desenvolvimento das lavouras, principalmente nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. Nesses locais, a cultura se encontra em estágios de desenvolvimento em que o clima exerce grande influência no resultado final. Considerando a segunda safra, cerca de 25,5% do milho do país ainda está sob influência do clima”, assinala o diretor de Informações Agropecuárias e Políticas Agrícolas da Conab, Sergio De Zen.

Conforme o boletim Progresso de Safra, publicado nesta semana pela estatal, a colheita do cereal de 2ª safra está em fase inicial, sendo Mato Grosso o estado com a maior área colhida registrada.

“As primeiras lavouras têm apresentado bons rendimentos, pois foram semeadas em período ideal. Já a onda de frio, ocorrida em maio, formou geadas de maneira pontual no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em Minas Gerais, o que não afetou a produtividade total. O desempenho das lavouras, inclusive, melhorou nos estados paranaense e sul-mato-grossense, devido ao bom regime hídrico”, acrescenta De Zen.

Produção total de algodão

Assim como no caso do milho, o clima frio não trouxe grande impacto na produção total para o algodão. Só para a pluma, é esperada uma colheita de 2,81 milhões de toneladas, aumento de 19,3% quando comparado com o ciclo 2020/21.

Já para o feijão, as baixas temperaturas impactaram as produtividades das lavouras de 2ª safra da leguminosa. Destaque para a influência na variedade cores e preto, com redução na produtividade de 31,8% e 19,7% respectivamente.

“Com as condições climáticas desuniformes entre os estados produtores de feijão, variando entre estiagem e excesso de chuvas, a qualidade do grão a ser colhido na 2ª safra pode ter a qualidade comprometida”, esclarece o gerente de Acompanhamento de Safras, Rafael Fogaça.

Colheita de soja e arroz

Soja e arroz estão com a colheita praticamente finalizada. Para a oleaginosa, a Conab estima 124,3 milhões de toneladas produzidas, redução de 10,1% em relação à safra anterior, enquanto o arroz deve atingir uma produção de 10,6 milhões de toneladas, volume 9,9% inferior ao produzido no ciclo anterior.

Já o plantio das culturas de inverno está em andamento. O destaque é o trigo, principal grão semeado no país. A atual estimativa é para uma produção de 8,4 milhões de toneladas, um novo recorde para o grão caso se confirme o resultado.

Mercado

Neste 9º levantamento, a Conab manteve as projeções de importação e exportação da safra 2021/2022 para algodão, arroz, feijão e milho. Com a manutenção dessas expectativas, os estoques finais para arroz e feijão foram reduzidos, em virtude da amena queda na produção, sendo estimados em aproximadamente 2 milhões de toneladas e 251 mil toneladas respectivamente.

Cenário oposto é o do milho, no qual a companhia prevê uma alta de 7,15% no estoque de passagem, mesmo com a maior demanda internacional pelo cereal brasileiro. As exportações do grão devem crescer 77,8%, quando comparado ao ano anterior, com estimativa de 37 milhões de toneladas. No algodão, houve redução no consumo interno, passando de 765 mil para 750 mil toneladas.

No caso da soja, os esmagamentos da oleaginosa se apresentam em alta. Já as vendas para o mercado externo estão reduzidas. Com isso, a previsão de embarque do grão é de 75,23 milhões de toneladas.

Outro destaque é a queda de 415 mil toneladas na estimativa de consumo interno de óleo de soja, em relação a 2021. A redução é resultado da menor produção de biodiesel nos quatro primeiros meses de 2022, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O trigo tem previsão de aumento nas exportações. Para a safra 2021 (ano comercial de agosto de 2021 a julho de 2022) a alta esperada é de 5%. Já na próxima produção a ser comercializada entre agosto de 2022 a julho de 2023, o incremento nas vendas externas chega a 50%, passando de mil toneladas para 1,5 mil toneladas.

No mercado doméstico, destaque para o feijão. Embora tenha ocorrido expressiva elevação nos preços da leguminosa até meados de maio, posteriormente, os preços seguiram em trajetória de queda, provocada pelo avanço da colheita no Paraná. No entanto, a partir do dia 27 do mês passado, as chuvas retornaram no Paraná, interrompendo a colheita. Na primeira semana de junho, a Conab registrou uma valorização dos preços do produto, entre R$ 10,00 e R$ 20,00 por saca.

Clique aqui para acessar a íntegra do 9º Levantamento da Safra de Grãos 2021/2022 da Conab.

*Da redação, com informações da Conab

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: