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Cabanas de barro são o futuro

Gil Reis*

Há muito venho afirmando que o ambientalismo prega o fim da civilização como a conhecemos e exige que a humanidade elimine todas as conquistas da evolução e embarque em um processo involutivo em direção ao século XVIII ou a séculos anteriores. Finalmente parte justamente da ONU a confissão expressa que tudo que venho escrevendo a respeito das campanhas promovidas pela ONU, os ambientalistas ‘et caterva’. O leitor poderá vislumbrar neste artigo o futuro que aguarda os nossos filhos, netos e bisnetos.

Como sou ‘figurinha carimbada’ pelos ambientivistas deixarei que um articulista internacional aborde o assunto. O site Daily Sceptic publicou, em 10/10/2023, o artigo “Novo relatório das Nações Unidas sinaliza necessidade de cabanas de lama e grama até 2050”, assinado por Chris Morrison, editor de meio ambiente do Daily Sceptic. Transcrevo trechos:

“É tudo uma grande ‘teoria da conspiração’ de que em 2050 viveremos em cabanas de barro e palha, comendo uma dieta sem carne e renunciando à maioria dos meios de transporte pessoal. Talvez não acreditássemos se as elites globais parassem de escrever relatórios abundantes detalhando todas estas mudanças de estilo de vida, que se diz serem necessárias para passar para Net Zero. O último relatório deste tipo vem das Nações Unidas, que apresenta uma visão global coletivista de materiais de construção primários que consistem em tijolos de barro, bambu e ‘detritos’ florestais.

De acordo com a ONU, o mundo precisa de avançar para ‘práticas de materiais regenerativos’, utilizando terra de baixo carbono ‘produzida eticamente’ e materiais de construção de base biológica. Os exemplos incluem tijolos de barro, madeira, bambu e detritos agrícolas e florestais. O relatório remonta a meados do século passado, quando a grande maioria das culturas construiu grandes edifícios e cidades a partir de materiais indígenas de terra, pedra e de base biológica, incluindo madeira, cana, palha e bambu. Contrastando edifícios modernos de betão, aço e vidro, observa que ‘enormes edifícios de barro foram mantidos durante séculos com as suas estruturas intactas’.

O relatório recentemente publicado pela ONU, ‘Materiais de Construção e o Clima: Construindo um Novo Futuro’, baseia-se em uma ampla variedade de autores internacionais. Fortemente envolvidas estão a Universidade de Yale e a Aliança Global para Edifícios e Construção, esta última operação que conta com apoio financeiro da Fundação Laudes, ativista verde, e do Governo Britânico. O relatório é um dos vários que apareceram recentemente e que começaram a expor as mudanças difíceis que terão de ser feitas em menos de 30 anos se 80% da energia mundial produzida por combustíveis fósseis for proibida sob Net Zero. Diz-se que o setor da construção é responsável por 37% das emissões de gases causadas pelo homem, como o dióxido de carbono. Avançar na redução desta situação exigirá medidas drásticas, afirmando o relatório que materiais como o betão, o aço e o alumínio serão utilizados apenas quando ‘absolutamente necessários’.

A guerra aos materiais de construção modernos também foi declarada pelo UK FIRES, uma colaboração académica financiada com uma subvenção estatal de £5 milhões. Apelou a uma purga implacável dos materiais de construção tradicionais, para serem substituídos por materiais como ‘taipa’. Noutros relatórios, o UK FIRES promove um mundo sem transporte aéreo e marítimo até 2050, cortes drásticos no aquecimento doméstico e proibições do consumo de carne bovina e de cordeiro. Como observámos no Daily Sceptic, o UK FIRES baseia as suas recomendações na realidade brutal, e muitos argumentariam honesta, do Net Zero. Não pressupõe que os processos tecnológicos ainda por aperfeiçoar, ou mesmo inventar, conduzirão de alguma forma a uma perturbação mínima nos estilos de vida industrializados confortáveis.

O último relatório da ONU, juntamente com o UK FIRES, dá uma visão valiosa sobre o pensamento fantasioso que rodeia a crença de que o petróleo e o gás podem ser removidos da sociedade industrial. Pessoas inteligentes podem muitas vezes ser muito estúpidas, especialmente quando o pensamento de grupo se estabelece e são necessárias opiniões de ‘alto estatuto’ – neste caso em torno do ambientalismo – para aderir ao clube. Net Zero exige o desmantelamento da sociedade industrial moderna e o descarte de muitos dos elementos essenciais da vida moderna e confortável. Usando ciência falha e não comprovada, estas elites de alto estatuto convenceram-se de que o clima está a entrar em colapso. 

Não será nenhuma surpresa que o relatório da ONU sobre edifícios esteja repleto de exigências de ação legislativa e da utilização do dinheiro de outras pessoas para fazer cumprir os seus esquemas malucos. Diz-se que os ‘incentivos, campanhas de sensibilização e quadros legais e regulamentares’ do governo foram eficazes em esquemas de reciclagem anteriores. ‘Os sistemas de reciclagem de materiais de construção tendem a exigir tipos de apoio semelhantes em todos os países’, afirma o relatório. 

Escusado será dizer que, ao reordenar os estilos de vida de oito bilhões de pessoas em todo o mundo, é importante combater os preconceitos de género onde quer que sejam encontrados – neste caso, ‘setores de construção formais e informais’. Diz-se que o preconceito de género prevalece no setor da construção e nas economias emergentes. São necessários programas governamentais (quelle surpresa) e políticas para expandir o acesso das mulheres às novas tecnologias, à informação de marketing e à formação para sustentar a sua participação no terreno, afirma o relatório.

A maior confusão, porém, surge do uso de materiais sustentáveis, a maioria dos quais cultivados no solo. Esse seria o setor agrícola planeado que outro órgão de elite está ocupado a defender que deveria ser cortado para reflorestamento, outro grupo de idiotas da elite a defender a proibição dos fertilizantes azotados, levando a uma redução de 50% no crescimento das colheitas, outro monte de faíscas brilhantes exigindo mais terras para biocombustíveis e dietas à base de plantas… terá continuidade”.

É impressionante a confissão da ONU de como será o futuro da civilização como conhecemos com o banimento dos combustíveis fosseis e de todos os meios de produção oriundos das conquistas e evolução do processo civilizatório. Além disso, o banimento do dióxido de carbono, CO2’, da atmosfera. É sempre bom lembrar que o CO2 não é poluente. Pelo contrário, é considerado gás da vida sem o qual todos os seres viventes no planeta não sobreviveriam. Uma outra realidade se impõe, cada ser humano no processo respiratório expira diariamente, aproximadamente, 1 quilo deCO2. Caso o leitor seja afeito a matemática e diante do fato de que existem 8 bilhões de pessoa respirando, sugiro uma simples conta de multiplicação para chegar à conclusão que os seres humanos produzem, diariamente, quase 8 bilhões de quilos de CO2. Qual será a solução da ONU? Que paremos de respirar?

“Acontecimentos futuros projetam antes suas sombras” – Thomas Campbell, 1777 a 1844, poeta escocês e um dos iniciadores de um plano para fundar o que se tornou a Universidade de Londres.

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

 

 

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