A caminhada humana
Gil Reis*
Desde o surgimento do ser humano na face do planeta, quando olhou para frente divisou uma terra inóspita devastada por fenômenos naturais inerentes à evolução planetária, precisando de alimentos e proteção, não lhe restou outra alternativa que se adaptar ou morrer. Um fator determinante no giro da roda do tempo é a evolução e a melhoria na maneira de viver dos seres humanos, a despeito de alguns grupos e pessoas que tentam, a ferro e fogo, interferir na nossa evolução por motivos inteiramente financeiros ou comerciais. O último enorme salto evolutivo ocorrido no século passado foi apavorante e fatal para alguns poderosos, a maioria sumiu da face do planeta. Alguns poucos de maior resiliência e com capacidade de adaptação sobreviveram, mesmo assim superados pelos ‘novatos’, é mais fácil e barato construir o novo do que reconstruir o destruído.
Não precisamos ir muito longe para atestar as consequências de um ‘salto evolutivo’, voltemos ao século passado e pesquisemos quantos poderosos sobreviveram e quantos desapareceram em função da rápida e enorme evolução. Mas, alguns sobreviventes, cujo grande poder é a manipulação da mídia ocidental, os adeptos da ideologia criada pelo clube de Roma nos idos dos anos 1960, continuam a lutar contra o eminente salto que a humanidade está prestes a dar. O pavor dos detentores do poder hoje é que um novo salto evolutivo lhes tire o poder das mãos.
A criação do Universo que hoje conhecemos ocorreu com o chamado ‘Big Bang’, como denominam os cientistas, não foi terminativa o universo continua a se expandir, novas estrelas são criadas e outras são extintas diariamente, ou seja a criação não está encerrada ainda e ninguém pode prever seus próximos passos.
Mutatis mutantis, mudando o que deve ser mudado, o ser humano atravessou uma série de mudanças, de acordo com a ciência, e o nosso planetinha conviveu com alguns tipos, sem maiores aprofundamentos ou debates religiosos, Homo habilis, Homo erectus e Homem de Neandertal até chegarmos hoje com a nossa definição de Homo sapiens. Já existem várias teorias a respeito do futuro da espécie humana, entre elas o ‘homo digitalis’ da obra ‘Origem’, o sétimo livro de ficção do escritor dos Estados Unidos Dan Brown.
Os primeiros registros humanos foram feitos em paredes de cavernas, por meio de figuras rupestres. A BBC News Mundo publicou, em 18 junho 2024, a matéria “O enigmático significado das gravações gigantescas em pedras que intrigam arqueólogos”, assinada por Felipe Llambías, que narra a descoberta da maior arte rupestre do mundo que pode ajudar a ciência a conhecer melhor a nossa caminhada. Transcrevo trechos:
“Um grupo de pesquisadores da Colômbia e do Reino Unido documentou a maior arte rupestre do mundo em uma área próxima ao rio Orinoco, entre a Colômbia e a Venezuela. Os desenhos gigantes feitos na rocha, ‘entre os mais enigmáticos do mundo’ segundo a equipe arqueológica, mostram grandes cobras – jiboias e sucuris – com até 40 metros de comprimento e outros animais ou figuras geométricas. ‘Eles são muito maiores que um humano adulto em várias dimensões e estão distribuídos ao longo do rio Orinoco, num ponto que no passado foi uma área de intenso contato e interação entre diferentes grupos étnicos e linguísticos’, explicou à BBC Mundo Philip Riris, professor de modelagem arqueológica e paleoambiental na Universidade de Bournemouth, Reino Unido.
Riris investigou essa arte nas rochas com os colombianos José Oliver e Natalia Lozada Mendieta, e os resultados foram publicados na revista científica Antiquity no dia 4 de junho. O local fica no entorno de uma área chamada Rápidos de Atures, nos dois lados do Orinoco, na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela. O ecossistema daquela região do Orinoco é a savana, extensas planícies, com elevações abruptas de granito chamadas inselbergs ou ‘montanhas-ilhas’ que, embora difíceis e perigosas de escalar, não é impossível de se conseguir.
‘São pretas, muito, muito pretas, mas essa não é a cor natural da rocha, mas sim uma mancha bacteriana’, disse o especialista. Ele acrescentou que não é preciso muito esforço para raspar a camada superior e encontrar a cor natural da rocha, que é branca ou cinza bem claro, razão pela qual há séculos as pessoas podiam criar os desenhos esculpindo em pedra. ‘Embora as gravuras sejam muito grandes, na verdade não são muito profundas, podem ter um ou dois milímetros no máximo’, acrescentou Riris.
Segundo Riris, os desenhos do lado venezuelano já foram amplamente estudados, mas ‘muito pouco trabalho arqueológico foi feito no lado colombiano do Orinoco’. ‘Isso é único em escala global, não há nada igual’, disse ele. A equipe de pesquisa acredita que esses desenhos são pré-colombianos – ou seja, foram realizados entre os anos 1000 e 1500 – e que serviram de fronteira ou delimitação para os povos indígenas que ali viviam. Os desenhos nas grandes rochas ‘são espaçados de forma bastante regular, ocorrendo em alguns intervalos semelhantes quer indo rio acima ou rio abaixo, e em particular os painéis monumentais com cobras são repetidos com um número relativamente limitado de motivos diferentes’, afirmou Riris.
‘Acreditamos que estavam registrando algum aspecto da territorialidade ou da identidade social, ou ambos. Há um aspecto da territorialidade que é: ‘Este é o nosso território’. É para excluir, como um sinal de alerta’, disse o arqueólogo. ‘Mas também, se você sabe o que a cobra significa ou se a cobra ou os motivos têm significado para você, então é um sinal de que você está entre amigos.’ Riris explicou que cobras gigantes aparecem em vários mitos indígenas do norte da América do Sul e muitas vezes representam divindades criadoras.
‘Quando o mundo foi criado e tudo era água, as cobras foram as primeiras a surgir. Ao viajarem pelos rios, elas também os criaram, metaforicamente falando’, explicou. ‘Pelo formato das canoas e porque as canoas também navegam nos rios, as cobras às vezes são chamadas metaforicamente de canoas, por serem recipientes de pessoas, e também por terem uma associação com o aspecto reprodutivo feminino, porque as mulheres carregam uma pessoa durante a gravidez’, acrescentou.
O pesquisador afirma que, entre o ano 1000 e a chegada de Cristóvão Colombo à América, a região do médio Orinoco foi povoada de uma forma que descreve como ‘intensa’ e por isso existe um grande número de sítios arqueológicos ao redor. ‘Arte rupestre como esta, material que comunica deliberadamente identidade ou sinaliza territorialidade, não surge no vácuo. Tem que ser uma resposta a alguma coisa. Quando há uma paisagem relativamente densamente povoada, seria de esperar que arte rupestre como esta aparecesse’, ele explicou. Os pesquisadores acreditam que no futuro serão encontrados mais locais monumentais de arte rupestre ao longo do rio Orinoco e seus afluentes.”
Agora somente nos resta transcrever o que disse Nora Roberts na obra “De sangue e ossos” (Trilogia Crônicas da escolhida) sobre a essencialidade da alimentação através dos tempos:
“Aprendeu a preparar alimentos cultivados ou tirados da terra, fosse na cozinha da mãe, fosse sobre uma fogueira. Aprendeu que comida era mais do que ovos frescos que pegava no galinheiro ou uma truta bem grelhada. Comida significava sobrevivência”.
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

