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Mulheres, a esperança do novo ano

Gil Reis*

Enquanto o tempo segue inexorável, os homens não perdem a esperança e fazem promessas de mudança na doce ilusão que podem mudar o tempo e a si mesmos. As promessas são muitas, e a esperança é enorme. Diante de um novo ano, a humanidade continua em um grande ‘cabo de guerra’, onde alguns desejam mudar as coisas e outros que tudo continue como está. Quem vencerá? Sinceramente não sei, mas uma coisa é certa: se todos não se irmanarem em busca de um mesmo objetivo, todos perderão.

Naturalmente, no alvorecer de um novo ano, devemos esquecer os pensamentos sombrios e ser otimistas, apesar de todos os percalços que podem advir. O jornalista Ciro Porto traz em crônica, publicada em 30/12/2016 no site do G1, uma mensagem especial para o Ano Novo: “É possível mudar, e claro, aprender com o comportamento das aves”.

“MUDAS, MUDANÇAS E REFORMAS PROFUNDAS

Na passagem de ano, desejamos vida nova e realizações. No mundo das aves, o ano novo ocorre antes, na primavera. Pouco antes do início da estação, as aves passam pela fase de muda de penas e ficam mais bonitas. Creio de podemos seguir o exemplo das aves em nosso ano novo, trocando nossas penas a começar pela “pena de mim”, sentimento que todos temos quando nos sentimos injustiçados ou preteridos, ou quando acreditamos que o que fazemos não tem importância.

Quase sempre trabalhamos buscando o sustento sem nos darmos conta que a nossa labuta também contribui para a coletividade. Da mesma forma que um beija-flor ao se alimentar do néctar das flores não percebe que ajuda as plantas a se reproduzir. Quantas vezes nos infligimos penas, punições que acreditamos estar condenados por não nos julgarmos merecedores de uma vida melhor, ou ainda por sermos influenciados por tantas notícias negativas. Acreditar nisso é uma pena severa demais que podemos e devemos trocar.

Penso que também podemos visitar o nosso interior, o profundo de nossos corações. Lá dentro vamos encontrar outros sentimentos de pena, mágoas, desgostos e tristezas que também podemos trocar. Sejamos como as aves capazes de sacudir as penas e recomeçar sem rancores.

Com a pena em punho, escrevemos o livro de nossas vidas e temos o direito de escolher escrever a verdade ou rascunhar a mentira. Basta largar o que não serve, o que atrapalha, o que não precisa ser carregado. Nós observadores de aves, admiramos o voo, mas só conseguimos voar quando sonhamos e, para sonhar, precisamos estar leves. Ao voar em um sonho, os riscos são maiores, mas basta mudar a direção do voo e escolher um outro rumo diante do amplo horizonte.

Se você trocar as suas penas vai se sentir não só mais leve, mas também mais alegre, com mais entusiasmo em viver e, por que não dizer, em servir. Assim como as aves, você terá criado, ou melhor, terá encontrado um novo ser, o verdadeiro ser. Só assim o ano novo será de fato, novo. E tenha a certeza, vale a pena.”

Vejam bem: a crônica do jornalista Ciro Porto foi escrita no alvorecer de 2017 e os conselhos são bem atuais, mais uma prova que os homens raramente mudam. Vai aqui um conselho adicional: evitemos infligir ‘penas’ a quem não merece. No meu otimismo imbatível, não tenho grandes esperanças na mudança dos homens, mas sim no seu caráter. Alguns dirão que se trata de esperança vã, entretanto, como já disse antes, sou um otimista. Depois ter vivido 76 anos, ainda mantenho a fé na mudança de caráter dos homens. Alguns podem, inclusive, contar com o auxílio de suas parceiras de vida para melhorem.

Estudando a história do nosso planetinha, cheguei à conclusão que nada mudou. O aquecimento e o resfriamento global sempre foram uma constante. As alterações climáticas sempre ocorreram, os vulcões, em maior ou menor escala, continuam a entrar em erupção, os terremotos seguem causando medo, destruição e mortes, assim como os tsunamis, as secas, alagamentos e todas as tragédias inerentes. Tudo sem precisar de auxílio da humanidade. O que se pode constatar é que os homens, apoiados por suas parceiras, são resilientes e têm sobrevivido a todas as desgraças e continuarão a sobreviver.

A grande mudança que pude testemunhar foi no mundo rural brasileiro, que, com a grande revolução da agricultura tropical neste nosso país que era esquecido pelos poderosos, tem mudado o ‘caminhar da humanidade’. Que se lixem os detratores! O Brasil deixou, no final do século passado, de ser um mero coadjuvante que implorava e importava alimentos para alimentar o seu sofrido povo e transformou-se em um protagonista alimentando parte deste nosso mundo carente. O nosso mundo rural não parou e continua crescendo, surpreendendo a todos com a introdução das novas tecnologias e conectividade. E com enorme e decisiva contribuição das mulheres.

Neste próximo ano, vou continuar lutando para que possamos derrotar os que tentam impedir um novo salto evolutivo da humanidade. Concentro as minhas esperanças em um futuro melhor no nosso mundo rural e nas mulheres, brigando muito para evitar uma volta ao passado. Alguns perguntarão por que as mulheres? É simples: o Brasil tem convivido com duas revoluções – a da agricultura tropical e a da mudança do comportamento feminino, ocupando espaços que anteriormente eram exclusivamente masculinos. As mulheres, para as quais rendo todas as minhas homenagens e esperanças, têm trabalhado silenciosamente, com poucos reconhecimentos sinceros, e nos ajudado a construir um futuro melhor, não apenas no mundo rural.

Alguns dirão que sou corajoso por destacar, ouvir, promover e reconhecer a participação das mulheres na construção do nosso mundo. Elas me ensinaram tudo o que sei, ajudaram a construir o meu caráter, como ser homem com H maiúsculo e, quando chegamos a uma idade avançada, cuidam de nós. Apesar da advertência de William Shakespeare, continuam a nos amar: “Não suspireis mais, caras damas, não suspireis, os homens sempre foram traidores”.

Feliz ano da graça de 2023 para todos.

*Consultor em Agronegócio

 

 

 

 

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