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Mapas como fontes de conhecimento

Gil Reis*

A grande maioria desconhece a importância dos mapas até por desconhecer como interpretá-los ou por falta de acesso. No mundo hodierno os mapas são utilizados, de várias formas, na nossa vida diária. Mesmo quando não percebemos os mapas são utilizados por todos nós. Diariamente estão sendo elaborados mapas pelos satélites é a cartografia sem necessidades de cartógrafos viajando por todo planeta para que percebamos os limites dos países, os mares, os terrenos, as florestas, montanhas, desertos, pantanais, até mais, a correção da história.

O site Geocracia publicou, em 13/06/2025, a matéria “Mapas descobertos reescrevem a história da ocupação holandesa no Brasil”, que transcrevo.

“Dois mapas raros, recém-adquiridos pelo Instituto Flávia Abubakir, estão levando historiadores a repensar a narrativa tradicional sobre a ocupação holandesa no Brasil. Um deles, datado de 1654, retrata com detalhes o cerco e a expulsão dos invasores do Recife, e teve recentemente sua autoria confirmada: trata-se de João Teixeira Albernaz 2º, herdeiro de uma linhagem notável de cartógrafos portugueses. A identificação, feita por Bruno Ferreira Miranda e Pablo Iglesias Magalhães, baseou-se na caligrafia e em traços específicos recorrentes na obra da família Albernaz.

O documento mostra com precisão militar o avanço da frota luso-brasileira composta por 60 embarcações, destacando trincheiras e acampamentos montados antes da retomada do Recife. Para Magalhães, o mapa não apenas ilustra a resistência portuguesa, mas também reforça a função da cartografia como arma estratégica e instrumento de prova. “Mais do que representação territorial, esses desenhos eram instrumentos de poder e controle sobre os territórios disputados”, afirma o especialista no período do Brasil holandês.

Outra preciosidade identificada pelo Instituto é um mapa datado de 1624, que retrata a cidade de Salvador durante a invasão holandesa à Bahia. O conjunto dessas duas obras oferece uma nova leitura sobre os episódios que marcaram a presença flamenga no Brasil, fornecendo dados inéditos sobre as estratégias militares e a ocupação urbana nas capitais do Nordeste. Ambos os documentos reforçam o protagonismo português na recuperação do território e mostram o Brasil como espaço central nas disputas coloniais do século XVII.

Os mapas já estão disponíveis para consulta pública no site do Instituto Flávia Abubakir, que planeja publicar em breve um estudo aprofundado com as conclusões da equipe de historiadores. As descobertas prometem ampliar o debate sobre a memória visual da ocupação holandesa e colocam a cartografia histórica no centro das discussões sobre identidade, soberania e patrimônio no Brasil colonial.”

Já, anteriormente, em 15/03/2024, o site Geocracia publicou a matéria “Os mapas como espelhos de nossa sociedade: reflexões e transformações culturais” que nos mostra a importância dos mapas e que também transcrevo.

“Mapas são descritos como moldadores de nossas vidas, não apenas indicando onde estamos, mas também quem somos, conforme relatado por Mike Duggan, professor de Cultura Digital, Sociedade e Economia na King’s College de Londres em artigo para o The Conversation. A integração dos mapas na vida cotidiana tornou-se tão profunda que a maioria das pessoas acha difícil imaginar um mundo sem eles. É relatado que pelo menos um mapa é utilizado por cada um de nós todos os dias, e alguns de nós utilizam vários, especialmente agora que se tornaram uma das interfaces dominantes de nossa sociedade digital, juntamente com telas de rolagem, visão de câmera e motores de busca.

Duggan menciona que também estamos sendo mapeados, de maneira sutil ou explícita, através dos rastros de dados de GPS e localização que deixamos, as jornadas que realizamos e os tipos de atividades que desempenhamos em nosso cotidiano. São destacadas também as formas mais analógicas pelas quais os mapas fazem parte de nossas vidas: mapas do tesouro de piratas da infância e atlas que revelam um mundo pronto para a aventura; mapas em plataformas ferroviárias ou estações de acoplamento de bicicletas; e mapas no verso de panfletos entregues em nossas portas.

A cartografia é descrita como uma das tecnologias mais bem-sucedidas que desenvolvemos para entender o mundo ao nosso redor. Ao mesmo tempo, os mapas se tornaram objetos culturais e artísticos importantes que valorizamos grandemente. Eles podem ser úteis e pragmáticos, belos e poéticos, políticos e poderosos, significativos e também mundanos.

Duggan relata que, ao longo dos últimos dez anos, culminando em seu livro ‘All Mapped Out’, seu trabalho o levou a questionar o que os mapas significam para as pessoas em seu dia a dia e, por sua vez, como os mapas moldam suas experiências. Os mapas teriam recebido muita atenção de pesquisadores e da indústria ao longo dos anos, principalmente com o objetivo de produzir o mapa mais preciso e utilizável para um determinado propósito, ou estudando como os interesses poderosos são refletidos nos mapas. Mas só recentemente o trabalho começou a explorar o que eles fazem para moldar a vida social e cultural.

Os mapas e o que fazemos com eles não podem ser definidos universalmente. Ideais e ideias sobre mapas frequentemente entram em conflito com a realidade de como e por que os mapas são usados. Ao reunir sua própria pesquisa estudando usuários de mapas em Londres e o trabalho de outros que pesquisaram práticas de mapeamento ao redor do mundo, ele deseja mostrar como os usos dos mapas são moldados por diferentes culturas, comunidades, contextos e tecnologia.

Uma maneira de explorar isso é olhando para o impacto que a tecnologia GPS teve no mapeamento de nossos movimentos. Hoje, milhões de pessoas usam essa tecnologia para revelar suas rotinas de exercícios, o que, por sua vez, apoia uma indústria que vale bilhões. Mas o autor faz mais do que identificar mapas que mudaram o mundo ou traçar a história dos mapas e da sociedade. Em vez disso, ele deseja mostrar que todos os mapas têm o potencial de mudar o mundo e moldar a sociedade. Trata-se apenas de onde você olha e de qual mundo você está interessado.

Com seu livro, Duggan espera inspirar outra visão sobre os mapas, primeiro através da lente da navegação, talvez a atividade mais fortemente associada aos mapas, depois através do movimento e como os mapas moldam nossa percepção dele.”

Nestas duas matérias, mesmo que superficialmente, o leitor pode entender a importância dos mapas na vida de cada um, acima de tudo, a importância atual dos satélites em seus caminhos no entorno de nosso planetinha com as suas informações transmitidas para os diversos serviços que utilizamos diariamente.

“Lamentavelmente o Brasil é refém dos países proprietários dos satélites por não possuir substitutos para os satélites que usa. Basta que um país que tem propriedade sobre satélites cortar os serviços contratados para que fiquemos cegos, surdos e mudos. Para a segurança de todos os brasileiros é preciso que os governos invistam pesadamente na tecnologia” – Anônimo.

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

 

 

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