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A insegurança na Amazônia: J’accuse

Gil Reis*

Émile Zola, com a obra J’accuse, mobilizou a opinião pública francesa para tentar corrigir uma injustiça cometida pelo Estado contra um cidadão francês. Hoje vou me atrever a tentar corrigir uma injustiça cometida pelo Estado, não contra um cidadão, e sim contra os cidadãos de uma região – A Amazônia.

Analisa-se os problemas que afetam a Amazônia pelas consequências, nunca pelas causas. Nunca imaginem que nós brasileiros somos míopes e não conseguimos visualizar o verdadeiro problema, apenas há muito estamos sendo induzidos ao erro achando que o problema da região é o desmatamento que é uma consequência.

O mesmo acontece com algumas potências estrangeiras. Naturalmente aquelas potências de má fé que sempre estão em busca de argumentos para atacar o Brasil, a sua atividade agropecuária e a competência de seus produtores rurais adoram esta indução para poder solapar a nossa soberania e se apropriar da mais gorda e rica fatia do nosso território – a Amazônia.

O Sr. Macron, certo ou errado, na França, defende e protege seus produtores rurais, de forma competente, com unhas e dentes. Chega ao cúmulo de bombardear o acordo com o Mercosul, que até melhor juízo beneficiaria não somente a América do Sul como também a mor parte dos países que integram a combalida União Europeia à semelhança do que ocorreu com a indústria automobilística brasileira com o fim, ou redução, das barreiras para a indústria automobilística mundial. Nossos carros deixaram de ser verdadeiras carroças como os denominou um certo nosso Presidente.

A colonização da Amazônia seguiu o mesmo modelo da colonização do Brasil e se deu de duas formas a compulsória com degredados de Portugal e a voluntária quando algumas pessoas de outros povos, que enxergaram o nosso país como terra das oportunidades, e resolveram navegar “por mares nunca dantes navegados”, em sua grande maioria tiveram sucesso.

Afinal quais a compulsoriedades na Amazônia? A região se presta à ação direta da União onde existem enormes áreas de sua propriedade. Tomemos como exemplo o Pará no qual mais de 50% do seu território pertence à União sem qualquer intervenção do governo do estado.

Vamos começar pelas reservas florestais, não houve participação nas escolhas dos habitantes da área. Os representantes do governo federal, com o critério da absoluta falta de critério e sem sair de Brasília com desconhecimento total da região, escolheram locais para as reservas expulsando os habitantes que lá viviam e trabalhavam.

Mantendo o mesmo raciocínio foram criadas as reservas indígenas, os indígenas não foram ouvidos, quem decidiu de acordo com uma visão distorcida das necessidades das tribos foram os ditos especialistas – os membros da Funai. Novamente visão distorcida de que seria preciso isola-los em reservas para salvar a sua cultura, como diz a Deputada Federal do Amapá Silvia Waiãpi – “mantendo-os no ano de 1500”.

Tive a sorte de trabalhar na década de 1960 com o Dr. Noel Nutels, criador de dois serviços importantíssimos – o SPI (Serviço de Proteção ao Índio) e o SNT (Serviço Nacional de Tuberculose). Posso afirmar aos leitores que a filosofia e ação do SPI era totalmente diferente dos da Funai de hoje.

A doce ilusão dos ditos peritos indigenistas da Funai e a aprovação das mais altas autoridades do nosso sofrido país. Adeus às ilusões, a miscigenação cultural dos povos ao longo dos milênios foi sempre irreversível e inevitável. Alguém duvida? Cito um exemplo que está “na cara” de qualquer um – O Brasil.

Hoje com a “globalização” processo se acelerou. Não é correto, honesto e coerente impedir o desenvolvimento de um povo em nome de uma falsa proteção. Há uma frase muito famosa – “quem ama não mata

Agora a tal Reforma Agrária, novamente os especialistas escolheram a região com mais terras da União, por preguiça ou por falta de conhecimento das áreas onde viviam as vítimas em outros estados da “dita” Federação. Como consequência os produtores que necessitavam de terras para trabalhar foram engolidos pela tal reforma mal estudada e trabalhada, foram deslocados compulsoriamente para a Amazônia.

O que fazer? Precisavam de terra para trabalhar. A implantação das vítimas foi feita sem nenhuma coerência ou bom senso. Foram jogados em uma terra estranha sem conhecimento da realidade local, sem assistência técnica, sem assistência de saúde, sem abertura de portas para crédito especial, sem seguro rural ou seja foram simplesmente atirados e o governo festejando um sucesso que não houve. Política, sempre a política de aparência sem qualquer tipo de comprometimento.

Finalmente os voluntários, como na colonização do Brasil, aquele tipo de pessoa que vislumbrou e reconheceu a Amazônia como o “El Dorado” do mundo, não apenas brasileiros, que vieram em busca de sucesso em todas as áreas.

A natureza na nossa região pode ser uma mãe boa ou má, entretanto os órgãos ambientais são sempre padrastos maus cujo único papel é impedir o nosso desenvolvimento. Os fiscais de tais órgãos não conhecem a nossa história ou sofrem de mal de Alzheimer. Esqueceram totalmente que houve uma época que o produtor rural somente tinha direito à financiamento se desmatasse, pelo menos 50% da sua área e a maioria não acatou a norma.

E o desmatamento? Com a abertura das portas da Amazônia veio todo tipo de gente, as pessoas honestas, trabalhadoras e os bandidos que são os maiores causadores do desmatamento ilegal. A Amazônia representa mais de 50% do território nacional e sofre do problema crônico de falta de segurança.

Se sabe, através da grande mídia, que o resto do país, sofre dos mesmos problemas de segurança, muitas vezes mais graves, pasmem os leitores com um grande contingente de forças de segurança, com conforto, veículos, armamentos, boa alimentação e o retorno garantido para seus lares no final do expediente. O único estado que superou, corajosamente, seu problema de segurança e violência criminosa está no Centro Oeste – Goiás, mesmo assim trabalha diuturnamente para manter o “status “conquistado à duras penas.

O que a União espera? Que os produtores juntamente com os Estados e Municípios coíbam o problema da segurança que redundam em desmatamento? Coitados, a especialidade dos produtores é produzir e não possuem poder de polícia, já os estados e municípios impedidos no seu desenvolvimento por uma legislação cruel e desumana, erro de um passado, nem tão remoto, onde permitimos que a influência de “ongs” malévolas influíssem nas nossa leis.

Assim, eu acuso o Estado Brasileiro como o único responsável pelos problemas de desmatamento não oferecendo segurança suficiente para a região e seus cidadãos. Mais uma vez terceirizando uma responsabilidade que é sua. Todos os Amazônidas devem seguir o conselho de um grande estadista:

“Se você está atravessando o inferno, continue andando.” Sir Winston Churchill, militar, estadista e escritor britânico que serviu como primeiro-ministro do Reino Unido de 1940 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, e novamente de 1951 a 1955.

*Consultor em Agronegócio

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA  

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