Liberado cultivo e comercialização de trigo transgênico no Brasil

O colegiado da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou o cultivo e a comercialização no Brasil de trigo geneticamente modificado, informa o Broadcast.
Desde novembro de 2021, a comercialização e importação da farinha proveniente do trigo transgênico já estavam autorizadas no país, o que foi ampliado agora.
Com a medida, assinala o Broadcast, a CTNbio considera que o cereal transgênico não apresenta risco à saúde humana ou ambiental.
“A variedade HB4 apresenta maior tolerância a estresse ambiental, especialmente em regiões com restrição hídrica, caso do Cerrado brasileiro”, diz o Broacast.
O pedido para cultivo e comercialização de trigo transgênico no país foi protocolado pela empresa de biotecnologia Tropical Melhoramento e Genética (TMG) junto à CTNBio em processo em 18 de novembro de 2022.
A TMG representa a argentina de biotecnologia Bioceres, detentora da cultivar neste processo. A variedade do cereal geneticamente modificado HB4 foi aprovada para cultivo na Argentina em outubro de 2020.
Abimapi
A aprovação da liberação do cultivo e da comercialização do trigo transgênico ocorreu em reunião realizada no último dia 2.
Para a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), de acordo com o Broadcast, a medida pode permitir expansão da área plantada com o cereal:
“Teremos um trigo mais resistente à seca. Com isso, o produtor pode ganhar novas áreas de cultivo, e o Brasil ampliar o volume colhido. Consequentemente, em dois a quatro anos, o país poderá ser autossuficiente na produção do cereal e aumentar suas exportações, se tivermos boas safras”, destaca o presidente executivo da Abimapi, Claudio Zanão.
Abitrigo
A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) também considera positiva a liberação do cultivo e comercialização do trigo transgênico. Conforme a entidade, a decisão evita o risco de “conflitos regulatórios” entre a liberação da farinha proveniente de cereal OGM e o próprio grão.
“Restou no Brasil um risco operacional entre a aprovação da farinha e a proibição de utilização do trigo transgênico (variedade HB4), vindo a trazer risco de conflitos regulatórios, tendo a Argentina produzido grande quantidade de trigo OGM (HB4) que pudesse chegar ao Brasil e sua entrada no País impedida pelos órgãos de controle. A aprovação do plantio, da importação e da comercialização em território nacional do trigo transgênico (HB4) pela CTNBio resolve esta questão, trazendo tranquilidade aos diferentes atores do mercado”, disse o presidente executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, em nota.
Barbosa destacou que, após mais de um ano da aprovação da importação de farinha de trigo transgênico, não ocorreram manifestações contrárias ao produto. “Pesquisas realizadas no período deram sinais de que os consumidores brasileiros não se opunham ao uso de transgênicos. Além disso, alguns países autorizaram o uso da tecnologia e vários outros passaram a reavaliar o tema”, afirmou na nota.
Inicialmente, ao longo das discussões sobre o aval para uso de farinha transgênico no Brasil em 2020 e 2021, a Abitrigo, juntamente com demais indústrias do setor de derivados de trigo, eram contrárias ao uso e à comercialização do produto no País. Após pesquisa com consumidores, a entidade reviu sua posição. Na nota, Barbosa explicou que a entidade sempre considerou a CTNBio “competente” para se manifestar sobre os aspectos técnicos relacionados aos transgênicos, incluindo a saúde dos consumidores. De acordo com o presidente executivo da associação, as opiniões da indústria moageira se limitaram sobre eventuais impactos “mercadológicos” da aprovação. “Que garantisse a adequação da tecnologia aos interesses e entendimento dos consumidores, uma vez que não existiam informações mais precisas sobre este assunto. Sobre o aspecto tecnológico, a Abitrigo foi e continua sendo favorável aos desenvolvimentos de inovação que venham trazer benefícios à saúde e à segurança alimentar dos brasileiros. A palavra final ficará com os consumidores”, enfatizou Barbosa.

