Fertilização por CO2
Gil Reis*
Apesar de todas as campanhas contra o CO2, o gás da vida, a humanidade tem testemunhado o nosso planetinha ficar mais verde com o reflorestamento espontâneo e os desertos sendo gradativamente reduzidos. Os cientistas climáticos se apressaram a acusar as práticas agrícolas e o pastoreio, praticados por seres humanos, como causas de desertificação de algumas áreas e, aos poucos, têm ‘quebrado a cara’ diante da realidade de que, ao invés de murchar e morrer, diante de tais práticas, a vegetação geralmente está crescendo mais rápido e expandindo seu terreno, enquanto os desertos estão recuando.
O site YaleEnvironmente360 publicou na Escola de Meio Ambiente de Yale, em 16 de julho de 2024, o artigo “Com o aumento dos níveis de CO2, as terras áridas do mundo estão ficando verdes”, assinado por Fred Pearce, jornalista freelancer baseado no Reino Unido. Transcrevo uns poucos trechos para justificar minhas afirmativas:
“O sudeste da Austrália está ficando mais quente e seco. As secas se prolongaram, e as temperaturas regularmente sobem acima de 95 graus F (35 graus C). Incêndios florestais abundam. Mas, de alguma forma, suas florestas continuam crescendo. Um dos ecossistemas mais extremos e voláteis do planeta está desafiando a meteorologia e se tornando mais verde.
O que está acontecendo? A principal razão, concluem os estudos mais recentes, é o aumento de 50% nas concentrações de dióxido de carbono na atmosfera desde os tempos pré-industriais. Esse aumento de CO2 não está apenas impulsionando as mudanças climáticas, mas também acelerando a fotossíntese nas plantas. Ao permitir que elas usem a água escassa de forma mais eficiente, o ar rico em CO2 fertiliza o crescimento da vegetação até mesmo em alguns dos lugares mais secos.
À medida que injetamos ainda mais CO2 no ar, o esverdeamento de terras áridas parece destinado a continuar, de acordo com dois estudos de modelagem recentes. Mas ecologistas alertam que, apesar das aparências, tornar-se verde pode ter desvantagens para ecossistemas áridos e para as pessoas que dependem deles. Plantas e animais do deserto frequentemente perdem, e a vegetação extra pode absorver suprimentos escassos de água.
Terras áridas cobrem cerca de 40 por cento da superfície terrestre do planeta. Os desertos em seu núcleo são cercados por grandes extensões de savana, florestas secas e, às vezes, campos irrigados. Eles abrigam mais de um terço da população mundial e estão entre os ecossistemas mais biodiversos do mundo, de acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza, a organização internacional para cientistas da conservação.
Ao longo do último meio século, a maioria das terras secas tem sofrido um declínio nas chuvas, juntamente com temperaturas mais altas e maiores taxas de evaporação. Muitas também foram degradadas por práticas agrícolas precárias e pastoreio excessivo de gado. Cientistas do clima e ecologistas presumiram até recentemente que essa combinação de crescente aridez meteorológica e pressão das atividades humanas levaria a menos vegetação. Eles têm alertado rotineiramente sobre a desertificação generalizada, que autoridades da ONU chamaram de ‘o maior desafio ambiental do nosso tempo’.
No entanto, na maioria das terras secas, essa desertificação antecipada não aconteceu. Em vez de murchar e morrer, a vegetação geralmente está crescendo mais rápido e expandindo seu terreno, enquanto os desertos estão recuando. Isso, dizem os pesquisadores dos ciclos de carbono e água do mundo, é em grande parte devido ao CO2 extra na atmosfera.
Fotossíntese é o processo pelo qual as plantas crescem absorvendo CO2 através dos estômatos em suas folhas e convertendo-o em matéria vegetal. Esse processo requer água, que em regiões áridas é frequentemente o fator limitante para o crescimento das plantas. Maiores concentrações de CO2 no ar permitem fotossíntese mais fácil e permitem que as plantas usem menos água no processo.
