Agropecuária

Expectativa é que Brasil retome logo as exportações de carne para a China

Da redação//AGROemDIA

Operadores do mercado de proteína animal esperam que o autoembargo do Brasil às exportações de carne bovina para a China, devido a um caso atípico da doença do “mal da vaca louca” (encefalopatia espongiforme bovina) detectado no Pará, dure menos do que o de 2021, evitando maiores prejuízos ao setor. A expectativa da cadeia produtiva deve-se à rapidez do governo federal em proibir os embarques do produto ao país asiático e em notificar o caso à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Em 2021, o bloqueio dos envios de carne bovina à China durou mais de três meses, com imensos prejuízos ao setor, em consequência de dois casos atípicos de “vaca louca”: um em Mato Grosso e outro em Minas Gerais. Os mais prejudicados foram os confinadores que tinham gado na engorda intensiva. Eles tiveram resultados ruins, já que o animal confinado não volta ao pasto, nem espera a melhora do mercado para ser vendido. À época, a demora na retomada das vendas foi atribuída ao atraso do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em notificar o caso.

Havia também outro motivo para a demora chinesa em liberar as importações de carne bovina do Brasil, embora isso jamais tenha sido mencionado oficialmente: a relação pouco amigável com o governo Jair Bolsonaro. Quando surgiu a pandemia de covid-19, o então presidente engrossou o coro dos que responsabilizaram a China pelo aparecimento do vírus e ainda contestou a eficácia da Coronavac, a vacina chinesa. Isso sem falar nas críticas ao regime político chinês.

O cenário agora é outro. Além da agilidade do ministro Carlos Fávaro (Agricultura e Abastecimento) em notificar o caso à OIE e em impor o autoembargo aos embarques de carne bovina à China, como prevê o protocolo sanitário entre os dois países, a diplomacia do governo Lula segue diretrizes mais proativas e construtivas, buscando devolver ao Brasil o protagonismo no contexto internacional, tanto na política global quanto nas relações comerciais bi e multilaterais.

Governo do Pará também agiu rápido

A exemplo do governo federal, o Pará também agiu rápido. O governador paraense, Élder Barbalho, está em contato permanente com o Mapa e adotou imediatamente as medidas exigidas nestas situações. Ainda na quarta-feira (22), a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) confirmou o caso. Acrescentou que o bovino, de 9 anos, havia sido sacrificado, e a propriedade, em Marabá, inspecionada e interditada.

No comunicado, a Adepará informou ainda que a sintomatologia indica que se trata da forma atípica da doença, que surge espontaneamente na natureza (em animais velhos), não causando risco de disseminação ao rebanho e ao ser humano. “Para confirmar esta situação de isolamento e controle, amostras foram enviados para laboratório no Canadá para tipificação do agente, se clássica ou atípica.”

Diante disso, a cadeia produtiva da bovinocultura acredita que a situação possa ser resolvida o mais rápido possível. O setor espera que o laboratório canadense faça logo os exames nas amostrar enviadas, ratificando o caso atípico da doença. Isso, espera o setor pecuária, deve contribuir para que a China agilize os procedimentos de avaliação do caso e retome em seguida as compras da carne brasileira.

Se for confirmado um caso atípico do “mal da vaca louca”, o Brasil manterá o status sanitário de risco insignificante para doença, o que deve pesar na decisão chinesa. A China é hoje a principal compradora de carne bovina do Brasil. Em janeiro deste ano, 57% das exportações brasileiras foram para o país asiático, que tem no mercado nacional um dos seus grandes fornecedores. Logo, a rápida retomado do fluxo comercial interessa a ambos os países.

 

 

 

   

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