Decisão do Copom de reduzir em 0,5% a taxa de juros reflete recuo da inflação

Ivanir José Bortot*
A redução de 0,5% da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central é uma indicação de que a inflação está cedendo diante de uma economia com sinais de enfraquecimento para 2024. As previsões de que o Produto Interno Bruto (PIB) do próximo ano será inferior ao atual faz parte das projeções dos técnicos do Ministério da Fazenda.
Como os efeitos potenciais da redução de juros para produzir impactos benéficos sobre o crescimento da economia levam cerca de seis meses, a medida vem na hora certa. Os efeitos imediatos desta queda de juros deve ocorrer na rolagem de parte da dívida do Tesouro Nacional no mercado e nos custos marginais de empréstimos e captação de recursos de empresas privadas.
O que surpreendeu parte dos agentes econômicos foi a intensidade da queda, primeira desde agosto de 2020. Muitas instituições financeiras que estavam compradas na hipótese de queda de 0,25% nos juros perderam dinheiro. Estas instituições apostavam que com novas queda os juros chegaram no final do ano em 12%. Hoje já há um consenso que com novas quedas em vista os juros fiquem abaixo de 11,75% em dezembro.
Há também outras implicações. Com este processo de queda de juros no Brasil, em um ambiente de aumento de juros nos Estados Unidos, poderá ocorrer uma fuga de capital mais volátil com reflexos sobre a desvalorização do real. O investidor tende aplicar seus recursos nos Estados Unidos. Um real mais fraco é ruim no combate à inflação, mas bom para o exportador. A procura por dólar no dia de hoje levou uma acentuada desvalorização do real.
No informe do Copom de trazer os juros para 13,25%, a autoridade monetária ressaltou o arrefecimento dos índices de inflação cheia ao consumidor e queda das expectativas de inflação para prazos mais longos. O Copom lembrou, no entanto, a importância de manter uma política monetária contracionista para o processo de reancoragem das expectativas e a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante. A autoridade monetária diz que indicadores recentes apontam um processo de desaceleração da atividade econômica que é verificável pelos dados setoriais mais recentes. O Copom abordou também a queda das expectativas de inflação para prazos mais longos, após decisão recente do Conselho Monetário Nacional sobre a meta para a inflação. O Colegiado avalia que a conjuntura atual é caracterizada por um processo desinflacionário mais lento e por uma reancoragem parcial das expectativas, o que ainda demanda serenidade. Caso esse cenário seja confirmado, o Copom, unanimemente, antevê redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avalia que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário.
*Jornalista formado pela UFRGS, com pós-graduação em jornalismo econômico pela Faculdade de Economia e Administração (FAE/PR), ex-editor-chefe Agência Brasil, ex-repórter e editor sênior da Gazeta Mercantil e ex-repórter da Folha de S.Paulo
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