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Contrassenso

Gil Reis*

Não pretendo me alongar ou ofender a inteligência dos leitores. Pretendo apenas avivar a memória de cada um para operações matemáticas básicas e espicaçar uma coisa que não está muito em moda: o raciocínio. Volto a abordar o comportamento absolutista de alguns governantes dos países do velho continente que não percebem as dificuldades de seus povos, até por desconhecê-las, que foram contaminados por teorias malucas de que os seres humanos são ‘terricidas’, assassinos do planeta.

Tais governantes não entenderam que foram eleitos para dar vida condigna e prosperidade aos seus povos. Continuam com a ideia errônea de que possuem poderes imperiais, o que não é verdade, já que o mandato é uma procuração para beneficiar seus povos. Seguem achando que o governo pode resolver sozinho os problemas sem lembrar que governos apenas ditam políticas públicas e arrecadam os impostos em nome do povo para ser empregados em benefício do povo.

Novamente repetindo o que venho escrevendo há muito: quem gera empregos e distribui riquezas são as empresas privadas. A melhor forma de resolver todos os problemas de um país é investir nas empresas privadas para que gerem mais empregos e distribuam mais riquezas. O caminho mais curto para criar uma população saudável, feliz, onde os jovens aprendam mais nas escolas e haja mais segurança, é facilitando o acesso aos alimentos. Não se facilita o acesso aos alimentos taxando e encarecendo a carga tributária da agropecuária.

Voltando ao novo continente e mais especificamente ao nosso Brasil, tenho assistido perplexos alguns governadores taxarem a agropecuária sob os mais diversos pretextos, nenhum deles relevantes o suficiente para excluir as populações mais carentes do acesso aos alimentos. A matemática é simples: os produtores rurais não têm condições de absorver mais esse custo e repassam para os consumidores, que encontrarão os alimentos mais caros. Um contrassenso maligno por parte de alguém que foi eleito para melhorar a vida de todos.

Outros querem extinguir os subsídios, benefícios fiscais e reduzir os investimentos, todos usados no mundo inteiro. Tudo em consequência de um orçamento malfeito que confunde investimentos, subsídios e benefícios fiscais com despesas. Caso alguém duvide que o orçamento é malfeito basta examinar para onde vão os impostos arrecadados, a maior para o sustento da máquina pública e não para os seus objetivos. Pelo que tenho observado desse jeito a ‘banda não toca’.

O Brasil se tornou, ao longo dos anos, um país difícil e perigoso para os empreendedores e investidores privados. Ser empresário no nosso país é um desafio constante: além de uma tributação escorchante e desencorajante, surgem alguns que pretendem taxar as grandes fortunas, ou seja, taxar o sucesso. Engana-se quem acha que as grandes fortunas foram adquiridas por meios ilícitos ou fraudulentos. É claro que existem, sim, todavia a grande maioria foi conquistada com muito trabalho, inteligência e pagando toda a carga tributária existente.

Apesar de alguns não gostarem de certas situações e discursos contra as empresas privadas e empresários, recorro à socióloga russa Ayn Rand, cujas obras mudaram o relacionamento entre as empresas americanas e o governo dos EUA. Cito um trecho do depoimento de um empresário no livro “A Revolta de Atlas”:

“Recuso-me a aceitar como crime minha própria existência e o fato de eu ter que trabalhar para meu sustento. Recuso-me a me sentir culpado porque trabalho melhor do que a maioria das pessoas – porque meu trabalho vale mais do que o de meus semelhantes e mais pessoas estão dispostas a me pagar. Recuso-me a pedir desculpa por ser mais capaz – não aceito pedir desculpa por ter tido sucesso –, me recuso a pedir desculpas por ter dinheiro. Se isso é mau, aproveitem. Se é isso que o público considera prejudicial a seus interesses, então que me destrua. É esse o meu código de valores – e não aceito outro.”

O depoimento transcrito trata exatamente da tentativa de criminalizar o sucesso e o fato de um homem de bem ter amealhado uma grande fortuna trabalhando. É preciso entender que prejudicar e sobretaxar empresas e empresários leva à redução dos investimentos, impedindo o crescimento da organização, via de consequência, a criação de novos empregos e, algumas vezes, o desenvolvimento de um país. Ao contrário: pode ocorrer a redução do crescimento de uma empresa, demissões e o desencorajamento para o surgimento de novas empresas.

É muito difícil levar o conhecimento e a aceitação de como funciona o mercado e o capitalismo a pessoas que não conhecem. Talvez fosse necessário convidar tais pessoas, que sabem tudo, a iniciar uma empresa e enfrentar a burocracia e a carga tributária escorchante. Aí sim poderiam falar a respeito. Nem quero enveredar pelas propostas de reformas tributárias existentes, querendo fazer tais reformas sem saber quais as necessidades financeiras do Estado para sustentar a máquina pública, sem realizar uma reforma administrativa.

Aos sabichões vai a repetição do que disse Stephen Hawking: “O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão do conhecimento.”

*Consultor em Agronegócio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AGROemDIA

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