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EUA precisam da Groenlândia

Gil Reis*

Não é a primeira vez que os americanos buscam anexar territórios. Talvez valha relembrar algumas das anexações territoriais feitas pelos EUA.

A Cessão Mexicana (em castelhano: Cesión mexicana) é o nome histórico para a região do atual sudoeste dos Estados Unidos que foi entregue pelo México em 2 de fevereiro de 1848, com a assinatura do Tratado de Guadalupe Hidalgo, depois da Guerra Mexicano-Americana. A cessão deste território do México era uma condição para o final da guerra, quando as tropas dos Estados Unidos ocuparam a Cidade do México, e o México arriscou-se a ser completamente anexado por aquele país. Os Estados Unidos também pagaram quinze milhões de dólares (mais de 300 milhões ao câmbio de 2008) pela terra, que era a metade do que tinham oferecido pela terra antes da guerra. As terras entregues pelo México constituem 14,9% da área total do território dos Estados Unidos de hoje.

Em 1897, o presidente dos EUA, William McKinley, assinou um tratado de anexação para a República do Havaí, que nunca foi ratificado pelos Estados Unidos. Em abril de 1898, os Estados Unidos entraram em guerra com a Espanha e a República do Havaí declarou sua neutralidade. Na prática, o Havaí deu enorme apoio aos Estados Unidos, que demonstraram seu valor como base naval em tempos de guerra e obtiveram ampla aprovação norte-americana por seu comportamento não neutro. Com a oposição enfraquecida, o Havaí foi anexado pela Resolução de Newlands, por meio do método de acordo Executivo.

Anexação do Texas de 1845: Em 1836, a República do Texas votou para ser anexada pelos Estados Unidos. Apesar do fato do México ainda reivindicar o Texas e o líder mexicano Antônio López de Santa Anna avisar que isso seria ‘equivalente a uma declaração de guerra contra a República Mexicana’, o presidente John Tyler assinou um tratado de anexação com Texas em abril de 1844. Depois que James Polk, um forte defensor da expansão territorial, ganhou a presidência, mas antes que ele tomasse posse, o Congresso aprovou a anexação do Texas em 28 de fevereiro de 1845. Em 29 de dezembro de 1845, o Texas tornou-se o 28º Estado. O Texas reivindicou o Novo México, a leste do Rio Grande, mas só tinha feito uma tentativa frustrada de ocupá-lo; o Novo México foi só capturado pelo Exército dos EUA em agosto de 1846 e administrado separadamente do Texas. A resistência terminou com o cerco de Pueblo de Taos em 5 de fevereiro de 1847. O México reconheceu a perda do Texas e do Novo México no Tratado de Guadalupe Hidalgo, assinado 2 de fevereiro de 1848.

A bola da vez é a Groelândia. A Reuters publicou, em 23 de dezembro de 2025, a Matéria “Trump afirma que os EUA precisam da Groenlândia para segurança e nomeia enviado para liderar a iniciativa”, assinada por Steve Holland, que transcrevo trechos.

“O presidente Donald Trump reafirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos precisam da Groenlândia para sua segurança nacional e disse que um enviado especial que ele nomeou para a ilha ártica ‘liderará a iniciativa’. No domingo, Trump nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como seu enviado especial para a Groenlândia, atraindo novas críticas da Dinamarca e da Groenlândia sobre o interesse de Washington na ilha ártica rica em minerais. Trump defendeu que a Groenlândia, um território dinamarquês autônomo, se torne parte dos Estados Unidos, citando sua importância estratégica e seus recursos minerais. Landry, que assumiu o cargo de governador em janeiro de 2024, apoia publicamente a ideia.

‘Precisamos da Groenlândia para a segurança nacional, não para minerais… Se você olhar para a Groenlândia, para cima e para baixo na costa, verá navios russos e chineses por toda parte. Precisamos dela para a segurança nacional. Temos que tê-la’, disse Trump a repórteres em Palm Beach, Flórida, acrescentando que Landry queria ‘liderar a investida’.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmaram anteriormente em uma declaração conjunta que a Groenlândia pertence aos groenlandeses. ‘Não se pode anexar outro país. Nem mesmo com o argumento da segurança internacional’, disseram. ‘A Groenlândia pertence aos groenlandeses e os EUA não vão tomar posse da Groenlândia.’ Em uma postagem no X, Landry agradeceu a Trump: ‘É uma honra servir… nesta posição voluntária para tornar a Groenlândia parte dos EUA. Isso não afeta de forma alguma minha posição como governador da Louisiana!’

Na segunda-feira, o governo Trump aumentou a pressão sobre Copenhague ao suspender os contratos de arrendamento de cinco grandes projetos de energia eólica offshore em construção na costa leste dos EUA, incluindo dois desenvolvidos pela Orsted, empresa estatal dinamarquesa.

VALOR ESTRATÉGICO DA GROENLÂNDIA

A Groenlândia, antiga colônia dinamarquesa com uma população de cerca de 57.000 habitantes, tem o direito de declarar independência segundo um acordo de 2009, mas continua fortemente dependente da pesca e dos subsídios dinamarqueses. Sua posição estratégica entre a Europa e a América do Norte faz dela um local fundamental para o sistema de defesa antimíssil balístico dos EUA, enquanto sua riqueza mineral aumentou o interesse americano em reduzir a dependência das exportações chinesas.

Após a nomeação feita por Trump no domingo, Nielsen, da Groenlândia, comentou no Facebook: ‘Acordamos novamente com um novo anúncio do presidente dos EUA. Isso pode parecer importante, mas não muda nada para nós. Nós decidimos o nosso próprio futuro.’

TENSÕES DIPLOMÁTICAS AUMENTAM

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, disse na segunda-feira que convocaria o embaixador dos EUA, Kenneth Howery, que havia prometido ‘respeito mútuo’ durante uma visita recente à Groenlândia. ‘Do nada, surge um representante especial do presidente dos EUA que, segundo ele próprio, tem a missão de assumir o controle da Groenlândia. Isso é, obviamente, completamente inaceitável’, disse Rasmussen à TV2. Ao longo do último ano, a Dinamarca procurou reparar as relações tensas com a Groenlândia, ao mesmo tempo que tentou amenizar as tensões com a administração Trump, investindo na defesa do Ártico para responder às críticas dos EUA sobre a segurança inadequada. ‘É uma situação difícil na qual nossos aliados de longa data estão nos colocando”, disse a primeira-ministra Frederiksen em uma publicação no Instagram.

Mikkel Vedby Rasmussen, professor de ciência política na Universidade de Copenhague, disse à Reuters: ‘Essa nomeação mostra que todo o dinheiro que a Dinamarca investiu na Groenlândia, na defesa do Ártico, e todas as declarações amistosas que fizemos aos americanos, não surtiram efeito algum.”

Ainda não dá para prever o resultado desse impasse, mas vale apena ler o que um anônimo escreveu.

“Então a menininha disse à ‘fessora’: Meu irmão acha que é uma galinha. A professora respondeu: Oh, Deus do céu! O que é que vocês estão fazendo para ajudar o pobre menino? A menininha respondeu: Nada. Mamãe diz que a gente tá precisando de ovos.”

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

 

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