Dez bilhões de humanos em 2057

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Waldir Leite Roque, professor titular da UFPB

Waldir Leite Roque/ Prof. Titular – UFPB

A taxa de natalidade mundial vem caindo ano a ano. O seu pico ocorreu no final dos anos 1960, quando atingiu 2% e, atualmente, está em 1,07% o crescimento populacional anual, o que para 2019 estima-se um acréscimo de cerca de 82 milhões de habitantes no planeta Terra e isso corresponde a agregarmos a população de uma Alemanha.

A melhoria na qualidade de vida proporciona um aumento da longevidade, o que tem feito a taxa de mortalidade diminiur. Com isso, o balanço entre nascimento e morte é positivo, levando a um crescimento da população mundial ainda por vários anos, a menos que uma grande catástrofe aconteça. Em 2019, este balanço vai superar os 51 milhões de novos terráqueos.

Até os anos 1820, aproximadamente 94% da população mundial vivia em extrema pobreza, já em 1981 baixou para 44% e, atualmente, apenas algumas décadas depois, este percentual caiu para algo em torno de 10%. As transformações tecnológicas, econômicas e sociais são as responsáveis por esse avanço na qualidade de vida.

É da natureza humana buscar ampliar cada vez mais o seu bem-estar. Por isso, a demanda da população por bens e serviços vem crescendo e isso significa que é preciso produzir muito mais alimentos, energia, bens duráveis, entre outras necessidades. Como consequência, a capacidade da Terra em fornecer as matérias-primas vai exaurindo e as modificações provocadas pelo próprio homem no meio ambiente vão fazendo com que o planeta modifique seu comportamento climático. Não se pode querer culpar apenas os combustíveis fósseis pelo aquecimento global; sabemos que há muitos outros processos e componentes químicos que afetam sobremaneira a atmosfera, ampliando o efeito estufa.

Pensando apenas na demanda por mais oferta de alimentos para uma população mundial crescente e com maior longevidade, com projeção para alcançar 10 bilhões por volta de 2057, o grande esfoço será produzir proteínas em larga escala. Projeções da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que a demanda por produtos da pecuária aumentará 70% até 2050. Ainda, segundo a ONU, a pecuária mundial é responsável por emitir cerca de 7,1 toneladas de carbono equivalente por ano, isso significa 15% de todas as emissões induzidas pelo homem, anualmente.

Desta forma, o esforço para a produção de proteínas em larga escala aponta para que sejam advindas de vegetais, já que a demanda por proteína animal está contribuindo para as alterações climáticas, devido à amplicação de áreas de pastagens, maior consumo de água e pela liberação de alto percentual de gases do efeito estufa.

Para a produção de proteína animal em larga escala, com mitigação dos efeitos nocivos ao meio ambiente, há necessidade urgente de uma grande mudança no manejo e no sistema de produção. Na criação de gado, estudos mostram que é preciso modificar o tipo da ração atual para outra capaz de diminuir a produção de gás metano pelo gado. Outra prática, que no Brasil vem sendo adotada ainda de forma tímida, é passar a criação para o sistema integrado lavoura-pecuária-floresta (ILPF), mas tudo isso requer tempo e implica maior custo financeiro da produção.

Em geral, a tecnologia e o desenvolvimento de novos processos de produção estão buscando a sustentabilidade, mesmo assim as emissões de gases que ampliam o efeito estufa estão crescendo. Embora os combustíveis fósseis e os desmatamentos contribuam fortemente para o agravamento do efeito estufa, as novas tecnologias da comunicação e computação – universo que envole os smartphones, as redes de computadores e até os processos associados às criptomoedas, vêm, sistematicamente, aumentando a sua parcela de contribuição para o efeito estufa, estimando-se que em 2040 esta parcela alcance metade da contribuição gerada por todas as emissões mundias provocadas pelos meios de transporte.

A Terra tem sido generosa, mas não tem capacidade de oferecer indefinidamente recursos para um consumo cada vez maior e mais dependente de energia, para uma população que não para de crescer. É preciso encontrar um equilíbrio estável/sustentável entre o número de habitantes, a capacidade de oferta de recursos da Terra e as formas de produção e consumo de bens e serviços. Sem isso, os problemas ambientais se agravarão, desencadeando uma tsunami de problemas imagináveis e inimagináveis, afinal, 2057 não está tão longe assim.

 

 

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