Setor produtivo pede ao governo medidas para garantir preço mínimo do trigo

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pediram ao governo a realização de leilões de trigo para garantir pelo menos o preço mínimo do cereal.
O tema foi tratado em reunião, nessa quarta-feira (20), com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que sinalizou positivamente para a proposta, segundo relato do deputado federal Sergio Souza. “Tivemos a notícia que o governo vai aportar recursos para equalizar o preço mínimo para os produtores rurais”.
De acordo com o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, a ideia da proposta é realizar leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP). Esses mecanismos são utilizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em apoio à comercialização para garantir ao produtor o preço mínimo estabelecido para a cultura.
A ideia, completou Lucchi, é começar os leilões pelos três estados da Região Sul, que concentra a maior parte da produção do cereal no país, e depois estendê-los a outros estados.
Nos últimos três anos, o mercado de commodities enfrentou altas nos preços devido à pandemia da covid-19, à guerra na Ucrânia e ao clima adverso. O preço pago ao produtor de trigo alcançou seu pico de R$ 130,00 em 2022, motivando o produtor a aumentar em 11,8% a área plantada com o cereal.
Atualmente, a média parcial de setembro dos preços para a Região Sul é de R$ 54,00, redução de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto os custos de produção tiveram pequena redução, o que pode depreciar a margem do produtor.
Paralelamente, os preços mínimos fixados pela Conab para a safra 2023/24, do trigo da Classe Pão Tipo 1 PH 78, é de R$ 87,77 a saca de 60kg. Isso, pontuam a CNA e a OCB, mostram a necessidade de realização de leilões de PEP e Pepro para apoiar a comercialização do cereal como medida para reduzir as perdas enfrentadas pelos produtores de trigo devido à queda nos preços.
Participaram do encontro o presidente da FPA, Pedro Lupion, os deputados federais Alceu Moreira, Sergio Souza e Rafael Pezenti, o secretário adjunto de Política Agrícola do Mapa, Wilson Vaz Araújo, o diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento do Mapa, Silvio Farnese, e o presidente da Conab, Edgar Pretto.

