A extinção do gado

Gil Reis*
É impressionante a ignorância, proposital, da história da evolução e da sobrevivência da humanidade em nome da cobiça. Os ativistas climáticos, muito bem alimentados pelos bilionários recursos financeiros de corporações gigantes, trabalham para extinguir uma espécie – a bovina. O mundo tornou-se um palco de horrores comandado por ignorantes, propositais, movidos pela cobiça. Os seres humanos, o planeta, o meio ambiente, as alterações climáticas de sempre, em maior ou menor escala, e o aquecimento global não valem ‘um tostão de mel coado’. O que vale realmente são os ganhos auferidos pelos financiadores do terrorismo climático.
Sei que não é fácil acreditar em um mero ‘escriba’ amazônico, e a maioria prefere acreditar no que escrevem articulista internacionais. Vejamos o que diz Peter Murphy, que já teve artigos veiculados em vários meios de comunicação, incluindo The Hill, New York Post, Washington Times e Wall Street Journal, em uma publicação datada de 19 de maio deste ano no site CFACT – “Onde está o bife?”. Transcrevo trechos:
“O esforço para ‘descarbonizar’ ou para alcançar emissões de carbono ‘líquidas zero’ tem levado a políticas deliberadas para reduzir o consumo de energia de combustíveis fósseis, ou seja, petróleo, gás natural e carvão. Está também a levar a políticas de redução do gado, nomeadamente do gado bovino, uma vez que emite metano e gás azoto, essencial para a produção de fertilizantes para a agricultura e produção alimentar.
O complexo industrial climático composto por organizações não-governamentais, as Nações Unidas, a administração Biden, cientistas financiados pelo governo, ativistas e bilionários que sinalizam virtudes são implacáveis em exercer poder e controlar a população global, especialmente nos Estados Unidos.
A lógica dos ativistas climáticos é a seguinte: proibir a carne bovina significa menos vacas, portanto menos metano, menos aquecimento e salvamos o planeta. Quem sabia que churrascos no quintal e hambúrgueres de fast-food colocam o planeta em perigo? Restringir o consumo de energia e carne bovina significa que o custo de ambos aumentará a ponto de ser inacessível para todos, exceto para os ricos. Nos EUA, a inflação de alimentos superou consistentemente a inflação geral por mais de um ano. Por exemplo, nos 12 meses encerrados em fevereiro, a inflação saltou 6%, enquanto os alimentos aumentaram em geral 9,5% [atualização – tendência continuada em abril].
Um estudo do University College, de Londres, publicado em 2022, alertou que menos combustível fóssil também significa extrair menos ácido sulfúrico dessas fontes de energia. O ácido sulfúrico é essencial para a produção de fertilizantes fosfatados que mantêm o suprimento global de alimentos. A restrição desse ingrediente levará a uma menor produção e escassez de alimentos. Menos vacas, menos fertilizantes e energia não confiável levarão à escassez de alimentos e preços mais altos. De fato, essas políticas climáticas são uma receita para desnutrição, fome e revolução.
O Sri Lanka proibiu o uso de fertilizantes e pesticidas sintéticos, o que resultou em uma grande queda na produção de arroz e chá em 2022, duas das principais exportações daquele país. Só o arroz é um alimento básico no Sri Lanka, que acabou tendo que importar o produto. A proibição dos fertilizantes exacerbou muito os problemas econômicos subjacentes que levaram a tumultos, um estado de emergência e a queda do governo daquele país em julho passado.
Na Holanda, desde pelo menos 2019, as políticas climáticas causaram reviravoltas no setor agrícola, que é o segundo maior exportador mundial de carne bovina. Para cumprir as regras da Comissão Europeia para emissões mais baixas, o governo holandês propôs cortar as emissões de seu setor agrícola pela metade até 2030, menos vacas produtoras de carne. Incapazes de pagar o uso de fertilizantes nitrogenados e reduzir o gado, os fazendeiros holandeses se rebelaram. Em 2019, eles também criaram um novo partido político, o Movimento Agricultor-Cidadão, que venceu várias eleições provinciais que determinam a composição do Senado da Holanda.
