Sempre aos domingos: A voz do alto falante
Tito Matos
Lembro com muita saudade do Serviço de Alto Falante “A Voz do Bazar Reis” na cidade onde nasci, no distante interior da Bahia, Santa Rita de Cássia. Eram por duas cornetas, (uma virada para a rua de baixo e outra para rua de cima), num alto poste, que a gente aprendeu a gostar, e nunca mais esquecer, de muitas músicas que faziam sucesso naquela época – começo dos anos 60.
Eram melodias que afloravam amorosas emoções da alma ou as mágoas que o coração sentia. Todas as noites, “A Voz do Bazar Reis” levava alegria aos ouvintes; animava as noites da nossa cidade com cantoras, cantores e conjuntos musicais que nos fazem recordar agora de “tempos idos e vividos que os anos não trazem mais.”
A programação tinha uma ativa participação popular. Músicas oferecidas e ouvidas assim: “Alô, alô, cinco letras, ouça esta linda canção que lhe ofereço como prova de um sincero amor”, fulano de tal.
Não me acanho em dizer que o menino que viveu aquele tempo ainda hoje vive em mim. Foi com a memória de minha meninice que busquei no fundo do baú tais reminiscências, inapagáveis sentimentos daquele período. “Velhos tempos, belos dias”, como dizia Roberto Carlos. Em meus momentos de contemplação, resgato canções apagadas pelo tempo. Faziam sucesso Orlando Silva, Silvinho, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Teixeirinha, Orlando Dias, Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Trio Irakitan e muitos outros. É como viajar por um universo de deliciosas recordações.
Foi bom ser jovem naquele tempo, eis que o passado não é o que passou, mas o que ficou do que passou. Fui dessa época. Era tempo das serestas em noites enluaradas, discos de vinil (LPs), com o céu iluminado, bordado de astros e estrelas. Acredito que essas lembranças trazem para uns um repertório de uma doçura saudade; para outros, muita sofrência.
Pelo menos uma dessas canções “foi um fundo musical de um ardente amor ou uma trilha sonora de uma triste fossa passional. Boas músicas são eternas, são relíquias, são inesquecíveis. Quando escuto esse “tesouro musical”, lembro dos meus familiares e amigos que estão dispersos, zanzando por aí, e dos que já partiram. Tanto essas músicas, como aqueles que se foram, eu os adicionei ao meu viver. Afinal, todos nós temos na vida saudades e recordações.
Convido a todos os visitantes do AGROemDIA, de um refinado gosto musical, a curtirem agora uma dessas raridades. Afinal, recordar é viver.
Imensas saudades!

