Embrapa: Custo de produção do leite cai 1,4% em maio, mas produtor segue pressionado

Foto: Embrapa/Divulgação

Os custos de produção do leite recuaram 1,4% em maio, segundo boletim divulgado, neste sábado (11), pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite. “Dos sete grupos que compõem o ICPLeite/Embrapa, quatro registraram queda de preços, enquanto dois grupos tiveram elevação de preços e um se manteve estável”, informa o documento.

Ainda de acordo com a publicação do CILeite, “este fenômeno de deflação, que é o inverso da inflação, não acontecia desde maio de 2020 e foi a maior registrada desde agosto/2019.” O boletim pontua, entretanto, que “isso não alivia muito a condição do produtor, em função da ascensão inflacionária dos custos de produção, acumulada nos meses anteriores”.

Leia, abaixo, a íntegra do boletim do CILeite, assinado pelos pesquisadores Paulo do Carmo Martins e Samuel José de Magalhães Oliveira e pelos analistas Manuela Sampaio Lana e Alziro Vasconcelos Carneiro, da Embrapa Gado de Leite:

Custo de produção de leite recuou -1,4% em maio

Paulo do Carmo Martins (1)

Samuel José de Magalhães Oliveira (1)

Manuela Sampaio Lana (2)

Alziro Vasconcelos Carneiro (2)

“A inflação de custos de produção de leite, que vinha apresentando desaceleração no crescimento a partir do mês de março, teve queda no mês de maio. Dos sete grupos que compõem o ICPLeite/Embrapa, quatro registraram queda de preços, enquanto dois grupos tiveram elevação de preços e um se manteve estável. O resultado no custo de produção de leite foi um forte recuo em maio, com deflação de -1,4%. Este fenômeno de deflação, que é o inverso da inflação, não acontecia desde maio de 2020 e foi a maior deflação registrada desde agosto/2019. Isso não alivia muito a condição do produtor, em função da ascensão inflacionária dos custos de produção, acumulada nos meses anteriores. Nos grupos com queda de preços os destaques foram para soja, milho, adubos e energia elétrica, demonstrando que a deflação não foi localizada em grupos de custos específicos e teve múltiplas explicações.

Vários fatores influenciaram a deflação no mês

Pelo segundo mês consecutivo o grupo Concentrado, que representa a alimentação baseada em ração formulada com grãos, apresentou queda de preços. No mês de maio, foi – 1,7%, resultante da queda de preços de soja e milho. O custo de produção do grupo Volumosos também teve retração de -1,3% em maio, motivado pela queda dos preços de adubos. Milho, soja e adubos têm preços formados no mercado internacional e estavam inflados desde os primeiros dias do conflito na Ucrânia, dadas as elevadas incertezas geradas naquele momento, e agora recuam. Os grupos Concentrados e Volumosos respondem pelo custo da alimentação das vacas e, somados, pesam muito no resultado final do ICPLeite/Embrapa (61,7%). O grupo Qualidade do Leite também registrou retração no custo, resultante da queda de preço do material de limpeza. A maior queda de preços ocorreu no grupo Energia e Combustível, principalmente por conta da energia elétrica, que estreou redução de tarifa, com o fim do período de escassez hídrica e o retorno da tarifa de bandeira verde.

O grupo Sanidade e Reprodução, que engloba medicamentos, vacinas, sêmen e material de reprodução, teve elevação de custos expressiva (2,9%), mas foi o grupo Minerais que, pelo quarto mês seguinte, registrou variação positiva nos custos. Desta vez atingiu patamar de dois dígitos de elevação (11,7%). O Gráfico 1 reproduz a variação nos grupos que compõem os custos de produção, para o mês de maio.

Nos primeiros cinco meses do ano o ICPLeite/Embrapa acumulou uma inflação de custos de 5,2%, puxada por cinco grupos de despesas. O grupo Minerais atingiu o patamar de inflação de 25,9%, seguido pelos grupos Mão de Obra e Volumosos que apresentaram, respectivamente, 10,6% e 8,3%. O grupo Sanidade e Reprodução registrou crescimento de custos de 5,6% e o grupo Concentrado 2,5%, com crescimento acumulado menor que a inflação de custos acumulada em 2022. O grupo Qualidade do Leite mostrou deflação de -1,8% e o grupo Energia e Combustível acumulou -13,2% de deflação. (Gráfico 2).

Numa comparação com maio/2021, o ICPLeite/Embrapa registrou uma inflação de 16,6%. Neste período de doze meses o custo do grupo Minerais, cresceu 55,9%, seguido de perto pelo grupo Volumosos, com 51,2% de variação acumulada. Estes dois grupos foram os principais responsáveis pela elevada inflação acumulada em doze meses. Os demais cinco grupos puxaram a inflação para baixo e tiveram variação de preços menores que a inflação registrada na economia brasileira. O grupo Qualidade do Leite apresentou retração. (Gráfico 3).”

(1) Pesquisadores em economia da Embrapa Gado de Leite

(2) Analistas em economia da Embrapa Gado de Leite

 

 

 

 

 

 

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