O Fórum Econômico Mundial promoveu o consumo de insetos, que afirma ser uma ‘categoria desconhecida de proteína sustentável e nutritiva’ e que ‘os insetos requerem menos cuidado e manutenção do que o gado [e] impactam positivamente as mudanças climáticas’. Ainda assim, na reunião anual do WEC em janeiro passado em Davos, na Suíça, com a presença de muitas das elites políticas e financeiras do mundo, eu não havia notado que insetos estavam no cardápio.
O obcecado pelo clima Bill Gates acredita que as nações desenvolvidas devem se converter à carne sintética. Ele tem colocado constantemente seus bilhões de dólares para trabalhar para se tornar o maior proprietário privado de terras agrícolas nos EUA e é um investidor em empresas de proteínas à base de plantas, Beyond Meat e Impossible Foods. Tudo isso é projetado para reduzir e, finalmente, eliminar a agricultura e a pecuária que produzem carne e laticínios para uma dieta rica em proteínas equilibrada e agradável para os americanos e o mundo.
Desde o século XIX, o Brasil sempre se preocupou com as florestas e tem legislação abundante contra a poluição atmosférica”
Os fundadores dessas empresas em 2019 fizeram a afirmação histérica e egoísta de que ‘o impacto destrutivo da pecuária em nosso meio ambiente excede em muito o de qualquer outra tecnologia na Terra; não há caminho para atingir os objetivos climáticos de Paris sem uma redução maciça na escala da pecuária’. Reduzir as emissões de carbono reduzindo o uso de energia de combustíveis fósseis e o consumo de carne é tudo sobre o ano de 2050, que se destaca como o mais recente de muitos marcos climáticos arbitrários estabelecidos pelos burocratas da ONU.
Durante este período iminente, mas distante o suficiente, dizem-nos que a comunidade global deve alcançar emissões líquidas zero de carbono para evitar que a temperatura média global suba mais de 1,5 graus – ou então … o quê? Ninguém pode dizer honestamente, já que o número é mais político do que baseado na ciência. Também ninguém pode prever com precisão se a temperatura aumentará devido às emissões de carbono mais altas. De fato, algumas indicações sugerem que a temperatura média global pode esfriar.
As emissões globais de carbono aumentaram constantemente nos últimos 100 anos (e mais), de acordo com dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica. No entanto, a temperatura média do planeta flutuou por toda parte, enquanto aqueceu ligeiramente durante esse período. Apesar das previsões de tantos charlatães do clima, as calotas polares permanecem, os ursos polares proliferaram e as pessoas ricas ainda possuem e constroem propriedades à beira-mar. Além disso, os períodos de aquecimento são influenciados por causas naturais além das emissões de carbono e metano, incluindo temperatura e correntes oceânicas e atividade de manchas solares. Na realidade, ao longo de milênios, os níveis de CO2 na atmosfera não têm correlação histórica com a temperatura global.
Enquanto políticos, bilionários, celebridades e seus estenógrafos de mídia nos alertam sobre o risco planetário e o dia do juízo final no futuro, eles reforçam seus meios de controle social e alimentam sua auto importância.”
Não pretendo me alongar sobre o assunto. Ceio que o artigo de Peter Murphy é suficiente para que um leitor de bom senso reflita. Todavia, sempre é bom lembrar que o ambientalismo e as políticas ambientalistas que começam a ser adotadas em nosso país são importadas. O Brasil, muito antes do ambientalismo, desde o século XIX, sempre se preocupou com as florestas e tem legislação abundante contra a poluição atmosférica.
“A ideia delirante dos alarmistas climáticos de controlar o clima da Terra significa controlar os habitantes da Terra, incluindo que tipo de energia podemos usar e o que podemos comer” – Peter Murphy
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

