Mandioca impulsiona desenvolvimento em assentamento no DF

produtor de mandioca
Produtor Wellington compartilha experiência em roda de prosa – Fotos: Emater-DF

A mandioca é o alimento que une o Brasil, diz Alex Atala, o chef mais premiado do país e conhecido pelas pesquisas sobre a culinária regional nacional. Valorizar o cultivo da raiz que pode ser consumida tanto in natura quanto como farinha ou polvilho é essencial para o desenvolvimento regional da agricultura brasileira. É e isso o que está ocorrendo no assentamento Contagem, em Sobradinho (DF), como forma de oferecer alimento seguro à população e garantir renda e qualidade de vida às famílias do campo.

O produtor rural Wellington Rodrigues é um dos que optaram pela mandioca como principal lavoura de sua propriedade. Desde 2005, a planta vem dando bons resultados financeiros a Wellington, a seus familiares e vizinhos. Ele já cultivou pimentão, cebola, arroz e tomate, mas a raiz sempre foi a prioridade.

“É um alimento que podemos vender in natura. Além disso, rende até seis sub-produtos – como a farinha e o polvilho, por exemplo –, o que aumenta as possibilidades de renda”, diz Wellington, morador do assentamento há quase 20 anos. A mãe, Luzia Rodrigues, e seus irmãos residem em chácaras vizinhas e também trabalham com a atividade.

Num esforço conjunto com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Emater-DF vem investindo na qualificação dos produtores para extrair o que de melhor a mandioca pode oferecer. Como parte da iniciativa, a Emater-DF  reuniu mais de 90 pessoas no Dia Especial da Mandioca, na propriedade de Wellington, na quinta-feira (31/8).

Os temas tratados no encontro foram o manejo da irrigação e comercialização da mandioca. Em seguida, uma roda de prosa proporcionou o compartilhamento de experiências e apresentação de dúvidas de produtores e técnicos. Após o almoço, um concurso de receitas com pratos à base da raiz encerrou a atividade.

Segundo a engenheira agrônoma Clarissa Ferreira, do escritório da Emater-DF em Sobradinho, o dia especial cumpriu seu objetivo. “Levamos qualificação ao produtor, ouvimos suas demandas e agora vamos direcionar nosso trabalho com base no que eles nos apresentaram.”

mandioca pao
Pães de mandioca feito pela agroindústria de Contagem, coordenada por Maria das Dores (D)

Variedades plantadas

Entre as variedades de mandioca plantadas na região, destaca-se a “japonesinha” — hoje, a mais difundida no DF e também no estado de São Paulo –, com boa aceitação no mercado.

“A parceria com a Embrapa, que testou dezenas de variedades, foi fundamental. Aliado à pesquisa, temos a tecnificação, com irrigação adequada e cultivo protegido. Mas nada disso teria dado resultado se não fosse a persistência, dedicação e o trabalho dos agricultores”, assinala o agrônomo Gerlan Teixeira, que durante anos foi do escritório da Emater em Sobradinho.

O assentamento Contagem foi criado em 1994 e tem 49 famílias. A comunidade fica na divisa norte do Distrito Federal com Goiás e é cortada pelos rios Contagem e Maranhão. Com uma altitude média de 750m acima do nível do mar — quase 500 abaixo de Brasília —, a região é propícia ao cultivo da mandioca e outras culturas de sequeiro.

Da redação, com informações da Emater-DF

 

 

 

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