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Exportações de gado vivo, atividade lícita atacada por inimigos do agro brasileiro

Gil Reis*

É impressionante como a competência e o crescimento da agropecuária brasileira, com o consequente aumento das exportações, incomodam e atemorizam os concorrentes internacionais. Não por acaso, o mundo rural do Brasil se tornou alvo de ONGs internacionais e dos colaboracionistas nativos, que transformaram seus ataques em uma atividade muito rentável. Alguém já teve a curiosidade de investigar quanto as ‘ditas’ celebridades recebem de honorários gravando vídeos, assinando artigos e dando entrevistas para atentar contra as nossas produções e exportações?

Os ativistas usam como argumentos o ‘mantra’ do bem-estar animal para atacar as exportações de bovinos vivos. Além de ser uma atividade lícita e praticada livremente também em outros países, como tantas outras que fazem parte do comércio internacional, a venda de gado vivo é protegida pela Constituição. Parece, entretanto, que os envolvidos na luta contra as exportações de bovinos vivos sofrem de perda de memória proposital ou desconhecem totalmente a história da pecuária em nosso país.

Enquanto isso, o mundo segue exportando e importando animais vivos, entre eles os bovinos, sem sofrer pressões de ONGs como as vistas no Brasil. No dia 12 deste mês de agosto, por exemplo, James Nason assinou artigo publicado no site BEEF CENTRAL, sob o título “Pequena alegria de julho para exportadores de gado”, sobre o comércio de gado vivo entre a Austrália, o Vietnã, a Indonésia e China:

“A redução dos preços do gado australiano contribuiu para um aumento na atividade de exportação para o Vietnã em julho, enquanto as exportações para a Indonésia caíram ainda mais em meio ao surto de febre aftosa que afeta o país. A Austrália exportou 48.334 cabeças em julho, mostram os últimos números do Departamento de Agricultura, Pesca e Silvicultura. Isso foi 4.860 cabeças acima de junho, mas 37 por cento abaixo da média de cinco anos para julho.

As exportações para a Indonésia totalizaram apenas 18.150 cabeças, abaixo das 25.730 cabeças exportadas no mês passado, e quase 60% abaixo da média de cinco anos de julho. As exportações para o Vietnã aumentaram de 7.828 cabeças em junho para 13.880 em julho, enquanto as exportações de gado leiteiro e reprodutor para a China aumentaram de 8.662 em junho para 15.006 em julho. Os importadores indonésios têm relutado em importar gado australiano enquanto a ameaça da febre aftosa espreita e eles continuam incapazes de acessar as vacinas exigidas.”

Claro está, portanto, que a movimentação de gado vivo pelo mundo faz parte do comércio global. Nem poderia ser diferente. Isso porque, reitero, a venda e a compra de gado vivo entre exportadores e importadores é uma atividade lícita, que segue normas internacionais. Países que têm a pecuária como um segmento importante de suas economias não negociam apenas carne para os demais mercados. Também forneceram gado vivo, seja para a reprodução ou para a indústria de transformação. Enfim, para alimentar suas populações.

Outro aspecto desconhecido pelos ativistas é que o Brasil se tornou detentor do maior rebanho comercial do planeta graças à competência dos pecuaristas nacionais e, no passado, à importação de bovinos vivos da Índia. O argumento que a ONG internacional que encabeça toda a campanha contra o setor de exportação de gado vivo é o bem-estar animal. Para tanto, chegou a ajuizar ações no Judiciário, buscando a proibição da atividade.

O atrevimento da OGN internacional é tão grande que ignora o trabalho do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na promoção e fiscalização do bem-estar animal em nosso país. Desconhece propositalmente que a pecuária e as exportações de bovinos seguem integralmente as recomendações da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). Esquece ainda que o diretor da DSA (Diretoria de Saúde Animal) é o delegado da OIE no Brasil e acompanha com sua equipe a obediência das regras de bem-estar animal.

Finalmente a tal ONG e seus seguidores não perceberam que o bovino é um animal de produção e faz parte do patrimônio dos pecuaristas. Já em relação à exportação de bovinos, demonstram uma insanidade absurda ao imaginar que os países compradores aceitariam animais doentes ou maltratados. É bom lembrar que a exportação de bovinos vivos é uma das atividades mais fiscalizadas no mundo. E, no caso do Brasil, representa a sanidade do nosso rebanho no resto do planeta.

*Consultor em Agronegócio

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

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