“Desconvite” da insensatez

Tito Matos*
Editorial desse sábado (29) do tradicional jornal O Estado de S. Paulo tece contundentes críticas à atitude atabalhoada da direção da Agrishow, de Ribeirão Preto (SP), de “desconvidar” o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, para não comparecer ao evento.
Segundo o editorial, é surpreendente que a edição deste ano da maior feira de tecnologia agrícola do Brasil, a Agrishow, esteja prestes a produzir uma cena que não deveria interessar a ninguém: a ausência de representantes do governo federal na cerimônia de abertura.
Carlos Fávaro era presença confirmada, assim como estava prevista também a visita do vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alkimin, que, como governador, sempre deu total apoio à Agrishow.
Ridícula foi a justificativa para “desconvidar” o titular da Agricultura: o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria presente. Trocar a participação do atuante ministro da Agricultura por um ex-presidente derrotado não há justificativa que convença ao mais humilde dos agricultores.
O que o derrotado Bolsonaro tinha de importante a dizer para o distinto público da Agrishow? Carlos Fávaro tinha muito o que dizer: anunciaria a concessão de recursos suplementares acima de R$ 1 bilhão para equalização de crédito para o Plano Safra 2022/23.
Percebe-se por aí o nítido viés ideológico que se conduziu este ano a Agrishow. Em assim sendo, melhor que não tivera uma vexatória abertura deste “político” evento que os dirigentes bolsonaristas o transformou, lamentavelmente.
Para o editorial do Estadão, “o bolsonarismo não consegue conversar com quem não segue sua cartilha. Em vez disso, queima pontes e encara os adversários como inimigos. Uma triste lição que ficou evidente nos últimos quatro anos, com efeitos deletérios nas mais diversas áreas.”
— Resta lamentar que tal atitude possa seduzir representantes do agronegócio – destaca o texto do jornal.
O editorial do Estadão, que sempre esteve ao lado do setor produtivo rural, lamenta o procedimento da direção da Agrishow. Eis a conclusão do editorial:
“O “desconvite” ao ministro da Agricultura, lamentavelmente, caminha em outra direção. Fiel retrato dos estragos que o bolsonarismo é capaz de provocar, será a quebra de uma tradição, que não reflete a modernidade e a pujança do agronegócio brasileiro”.
A tradição foi quebrada, infelizmente.
*Jornalista, ex-assessor de imprensa do Ministério da Agricultura e Pecuária, do Conab e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA)
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

