Agropecuária

China investiga importação de carne; Mapa, Abrafrigo e Abiec se manifestam

O governo da China anunciou nessa sexta-feira (27/12) que investigará as importações de carne bovina do país. O anúncio foi feito pelo Ministério do Comércio chinês (Mofcom, na sigla em inglês). A investigação terá como foco o período de 1º de janeiro de 2019 a 30 de junho de 2024. O governo brasileiro, a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos) e a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) se manifestaram sobre a decisão a China, maior importador de carne bovina do Brasil.

A medida foi tomada em atendimento a pedido da Associação Chinesa de Agricultura Animal (CAAA). Segundo a entidade, o aumento das importações tem gerado impactos negativos na indústria nacional, com uma relação direta entre o crescimento das compras externas e os prejuízos enfrentados pelo setor.

“A indústria pecuária da China apela fortemente às autoridades para que tomem medidas de controle sobre a carne bovina importada, protegendo os meios de subsistência e a segurança industrial dos fazendeiros locais”, afirmou a CAAA em nota.

De acordo com o Mofcom, o volume de carne bovina importada aumentou significativamente entre 2019 e o primeiro semestre de 2024. Em 2023, as importações foram 64,93% maiores do que em 2019, enquanto no primeiro semestre de 2024 o crescimento foi ainda mais expressivo, atingindo 106,28% em relação ao mesmo período de 2019.

O anúncio da investigação deixou os pecuaristas brasileiros em alerta, uma vez que a China é responsável por cerca de 45% das exportações de carne bovina do Brasil, o principal destino da proteína brasileira.

Entre janeiro e outubro de 2024, o Brasil exportou 1,6 milhão de toneladas de carne bovina para o mercado chinês, em equivalente carcaça (TEC), unidade usada para padronizar a pesagem, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela consultoria SAFRAS & Mercados.

Além do Brasil, Austrália e Argentina também figuram como grandes fornecedores para a China.

Nota do governo brasileiro

O governo do Brasil divulgou nota sobre a medida adotada pela China. Leia abaixo:

“O governo brasileiro toma nota da comunicação, pelo Ministério do Comércio da China, do início de investigação para fins de aplicação de medidas de salvaguarda sobre as importações de carne bovina por aquele país.

A investigação, aberta na data de hoje (27/12), abrange todos os países exportadores de carne bovina para a China e deverá analisar o período que compreende o ano de 2019 até o primeiro semestre de 2024. A investigação deverá ter a duração de oito meses. Não há, em princípio, a adoção de qualquer medida preliminar, permanecendo vigente a tarifa de 12% “ad valorem” que a China aplica sobre as importações de carne bovina.

A China é o principal destino das exportações brasileiras de carne bovina, consolidando-se nos últimos anos como o maior parceiro comercial do Brasil em proteínas animais. Em 2024, as exportações brasileiras de carne bovina para o país somaram mais de 1 milhão de toneladas, representando aumento de 12,7% em relação ao mesmo período de 2023.

Durante os próximos meses, e seguindo o curso e os prazos legais da investigação, o governo brasileiro, em conjunto com o setor exportador, buscará demonstrar que a carne bovina brasileira exportada à China não causa qualquer tipo de prejuízo à indústria chinesa, sendo, pelo contrário, importante fator de complementariedade da produção local chinesa.

O governo brasileiro reafirma seu compromisso em defender os interesses do agronegócio brasileiro, respeitando as decisões soberanas do nosso principal parceiro comercial, sempre buscando o diálogo construtivo em busca de soluções mutuamente benéficas.”

A Abrafrigo e a Abiec também emitiram notas comentando a decisão chinesa. Leia abaixo:

Abrafrigo

“A Associação Brasileira de Frigoríficos – ABRAFRIGO, entidade que reúne produtores e exportadores de carne bovina do Brasil, informa que tomou conhecimento, na data de hoje, do Anúncio do Ministério do Comércio da República Popular da China nº 60, de 27 de dezembro de 2024, referente abertura de procedimento de investigação sobre medidas de salvaguarda sobre as importações de carne bovina daquele País.

O procedimento de abertura de investigação foi deferido pelo Ministério do Comércio, a partir de uma análise preliminar de informações atendendo solicitação de associações de pecuária chinesas, sob argumentos que remetem a um possível aumento drástico de importações de carne bovina no País asiático no período compreendido entre o ano de 2019 e o primeiro semestre de 2024. O processo de investigação terá prazo de 8 meses para ser concluído, podendo ser prorrogado.

A investigação do Ministério do Comércio envolve importações de carne bovina de todos os países que fornecem para o mercado chinês. Não foram adotadas medidas preliminares de salvaguarda ao comércio durante o período de investigação. O comércio de carne bovina com o País asiático, portanto, prossegue normalmente.

A ABRAFRIGO reconhece a grande importância da China como parceiro comercial do Brasil e se orgulha do comércio de carne bovina com o País asiático, o qual contribui para complementar o abastecimento do mercado chinês com eficiência, competitividade e qualidade. A ABRAFRIGO se coloca à disposição de autoridades do Brasil e da China, bem como dos parceiros comerciais da indústria da carne bovina brasileira, para colaborar com o procedimento de investigação, com confiança em uma solução equilibrada e que atenda aos interesses de ambos os mercados.”

Abiec

“A ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) acompanha com atenção a investigação anunciada hoje (27.12.2024) pelo Ministério do Comércio da China sobre as importações de carne bovina, envolvendo todos os países exportadores para aquele país, incluindo o Brasil.

Reconhecemos o papel estratégico do mercado chinês, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina. Em 2024, mais de 1 milhão de toneladas foram exportadas para a China, um suprimento fundamental para complementar a produção local chinesa, hoje estimada em 12 milhões de toneladas.

A ABIEC reafirma que a carne bovina brasileira exportada para a China é de alta qualidade e segue rigorosos padrões de sanidade e segurança. Como grandes parceiros comerciais, estamos comprometidos em cooperar com as autoridades chinesas e brasileiras, colocando-nos à disposição para fornecer quaisquer esclarecimentos e participar ativamente do processo de investigação, sob a liderança do Governo Brasileiro, especialmente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

A ABIEC reforça seu compromisso em apoiar o diálogo construtivo e fortalecer os laços de confiança com a China, contribuindo para soluções que atendam aos interesses de ambas as nações.”

Da redação, com Exame

 

 

AGROemDIA

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