Índice Global de Inovação e o Future-se

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Waldir Leite Roque é professor titular da UFPB – Arquivo pessoal

Waldir Leite Roque*

 Anualmente é publicado um estudo sobre o desempenho de mais de 130 países no contexto da inovação tecnológica e de aspectos não-tecnológicos. A recém lançada edição de 2019 mostra que, desde 2011, a Suíça ocupa o primeiro lugar na classificação das nações mais inovadoras e que tem havido poucas variações entre as 20 primeiras posições nesta classificação. O Brasil tem oscilado um pouco e a sua classificação média tem sido a de número 66, ocupando esta posição nos últimos dois anos.

É possível a contestação de alguns pontos do Índice Global de Inovação (IGI), mas a realidade clara é que esse é um instrumento importante para balizamento dos países frente à sua capacidade de inovar, gerando novos conhecimentos, tecnologias, bens e processos, os quais conduzem os países a uma economia mais forte e sustentável, proporcionando mais empregos, com melhores níveis e maiores rendas. Em suma, eleva a qualidade de vida de suas populações.

O Brasil vem tentado melhorar seu desempenho, mas o sucesso tem sido, ainda, relativamente modesto quando comparado ao de outras nações. Temos crises constantes na economia, que, por sua vez, levam à falta de investimentos em ciência, tecnologia e educação e isso gera um círculo vicioso. Por outro lado, é também um país com crises e instabilidades políticas constantes, corrupção sistemática e sem projetos efetivos de nação.

O financiamento da ciência e tecnologia no Brasil ainda depende quase que exclusivamente de recursos públicos e esses são parcos e inconstantes. Cada governo procura criar a sua própria estratégia para tentar alavancar a C&T&I. Nos anos pós- regime militar, tivemos a criação do Plano Nacional de Informática, que iria proporcionar um grande aporte de recursos para tornar o país uma grande potência no desenvolvimento da computação, mostrou-se uma grande ingenuidade, leviandade e desperdício de recursos públicos; depois vieram os Fundos Setoriais, os quais iriam gerar recursos extraordinários para financiamento da C&T, mas foi fogo de palha, durou pouco. Em seguido, tivemos o discurso do Pré-sal, como milagre nacional em termos de recursos para tudo, mas também não se concretizou. Criou-se, então, o Ciência sem Fronteiras, que não tinha aporte de recursos novos e nem um programa claro para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação; foi um fracasso.

Agora estamos prestes a encarar um novo programa, o Future-se, que embora esteja sendo lançado pelo Ministério da Educação (MEC), em vez de o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), coloca aparentemente algumas boas propostas, mas até que ponto teremos a sua aplicação real e efetiva? Temos um Marco Legal recente para a C&T&I, mas este ainda não saiu do papel para ser aplicado nas instituições de ensino e pesquisa do país.

O Brasil tem avançando na C&T&I mais como consequência de um processo inercial do que por metas claras estabelecidas por projetos de Nação. O Brasil tem perdido competitividade até mesmo para seus parceiros do BRICS e precisa voltar a gerar oportunidades aos seus cidadãos, o desemprego paira muito elevado e a economia está estagnada, aguardando o novo milagre da reforma da previdência. É preciso pensar mais como nação do que apenas como governo. A C&T&I precisa acontecer agora para que o país como um todo future-se.

*É Prof. Titular – UFPB

 

 

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