Brasil quer ampliar venda de carne bovina para a China
Da redação, com G1
A guerra comercial global deflagrada pelos Estados Unidos pode abrir oportunidades para o Brasil no mercado chinês. Em uma das respostas ao tarifaço do presidente Donald Trump, a China suspendeu as compras de carne bovina de quase 400 frigoríficos estadunidenses. Com isso, o Brasil vê uma brecha para aumentar as exportações de carne bovina para o país asiático
De acordo com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o Brasil vai se colocar à disposição da China para “substituir” frigoríficos dos Estados Unidos no comércio de carne bovina.
A “oportunidade”, como chamou Fávaro, surgiu a partir de um ato do governo chinês, que, em meio ao avanço da guerra tarifária americana, retirou a autorização de quase 400 plantas frigoríficas dos EUA para vender carne bovina à China.
O espaço aberto com a desabilitação dos frigoríficos americanos, na avaliação do ministro, poderá ser “ocupado” pelo Brasil.
“Há poucos dias, nas carnes bovinas, o governo chinês deixou de habilitar 395 plantas. Alguém vai precisar fornecer essa carne, que era fornecida pelos norte-americanos. O Brasil se apresenta, com muita vontade e capacidade, e tenho certeza de que vamos saber ocupar esse espaço e ser um grande fornecedor”, disse Carlos Fávaro à imprensa, na última quinta-feira (17).
Outros mercados
O ministro da Agricultura afirmou que o esforço do governo brasileiro para ampliar a venda de proteínas no mundo não se limita à China.
Segundo ele, negociações também têm ocorrido com o Japão, a partir de um acordo firmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em visita ao país em março.
“Por óbvio, queremos ampliação com a China. Acho que, diante da não reabilitação de quase 400 plantas nos EUA, eles vão precisar se decidir, e vamos nos apresentar”, declarou.
O ministro da Agricultura informou que representantes da alfândega chinesa devem se reunir com o governo brasileiro na próxima terça-feira (22). As conversas, de acordo com ele, vão tratar da ampliação comercial entre os países, além de debater a adoção de protocolos conjuntos.
As tratativas entre as áreas técnicas do Brasil e da China podem pavimentar as negociações entre o presidente Lula e o presidente chinês, Xi Jinping. Com viagem marcada para maio, Lula deve colocar a ampliação comercial como uma das pautas das agendas na China.
Ao ser questionado se o Brasil tem estrutura para substituir totalmente os EUA no mercado chinês, Fávaro disse que o país “não pode ter essa pretensão”.
O ministro afirmou, no entanto, que, “sem sombra de dúvida”, o Brasil é um dos “pouquíssimos” países do mundo capaz de expandir a área produtiva em dezenas de milhões de hectares.
“Certamente, gradativamente, o Brasil será a segurança alimentar. Não só para a China, mas para todos os países do mundo”, disse.
Encontro do Brics
As declarações do ministro ocorreram em um dos intervalos de uma reunião entre ministros de Agricultura do Brics, um bloco criado para fomentar a cooperação entre 11 economias emergentes, como China e Rússia, e que tem, neste ano, o Brasil na presidência.
No encontro, em Brasília, os ministros devem concluir e divulgar uma declaração conjunta, que abrangerá compromissos do bloco com a agropecuária, o desenvolvimento sustentável e um plano de ação para os próximos quatro anos.
De acordo com Fávaro, embora o encontro não tenha sido convocado em razão do “tarifaço” americano, parte das discussões foi sobre mecanismos para que os países do Brics superem obstáculos criados por barreiras comerciais e protecionismo.
Um dos pontos tratados e defendidos em consenso pelo bloco, pontuou o ministro, é a necessidade de ampliar o comércio de produtos agropecuários intrabloco.

