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O subsolo brasileiro é extremamente rico

Gil Reis*

Os minerais são um patrimônio inestimável a qualquer país que os possua. Naturalmente é preciso observar, com bastante cautela o custo de prospecção e produção, uma vez que não devem ultrapassar os preços no mercado internacional. Na luta pela prospecção e exploração de qualquer mina sempre surgem os ambientalistas que usam qualquer argumento para impedir que um país explore suas próprias riquezas. Os argumentos utilizados não atingem apenas o setor de mineração e sim todos os setores da economia que possam tornar qualquer país mais rico. Caso o leitor tenha disposição de acompanhar as ações oriundas do ambientalismo vai constatar que não se trata da proteção do meio ambiente e sim um movimento para impedir o enriquecimento das nações.

Os EUA, assim como nós, tem enfrentado o trabalho de promover o aproveitamento de seus minerais. O site Real Clear Energy demonstra claramente tal fato no atrigo publicado, em 02 de maio de 2024, “Progresso na mina de lítio proposta? a decisão do BLM afetará o desempenho da mineração”, assinado por Jim Constantopoulos, professor de geologia e diretor do Miles Mineral Museum na Eastern New Mexico University, que transcrevo trechos.

“Apesar de toda a conversa sobre a reconstrução das cadeias de abastecimento e do nosso sector industrial, a economia e a segurança nacional da América estão cada vez mais dependentes do abastecimento mineral dominado pela China. A nossa procura de minerais está a crescer muito mais rapidamente do que os nossos esforços pesados ​​e muitas vezes contraproducentes para estabelecer fornecimentos novos e seguros. A nossa política mineral – e a nossa dependência alarmante das importações de minerais – tornaram-se uma vulnerabilidade flagrante. Simplesmente não estamos a utilizar suficientemente os nossos vastos recursos internos, mas há alguns sinais de que podemos entrar no caminho certo.

Várias minas de lítio extremamente importantes que irão produzir o metal que está no centro da revolução dos veículos eléctricos estão a aproximar-se do início da produção. Agora é essencial que cruzem a linha de chegada. Uma dessas minas, a mina de lítio Rhyolite Ridge de Ioneer, em Nevada, uma das maiores fontes de lítio da América, é um importante teste decisivo para saber até que ponto estamos encarando seriamente o nosso problema mineral. O depósito contém metal suficiente para abastecer quase 400 mil veículos elétricos todos os anos, uma parte importante da transição para uma economia de energia limpa. O Bureau of Land Management está se aproximando de uma decisão final sobre a mina e, caso seja aprovada, o Departamento de Energia disse que emprestará à Ioneer até US$ 700 milhões para desenvolver o projeto.

Alguns conservacionistas lutaram contra a mina com unhas e dentes, argumentando que ela ameaça uma flor rara. O governo decidiu agora que a Ioneer redesenhou a sua mina para proteger a flor e está a ouvir comentários sobre a sua análise ambiental antes de tomar uma decisão final. Não é de surpreender que os oponentes não estejam felizes. Mas esta mina é também um teste decisivo sobre a seriedade que levamos ao problema climático e expôs uma falha no movimento ambientalista. Alguns ambientalistas não querem ver qualquer impacto na biodiversidade em lado nenhum e estão a combater as minas, as linhas de transmissão e até as novas instalações eólicas e solares em nome da conservação.

Outros reconhecem que combater as alterações climáticas exige construir e fazê-lo em grande escala. E não apenas construindo linhas de montagem para veículos elétricos e painéis solares, mas também as minas necessárias para abastecê-los.

Bill McKibben, cofundador do grupo climático 350.org e professor do Middlebury College em Vermont, escreveu no ano passado implorando ao movimento verde que adotasse um novo pensamento e reconhecesse a necessidade da mineração na luta climática. ‘Dizer não é relativamente simples e às vezes certo’, escreveu McKibben. ‘Mas vivemos num momento em que o nosso futuro – e o futuro de todos e de tudo – depende de, por vezes, aprendermos a oferecer um sonoro sim.’

Dizer sim a esta mina – e a outras necessárias para fornecer lítio, cobre, níquel, cobalto e terras raras, para citar apenas alguns dos minerais essenciais para a transição energética – é a escolha certa. É a escolha certa para começar a neutralizar o controlo alarmante da China sobre as cadeias de abastecimento de minerais e é também a escolha certa para garantir que tenhamos os abastecimentos de minerais necessários para a luta climática. Se decidirmos dizer não às potenciais minas americanas, isso não significará que os metais nunca sairão do solo. Significará simplesmente que são produzidos em locais distantes, sem quase os padrões ambientais ou laborais que temos aqui. Esse não é o tipo de ambientalismo que alguém deveria apoiar.

A necessidade de minerais críticos para sustentar a transição energética global está bem estabelecida. Um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) concluiu que a procura está a crescer a uma ‘taxa exponencial’. De acordo com a AIE, para que os governos cumpram as suas atuais políticas de energia limpa, poderiam necessitar de 19 vezes mais níquel, 21 vezes mais cobalto, 25 vezes mais grafite e 42 vezes mais lítio do que o produzido atualmente.

Os EUA não podem dar-se ao luxo de ficar de fora desta questão e simplesmente deslocalizar as nossas necessidades. A mineração nacional oferece um seguro contra a escassez de minerais e cadeias de abastecimento globais pouco fiáveis. E proporcionaria um grande impulso à indústria transformadora nos Estados Unidos e à posição competitiva das indústrias americanas na economia global. Se quisermos construir veículos elétricos, baterias, semicondutores e painéis solares em casa, devemos levar a sério os seus insumos minerais.

Em suma, há uma argumentação política esmagadora não só para dizer sim às novas minas americanas, mas também para as apoiar. Agora é o momento de inverter a maré do nosso alarmante problema mineral e construir as cadeias de abastecimento internas seguras de que tão claramente necessitamos.”

Aqui no nosso país as ONGs ambientais usando a grande mídia patrocinada e um forte lobby junto ao executivo, legislativo e judiciário para impedir a prospecção e exploração de novas minas emparedando qualquer possibilidade do nosso país explorar sua própria riquezas. O subsolo brasileiro é extremante rico em minerais que tem a sua mineração impedida por uma burocracia governamental difícil de superar. As campanhas ambientalistas não atingem apenas a área de mineração. Os alvos são todos os setores da economia capazes de tornar o nosso país mais rico e tirar a população mais pobre da pobreza.

As ONGs ambientalistas sonham com a união do executivo, legislativo e judiciário com a finalidade de impedir o enriquecimento e desenvolvimento do Brasil.

“A burocracia destrói a iniciativa. Não existe coisa alguma que os burocratas odeiem mais do que a inovação, especialmente a inovação que produz resultados melhores do que as velhas rotinas. Os aperfeiçoamentos sempre fazem com que aqueles que se situam no topo da pirâmide pareçam inaptos. Quem é que gosta de parecer inapto?”

*Consultor em Agronegócio

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

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