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“Pacote do veneno”

Gil Reis*

É mais do que justo que, no início de um novo ano, voltemos nosso olhar para um passado não muito distante em termos de existência da humanidade na superfície do planeta terra e que os dogmas da nova crença dizem ser uma infecção. Voltemos à situação dos seres humanos nos séculos anteriores ao século XVIII, quando as pragas agrícolas regulavam a vida de todos. Há mais de 10.000 anos surgiu e prosperou a agricultura. Com um detalhe a mais: na mesma época nasceu o agronegócio, quando os produtores rurais começaram a negociar os alimentos produzidos através de escambo (o escambo antecedeu a monetarização da economia no planeta e consistia basicamente na troca de mercadorias entre duas partes, sem o uso de moeda).

Naqueles tempos, não se trata de citação bíblica, em função do surgimento da agricultura nasceram também os primeiros núcleos urbanos, quando os seres humanos abandonaram o nomadismo e se fixaram ao solo com a produção rural em volta. Não existiam os meios de transporte rápidos como os de hoje, alimentados por combustíveis oriundos dos chamados fósseis. A mortandade por fome ocorria em uma escala inimaginável, porquanto bastava qualquer praga nas lavouras para que a produção de alimentos caísse drasticamente, matando muitos habitantes de fome e obrigando os núcleos urbanos a migrarem para outras plagas, já que as terras no entorno do antigo habitat estavam infectadas.

Tal situação perdurou por milhares de anos, uma vez que a continuidade da vida humana depende basicamente da ingestão de alimentos. Estava assim delineado o primeiro controle populacional, as pragas nas lavouras. Milhares de anos depois a humanidade consegue começar a respirar mais livremente, surgiam os primeiros produtos de controle das pragas, os defensivos agrícolas, ao mesmo tempo surgiam os transportes mais rápidos alimentados pelos chamados combustíveis fósseis. A aliança entre estes dois fatores tornou os núcleos urbanos independentes das distâncias da produção de alimentos.

Para complementar o novo ciclo da produção de alimentos surgem e se multiplicam as agroindústrias. Os dogmas da nova crença ambiental comandada pelos novos deuses do novo Olimpo, que vêm se reciclando ao longo do tempo, sob os olhares embevecidos de seus acólitos, para bater nas agroindústrias criaram, aqui no Brasil, dois novos termos – alimentos processados e ultraprocessados. Como se tudo isto não bastasse, os novos deuses criam egrégoras poderosas no mundo (egrégora é uma forma de energia criada por pensamentos e sentimentos, que adquire vida e é alimentada pelas mentalizações e energias psíquicas, uma entidade autônoma que se forma pela persistência e intensidade de correntes emocionais e mentais), as COPs.

Eis que a população do mundo cresceu de 1 bilhão de habitantes para 8 bilhões em dois séculos diante da fartura de alimentos. Como conter o crescimento populacional e ao mesmo tempo alimentar as 8 bilhões de bocas? Para conter o crescimento populacional a solução não é a que pregam os novos deuses, eliminando o excesso populacional através da fome. Ao contrário: é preciso que a ONU deixe de ser manipulada pelos países ricos e passe a comandar uma grande campanha de conscientização, sem ameaças ou terrorismo.

O problema crucial hoje é alimentar as 8 bilhões de bocas e as que nascerão nos próximos anos – naturalmente não seria adotar os dogmas dos novos deuses e sim liberar para agropecuária mundial bilhões de hectares de terras agricultáveis e não agricultáveis. Sem esquecer que Israel converteu deserto em terra agricultável.

Afinal, o que querem aqueles que denominam o PL de defensivos agrícolas, cuja única finalidade é modernizá-los e aprovar novas moléculas já usadas no mundo, de pacote do veneno?

“Aprendeu a preparar alimentos cultivados ou tirados da terra, fosse na cozinha da mãe, fosse sobre uma fogueira. Aprendeu que comida era mais do que ovos frescos que pegava no galinheiro ou uma truta bem grelhada. Comida significava sobrevivência” – Nora Roberts, “De sangue e ossos” (Trilogia Crônicas da escolhida).

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

 

 

AGROemDIA

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