Agropecuária

Caso de “vaca louca” no Pará: Não há risco para o consumo de carne, diz ministro

Ministro Carlos Fávaro (Agricultura) – Foto: -Wilson Dias/Agência Brasil

Do Broadcast

Após a confirmação de um caso de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) – doença popularmente conhecida como “mal da vaca louca” – em um bovino de 9 anos no Pará, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou com exclusividade ao Broadcast Agro que a situação não é motivo de preocupação para a população. “As pessoas não precisam ter medo de consumir carne bovina, porque a tendência, pelas características do animal (suspeito), é a de que seja um caso atípico (ou seja, que surge de forma espontânea no organismo do animal, sem risco de disseminação no rebanho nem ao ser humano)”, explicou. “Não é contagioso, não se contamina pelo consumo humano da carne, (o caso) foi em uma propriedade pequena, sem consumo de ração (que poderia trazer risco de contaminação externa para o animal), e não foi ao frigorífico (para abate)”, prosseguiu. “A população pode ter certeza de que não corre nenhum tipo de risco de consumir carne bovina no país e no mundo.”

“Fazendo uma analogia, se o caso de EEB for atípico, é como se fosse uma doença própria do envelhecimento de alguns indivíduos bovinos. É uma degeneração (natural) do sistema cerebral do animal”, explicou. O ministro destacou que o caso foi identificado em uma pequena propriedade do Pará, onde são criados cerca de 60 bovinos e onde 120 animais nasceram. O bovino, criado a pasto, sem ração, foi abatido e sua carcaça incinerada no próprio local.

Segundo Fávaro, a partir da divulgação da suspeita do caso, na segunda-feira (20), todos os procedimentos técnicos foram seguidos pelo Ministério da Agricultura. Ele garantiu que a pasta seguirá cumprindo os protocolos necessários.

De acordo com o ministro, o caso foi detectado pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará). O teste para raiva deu negativo e a amostra foi levada a um laboratório de Pernambuco (referência na área), que confirmou a EEB. Agora, a amostra será encaminhada para um laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (Omas) em Alberta, no Canadá, onde será confirmado se o caso é típico ou atípico. “O processo está bem avançado para despacharmos a amostra para o Canadá. Está em fase final de documentação e queremos que ela chegue lá amanhã ou, no máximo, na sexta-feira. Estando no Canadá, com bastante diplomacia e reciprocidade, em dois a três dias, eles fazem a análise e confirmam a tipificação, se é clássica ou atípica”, disse o ministro.

O ministério já comunicou a identificação da doença tanto à Omas quanto à Administração Geral de Alfândegas da China (Gacc, na sigla em inglês), segundo Fávaro. A Gacc é o órgão chinês responsável pela habilitação de plantas frigoríficas para que sejam liberadas a exportar proteína animal para o gigante asiático, além de ser responsável pelo controle sanitário dos produtos agropecuários. “Desde ontem, o nosso embaixador na China já alertou à Gacc de que havia a suspeita e que assim que ficassem prontos os exames laboratoriais, o comunicado oficial seria feito. Assim nós fizemos. Neste processo, comprometimento com a transparência e com as ações protocolares é fundamental. Estamos rigorosamente cumprindo os protocolos”, defendeu.

A China é o principal destino das exportações de carne bovina brasileira, representando 70% dos embarques brasileiros. Um protocolo assinado pelos países em 2015 prevê o comunicado imediato da identificação da doença ao país asiático e a suspensão voluntária das exportações pelo Brasil.

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