Embrapa, IMAmt e Abrapa firmam parceria para combater bicudo do algodão

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Projeto contará com R$ 18 milhões ao longo de cinco anos – Sebastião Araújo/Embrapa

Um acordo de cooperação para o desenvolvimento de algodão transgênico resistente ao bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis) será assinado nesta quarta-feira (6), em Brasília.  A pesquisa envolverá a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), com financiamento da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), por meio do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA). Nesta primeira fase do projeto, serão investidos cerca de R$ 18 milhões ao longo de cinco anos.

O bicudo do algodoeiro afeta todas as regiões produtoras do Brasil e representa um custo adicional de US$ 250 por hectare, além das perdas de produtividade e impactos sobre a saúde humana e meio ambiente.

Segundo o chefe-geral da Embrapa Algodão, Sebastião Barbosa, a unidade já vem trabalhando no desenvolvimento de plantas resistentes ao bicudo, mas a injeção de recursos externos acelerará as atividades nesse projeto. “Nossa expectativa é de que em 10 anos possamos ter a semente desse algodão resistente ao bicudo disponível ao produtor”, diz Barbosa.

A Embrapa Algodão já está trabalhando na modificação de plantas do algodoeiro, introduzindo genes da bactéria Bacillus thuringiensis, que produz toxinas letais para alguns insetos. “O trabalho vem sendo realizado em laboratórios e casas de vegetação, havendo ainda muitas etapas a serem percorridas até que uma planta resistente possa ser cultivada comercialmente”, acrescenta Barbosa.

Plataforma do algodão

Denominado Plataforma do Algodão, o projeto terá componentes de curto, médio e longo prazos que permitirão o desenvolvimento de tecnologias diversificadas para combate ao bicudo. Entre as etapas do projeto estão a prospecção de genes e promotores moleculares, a transformação genética de plantas de algodão e estudos da eficiência das plantas transgênicas no controle do bicudo em laboratório, casa de vegetação e a campo.

O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Algodão, Liv Severino, revela que nos trabalhos prévios já estão sendo obtidas plantas que impedem a sobrevivência do bicudo. “É apenas o primeiro passo, mas nos deixa otimistas de que conseguiremos desenvolver plantas que propiciem controle eficaz dessa praga. A Plataforma do Algodão pretende ser um trabalho continuado que desenvolverá novas opções de combate ao bicudo, além da tecnologia Bt que está sendo considerada nessa primeira fase”, ressalta.

De acordo com o coordenador da Plataforma do Algodão na Embrapa, pesquisador Jaime Cavalcanti, as ações serão executadas em Campina Grande e Goiânia, onde as plantas transformadas por todos os parceiros serão avaliadas quanto à transformação genética para resistência ao bicudo do algodoeiro.

“Inicialmente serão conduzidos bioensaios em casa de vegetação com as plantas que já haviam sido transformadas pela equipe da Embrapa Algodão e, posteriormente, com as novas plantas desenvolvidas ao longo do projeto. Para tanto, essas plantas serão desafiadas contra o bicudo em diferentes fases de desenvolvimento do inseto. As plantas selecionadas serão avaliadas por meio de diversas técnicas moleculares para confirmar a presença e a expressão dos transgenes e suas toxicidades”, acrescenta Cavalcanti.

Praga

Mais de três décadas após a sua chegada ao Brasil, o bicudo do algodoeiro permanece como o maior problema fitossanitário do cultivo e está disseminado por todas as regiões produtoras de algodão. “A grande disponibilidade de alimento e abrigo causada principalmente pela destruição ineficiente dos restos de plantas da safra anterior permite ao bicudo alta capacidade de sobrevivência e reprodução”, assinala o pesquisador da Embrapa Algodão, entomologista José Ednilson Miranda.

Apesar de já existirem no mercado várias opções de algodão geneticamente modificado resistentes a lagartas, ainda não existe algodoeiro resistente ao bicudo, que sozinho é responsável por mais de 10% dos custos totais de produção da cultura. Os produtores de algodão fazem cerca de 15 aplicações de inseticida numa única safra e há casos em que esse número chega a 40 aplicações.

Da redação, com informações da Embrapa

 

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