Sempre aos domingos: Gal Costa, a cantora frajola da Bahia
Tito Matos*
Calou-se para sempre, esta semana, uma das maiores vozes da música popular brasileira. Despediu-se de nós a nossa amada Gal Costa. Ela era tão talentosa quanto humana. Gal foi parte de nossa vida e de milhões de brasileiros, seus fãs, que muito curtiram sua voz, suas canções, seu encanto. Ela tinha o dom de nos encantar. Foi gratificante, foi lindo ouvi-la durante tantos anos.
Para muitos críticos, que entendem de música, esta baiana foi a maior cantora do Brasil. No palco, ela foi esplendorosa. Ouvi-la, um deleite. Afinal, ela era uma diva, faceira, frajola. Cantou e encantou por este Brasil adentro e por este mundo afora, com uma infinidade de sucessos por mais de 50 anos de carreira. Seu prestígio rompeu nossas fronteiras. Apresentou-se pela Europa e pelos Estados Unidos inúmeras vezes ao lado de músicos consagrados como Tom Jobim.
Em Salvador, onde nasceu, a menina Maria da Graça Costa Pena Burgos, seu nome de batismo, aos 12 anos de idade, conheceu seu grande ídolo João Gilberto, um dos idealizadores do movimento musical conhecido como Bossa Nova. Ao lado do amigo Caetano Veloso, Gal Costa cantou para João Gilberto, que profetizou: “Você será a maior cantora do Brasil. Ela acreditou. E se tornou mesmo a maior cantora do Brasil. Seu primeiro disco, com o título de Domingo, foi lançado em 1967. A partir daí, ninguém segurou mais esta baiana.
Ela explodiu no Festival da Música Popular Brasileira de 1968 ao dar voz à canção Divino Maravilhoso, de Caetano Veloso. Tornou-se, então, a musa do Tropicalismo que todos conhecem e admiram até os dias de hoje. No período militar, quando os seus conterrâneos Gilberto Gil e Caetano Veloso estavam no exílio, em Londres, ela segurou a barra e se tornou a voz deles aqui no Brasil. Sem dúvida, seu talento e sua ousadia enriqueceram e renovaram a nossa cultura política e musical. Fica agora a saudade, eterna saudade.
*Jornalista

