Mortes e prejuízos relacionados ao clima diminuíram
Gil Reis*
Recentemente gravei um áudio no ‘sempre aos sábados’ onde enfatizei que ‘a humanidade está mais preparada do que nunca para enfrentar com tecnologia as adversidades climáticas. Creio que o único caminho é o trinômio: previsão, prevenção e finalmente adaptação. Para os que não acreditam as provas de adaptação, mais visíveis, são a agricultura irrigada que usamos no Brasil e Israel usa para domar seus desertos’. Muitas mortes e prejuízos seriam evitados se o trinômio fosse implementado.
O site AMERICAN THINKER esclarece o assunto no artigo publicado, em 29 de setembro de 2024, “A verdadeira causa das mortes relacionadas ao clima”, de autoria de Vijay Jayaraj, Associado de Ciência e Pesquisa na CO2 Coalition, Arlington, Virgínia. Ele tem um mestrado em ciências ambientais pela University of East Anglia e uma pós-graduação em gestão de energia pela Robert Gordon University, ambas no Reino Unido, e um bacharelado em engenharia pela Anna University, Índia. Que transcrevo trechos.
“Apesar do medo de que as mudanças climáticas potencializem os desastres naturais, as mortes relacionadas ao clima diminuíram drasticamente. De acordo com o Emergency Event Database, o total de mortes globais por década por desastres relacionados ao clima caiu em mais de 96% desde a década de 1920. Os dados mostram que, entre 1960 e 2020, houve uma redução sem precedentes nas mortes relacionadas ao clima em comparação ao período entre 1920 e 1959. Esse declínio é ainda mais impressionante considerando que a população global mais que quadruplicou durante esse período, de cerca de 2 bilhões em 1920 para quase 8 bilhões em 2020. A redução drástica em fatalidades não é apenas uma estatística; representa uma melhoria fundamental na capacidade de nossa espécie de se adaptar e resistir às forças da natureza. É uma história de triunfo sobre a adversidade e de inovação diante do perigo.
Por milênios, os caprichos dos padrões climáticos ditaram a ascensão e queda das civilizações, determinaram o sucesso das colheitas e, com muita frequência, ceifaram inúmeras vidas. No entanto, o século XX marcou um ponto de virada crucial nessa luta milenar. Um dos fatores mais significativos na redução de mortes tem sido o fortalecimento dramático da infraestrutura, particularmente em países em desenvolvimento. O “State of the Global Climate 2023” da Organização Meteorológica Mundial observou que sistemas de alerta precoce e gerenciamento de desastres aprimorados continuaram a reduzir a perda de vidas em eventos climáticos extremos.
Bangladesh, outrora notório por mortes relacionadas a ciclones, viu uma redução drástica nas vítimas. Em 1970, o ciclone Bhola matou cerca de 300.000–500.000 pessoas. Em contraste, o ciclone Amphan em 2020, embora tenha causado danos significativos, resultou em menos de 100 mortes em Bangladesh, graças em grande parte aos alertas precoces e procedimentos de evacuação. A Holanda, onde grande parte da terra fica abaixo do nível do mar, foi pioneira no controle de enchentes. Seu sistema de diques, represas e barreiras contra tempestades, incluindo a famosa estrutura Maeslant perto de Roterdã, protegeu efetivamente o país de enchentes catastróficas.
Nos Estados Unidos, o Mississippi River and Tributaries Project, iniciado após a Grande Inundação do Mississippi de 1927, evitou bilhões de dólares em danos por inundações. Projetos semelhantes ao redor do mundo, da Represa das Três Gargantas da China à Barreira do Tâmisa de Londres, salvaram inúmeras vidas. Em áreas propensas a furacões, os edifícios agora são projetados para suportar ventos fortes e detritos voadores. A implementação de códigos de construção rigorosos na Flórida após o furacão Andrew em 1992 reduziu significativamente os danos estruturais durante as tempestades subsequentes.
Da mesma forma, técnicas de construção resistentes a terremotos salvaram inúmeras vidas em regiões sismicamente ativas. Os rigorosos códigos de construção do Japão, que exigem que as estruturas suportem terremotos severos, reduziram drasticamente as fatalidades por eventos sísmicos. A seca costumava ser um dos eventos climáticos mais mortais, chegando até mesmo a acabar com o reinado de impérios famosos. Hoje, os avanços na tecnologia e práticas agrícolas reduziram significativamente as mortes por fome induzida pela seca. Por exemplo, o desenvolvimento de milho tolerante à seca beneficiou milhões de agricultores na África.
No entanto, apesar da redução sem precedentes em fatalidades por calamidades naturais, alguns argumentam que os custos econômicos de desastres naturais aumentaram. É verdade que as perdas monetárias aumentaram, mas isso se deve em parte à falta de planejamento que expõe propriedades cada vez mais valiosas aos riscos de tempestades, inundações e ventos.
Um exemplo clássico disso é a cidade indiana de Chennai (antigamente Madras), onde as inundações se tornaram uma ocorrência regular devido ao estado deplorável da infraestrutura. As mais novas zonas de construção da cidade estão em áreas onde a água se acumula naturalmente, colocando os habitantes em risco durante chuvas fortes. Morando na mesma cidade há um tempo, me vi vadeando surrealmente em água na altura dos joelhos para recuperar minha bagagem de um estacionamento onde a enchente subiu até meus quadris.
Uma análise simples revelou que as chuvas pesadas de Chennai ocorreram várias vezes ao longo de muitas décadas. Inundações repetidas nesta cidade, e em outras, são principalmente de má gestão, não de mudança climática. Onde aplicada, a engenhosidade humana tem sido espetacularmente bem-sucedida em combater as ameaças da natureza. A deficiência da humanidade nesta história é sua falha em aplicar apropriadamente seu know-how em vez de negligenciar o controle de um clima incontrolável.”
O artigo de Vijay Jayaraj aborda um assunto do qual a maioria dos ‘cientistas climáticos’ não fazem, preocupados apenas com ‘mitigar’ o que é impossível de ‘mitigar’, orientar o que podemos fazer para nos defender das alterações climáticas. Assim ficamos limitados a tentar corrigir as tragédias provocadas pelas alterações climática. Há milhões de anos que o nosso planeta enfrenta uma gama enorme de diversidade climática, aquecimento, resfriamento e alterações climáticas que não são novidades e os seres humanos sempre resilientes encontraram o caminho da sobrevivência sempre tomando o caminho da prevenção e da adaptação.
Apesar de toda a campanha contra o dióxido de carbono ele é um elemento crucial da fotossíntese, o processo pelo qual plantas transformam a energia solar em água e dióxido de carbono, em açúcar. Em resposta a esse processo, as plantas emitem oxigênio. O gás carbônico faz parte dos chamados gases de efeito estufa. Esses são responsáveis por garantirem que a Terra permaneça aquecida e, consequentemente, que a vida exista nela. Como sabemos, a radiação solar incide em nosso planeta, sendo parte dela refletida de volta para o espaço e outra parte absorvida por ele.
“É um erro acreditar que aqueles que fazem mais barulho a lamentarem-se a favor do público sejam os mais preocupados com o seu bem-estar” – Edmund Burke.
*Consultor em Agronegócio
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