Cientistas agrícolas sabem há muito tempo sobre os benefícios do CO2 adicional para o crescimento das plantas. Os fazendeiros às vezes dosam as atmosferas fechadas das estufas com o gás para aumentar os rendimentos. Na verdade, agora estamos fazendo a mesma coisa com toda a atmosfera. A análise estatística subsequente de Myneni sugeriu que cerca de 70 por cento desse esverdeamento global poderia ser atribuído à fertilização com CO2. Outros fatores incluíam mudanças locais na deposição de nitrogênio da poluição do ar, precipitação e cobertura da terra.
As descobertas pareceram ser confirmadas por um estudo de 2021 na Universidade da Califórnia, Berkeley, avaliando a taxa de fotossíntese em uma variedade de ecossistemas em todo o mundo. Usando uma rede de ‘torres de fluxo’ que medem a troca de gases entre a vegetação e o ar acima, o pesquisador do ciclo do carbono Trevor Keenan e colegas concluíram que desde 1982 houve um aumento de 12% na fotossíntese, com a fertilização de CO2 novamente sendo a causa primária.
A absorção extra de CO2 por plantas de crescimento mais rápido está moderando o acúmulo do gás na atmosfera, diz Keenan. ‘Não está impedindo a mudança climática de forma alguma, mas está nos ajudando a desacelerá-la.’ Uma avaliação de 2020 feita por Evans e Arden Burrell, um pesquisador de sensoriamento remoto no Woodwell Climate Research Center em Falmouth, Massachusetts, descobriu que cerca de 6% das terras áridas sofreram desertificação desde 1982, apenas um quarto das estimativas anteriores baseadas em condições meteorológicas. Essas áreas incluíam grande parte do sudoeste dos EUA, o nordeste do Brasil, propenso à seca, e partes da Ásia Central.
No ano passado, Guolong Zhang e colegas da Universidade de Lanzhou, na China, relataram ter encontrado uma divergência global entre aridez e área foliar em terras secas durante as últimas três décadas. Zhang diz que a razão para o ‘desacoplamento’ está no ‘efeito de fertilização do CO2’.”
Mesmo diante de todas as provas, os ambientalistas vêm tentando criminalizar o CO2 e os seres humanos pelas alterações climáticas, quando na realidade, ao contrário, ambos as tem desacelerado. Até quando tais criminosos insistirão que a campanha de descarbonização não se destina à preservação do meio ambiente e sim para a redução da população mundial através da fome. Querem nos levar de volta ao século XIII e anteriores quando a fome é que regulava o volume populacional.
Será que vou ter que repetir o que já disse antes? Parece que sim. No passado, não tão distante, as comunidades humanas eram obrigatoriamente cercadas pela produção dos alimentos, como todos sabem são perecíveis, eram transportados por tração animal e não podiam ser cultivados distantes, paralelamente quando havia qualquer praga destruindo a produção de alimentos as comunidades eram devastadas pela fome. Com o advento do aproveitamento dos combustíveis fosseis e a criação dos defensivos químicos, a realidade mudou, dando origem ao grande salto civilizatório.
A humanidade vem evoluindo ao longos séculos e querem nos parar.
“Você criou o fogo e então pensou: ‘Ei, vamos ver para que serve esse troço. Beleza! … Não precisamos mais comer mastodonte cru! Quero o meu malpassado, por favor. Ah, merda, taquei fogo no Zé!’ — Opa, foi mal, Zé. Agora, você precisa descobrir como tratar uma queimadura. E como enfrentar alguém que goste de tacar fogo em outros zés e, talvez, queimar a aldeia. Quando menos se espera, você evoluiu e tem hospitais, tiras, controle climático e carne de porco por encomenda” – Nora Roberts na obra “Origem mortal”.
*Consultor em Agronegócio
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

