A mentira do século
Gil Reis*
Não me estenderei na argumentação favorável à criação de bovinos, produção e consumo de carnes vermelhas. Apenas reproduzirei trechos da matéria “Não, Vox, medir arrotos e peidos não salvará o planeta”, publicada em 08/12/2024 pelo site ‘o que há com isso?’ (em português) e assinada por Linnea Lueken.
“Artigo recente na Vox, intitulado ‘Cientistas estão medindo arrotos e peidos. Isso pode ajudar a salvar o planeta ‘, afirma que o metano produzido por animais de fazenda está causando um aquecimento global perigoso e, portanto, que reduzir o metano relacionado à agricultura é essencial para limitar o aquecimento à meta de 1,5 °C estabelecida para fins políticos no acordo climático de Paris de 2015. Isso é falso. O metano relacionado a animais não é uma ameaça ao meio ambiente, contribuindo pouco ou nada para o aquecimento global.
O artigo faz referência principalmente aos esforços de pesquisa de cientistas na Colômbia que mediram a quantidade de metano que diferentes animais de fazenda produzem em seus arrotos e gases, dependendo do tipo de forragem que comem, para determinar a ração que produzirá menos metano. Os animais são colocados em câmaras e suas emissões são monitoradas.
Essas câmaras são parte de um projeto plurianual para reduzir a quantidade de metano produzido por animais de fazenda. Isso é importante. O metano é um potente gás de efeito estufa, responsável por cerca de 20 a 30 por cento do aquecimento global desde a Revolução Industrial. A maior parte das emissões globais de metano provém de atividades humanas, e a maior fonte única entre elas é a agricultura — ou seja, os arrotos de animais ruminantes, como gado, cabras e ovelhas, bem como seu esterco.
Vox cita a Agência Internacional de Energia, que não é uma organização científica, a propósito, para afirmar que a maioria das emissões de metano são devidas à atividade humana. Este não é um fato estabelecido e provavelmente é falso. Vários artigos de pesquisa revisados por pares, aqui e aqui, por exemplo, descobriram que fontes naturais de metano, como, mas não se limitando a liberações de pântanos e outras fontes agrícolas, como emissões de arrozais, são as maiores fontes de metano na atmosfera. De fato, pesquisas recentes indicam que as emissões humanas de metano, de operações de petróleo e gás, por exemplo, diminuíram nas últimas décadas, mesmo com o aumento da produção e o crescimento do metano atmosférico em geral – sugerindo um aumento de fontes naturais ou outras fontes humanas
Embora o metano seja, como diz Vox, um gás de efeito estufa ‘poderoso’ com muito mais potencial de aquecimento por molécula do que o dióxido de carbono, ele tem uma vida atmosférica curta, desempenhando um papel relativamente menor na atmosfera quando se trata de aquecimento a longo prazo. A NASA, uma fonte para a história de Vox, admite isso. O que Vox e NASA negligenciam mencionar, no entanto, é que as bandas de absorção do metano ocorrem em comprimentos de onda que o gás de efeito estufa mais poderoso e abundante, o vapor de água, que compõe 97 por cento dos gases de efeito estufa na atmosfera, já cobre. O metano, um pequeno gás traço, é um jogador muito menor, apesar do alarmismo em torno dele.
Com isso em mente, é mais útil olhar para as emissões de gases de efeito estufa em geral. Dados da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) com foco nos Estados Unidos (já que a nação tem os melhores e mais facilmente disponíveis dados) mostram claramente que as emissões pecuárias são uma pequena parte das emissões humanas em geral.
A Vox tem como alvo específico a produção de carne bovina, escrevendo: ‘Sem abordar as emissões do setor alimentício, é impossível limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius, além do qual a mudança climática será catastrófica. Reduzir o consumo de carne (e especialmente de carne bovina) é provavelmente a parte mais importante desse esforço, mas é uma batalha árdua, pois o consumo de carne deve aumentar globalmente nos próximos anos.’
Mas a produção de carne bovina representa apenas 2% de todas as emissões de gases de efeito estufa dos EUA, e é superada em emissões pela agricultura de cultivo, que contribui com 10,2% das emissões dos EUA. Esses números são provavelmente semelhantes na maioria dos países ocidentais. O Climate Realism cobriu esses fatos várias vezes antes, aqui, aqui e aqui, por exemplo. Os fatos não mudaram, mas os argumentos dos alarmistas climáticos nunca são revisados ou melhorados.
Esses dados corroboram a pesquisa feita pelo Prof. Habil Wilhelm Windisch, Ph.D., da Universidade Técnica de Munique, que indica que as contribuições dos ruminantes para as emissões de gases de efeito estufa são exageradas por grupos alarmistas climáticos e veículos de comunicação como a Vox, por um fator de 3 a 4, no mínimo. Além disso, as emissões de metano têm diminuído constantemente nos Estados Unidos desde a década de 1990, de acordo com dados da EPA.
Pode valer a pena executar os experimentos da ‘câmara de gás do gado’ para fins de coleta de dados, ou para aprender mais sobre a digestão de ruminantes e como melhorar a digestão eficiente dos alimentos que o gado consome. No final das contas, porém, é um desperdício de tempo e dinheiro se o objetivo for parar o aquecimento gradual do planeta. Tudo o que provavelmente conseguirá é direcionar dólares adicionais de pesquisa para acadêmicos que atacam a agricultura moderna, de alto rendimento e intensiva em combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que tornam a carne mais cara, dificultando que as pessoas mais pobres do mundo a tenham. Os próprios comentários da Vox indicam claramente que eles apoiam a redução do consumo de carne e seu aumento projetado no mundo em desenvolvimento – em suma, os autores presumiram desde o início que as emissões de metano do gado estavam contribuindo para uma mudança climática perigosa, o que é, de fato, algo que eles deveriam ter que provar. Como tal, a Vox está disposta a enganar e ignorar dados relevantes para defender a redução do consumo de carne como crítica para combater o que os autores percebem como uma mudança climática perigosa.”
A matéria assinada por Linnea Lueken nos demonstra que a argumentação utilizada pelos ambientalistas contra a produção de bovinos como a ‘mentira do século’ e nos faz perguntar – quais são os interesses escusos que deram origem à tal mentira? Deixo a critério do leitor, de imaginação fértil, fazê-lo.
Linnea Lueken revela e corrobora o que venho afirmando nos meus artigos, o gás que mais contribui para o aquecimento global é o vapor d’água na atmosfera. Fica aqui o desafio aos cientistas que pregam a mitigação do aquecimento global para que nos digam como mitigar o vapor d’água existente na nossa atmosfera. Vamos impedir a evaporação dos nossos rios, lagos e oceanos? Vamos alterar as mudanças de temperatura dos nossos oceanos?
“A patifaria tem limites; a estupidez, não.” – Napoleão Bonaparte.
*Consultor em Agronegócio
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

