Setor privado lança marca para promover cacau brasileiro no mercado mundial
Com o objetivo de ampliar o reconhecimento do cacau nacional como sustentável e de qualidade, a Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau e Sistemas Agroflorestais, o Centro de Inovação do Cacau (CIC), o CocoaAction Brasil, a Federação da Agricultura do Estado da Bahia e o Instituto Arapyaú se uniram para lançar a marca Cacau Brasileiro – Gente, Floresta e Cultura. A iniciativa pretende promover a imagem do produto em mercados estratégicos, como os Estados Unidos e países da Europa, e tem como meta colocar o Brasil entre os maiores exportadores de cacau sustentável e seus derivados, até 2030.
A marca destaca os atributos únicos do cacau do Brasil no cenário internacional: com aproximadamente 80% da produção de origem agroflorestal (quando o cacau é cultivado em consórcio com outras espécies florestais), o país adota práticas agrícolas que mitigam as mudanças climáticas, conservam a biodiversidade e geram prosperidade social – no Brasil, o fruto é produzido principalmente por agricultores familiares e em pequenas propriedades. Além disso, o país tem investido na produção de amêndoas de alta qualidade, tendo conquistado prêmios internacionais.
Cacau Brasileiro quer mostrar que possui vantagens comparativas em aspectos importantes. “Além de manter as florestas brasileiras em pé, o cacau gera emprego e renda e tem uma produção entrelaçada a tradições locais, receitas e festivais. Valorizar o cacau é também preservar a identidade cultural das comunidades. Não existe cacau sem pessoas. O cacau brasileiro é coletivo”, afirma Ricardo Gomes, gerente de Desenvolvimento Territorial do Instituto Arapyaú.
A iniciativa pretende posicionar o cacau brasileiro como um embaixador da bioeconomia e um símbolo de sustentabilidade e inovação. “Queremos atrair parceiros internacionais comprometidos com critérios ambientais, sociais e de governança (ESG). E há no contexto global um cenário favorável, diante da crescente demanda por produtos agrícolas que não sejam resultado de desmatamento, por exemplo”, reforça Cristiano Villela, diretor científico do CIC. A iniciativa terá ações voltadas a produtores de cacau, como capacitações e treinamentos focados em práticas agrícolas sustentáveis, para aumentar a produtividade e atratividade no mercado externo; a importadores internacionais, com o objetivo de atrair o interesse de moageiras e chocolateiras de mercados exigentes; a órgãos governamentais e diplomáticos, estabelecendo parcerias e negociações comerciais.
Outro foco da marca é ampliar a conscientização sobre os benefícios do cacau sustentável. Atualmente sexto maior produtor de cacau do mundo, o Brasil produz cerca de 200 mil toneladas de amêndoas por ano, mas ainda não é autossuficiente. Ou seja, precisa importar para suprir sua demanda interna. “A aposta da iniciativa é somar esforços com políticas públicas que contribuam para que o país retome o protagonismo da cadeia de valor e suprimentos global do cacau”, diz Guilherme Salata, coordenador do CocoaAction Brasil.
De acordo com um relatório da AYA Chocolates, que colaborou com o Plano de Transformação Ecológica do Governo Federal, até 2030 o Brasil tem potencial de participar com 13% do mercado global de cacau. Com isso, estaria entre os três maiores produtores do mundo, gerando US$2,3 bilhões em receita e ofertando até 300.000 empregos.
“Temos capacidade de aumentar a produção para responder à crescente demanda mundial, transformando áreas degradadas em sistemas agroflorestais (SAFs)”, explica Anna Paula Losi, presidente executiva da AIPC. “O envolvimento direto dos produtores, aliado ao suporte de instituições públicas e privadas, será essencial para atingir os objetivos de tornar o Brasil protagonista no setor”, afirma Guilherme Moura, vice-presidente da FAEB.

