Brasil desperdiça 37% da produção de melão

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Agência Brasil/EBC

O Brasil perdeu 195 mil toneladas de melão, o equivalente a 37% do total produzido em 2015. A produção correspondente a uma área de 7 mil hectares cultivados foi perdida naquele ano, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). No entanto, a Embrapa diz que não se pode determinar o que ficou no campo, o que se perdeu no transporte, o que estragou no supermercado ou o que foi para o lixo doméstico.

“Trinta e sete por cento foram perdidos. Nós estamos usando “perdido” no sentido literal da palavra. Não sabemos onde estão. Não existem dados oficiais que nos permitam saber o que foi feito. Sabemos que a indústria nacional do melão é muito pequena”, diz o pesquisador na área de tecnologia pós-colheita Ebenezer de Oliveira Silva, da Embrapa Agroindústria Tropical.

No caso do melão, a grande perda ocorre na cadeia de comercialização – é a chamada perda cosmética. “Frutos com pequenas deformações e que são jogados fora porque o consumidor não vai comprar aquilo. Por causa do alto padrão de qualidade exigido pela população, muito do que é produzido é jogado fora”, explica o cientista.

Países em desenvolvimento, como o Brasil e o México, apresentam tanto perdas por falta de infraestrutura, quanto as consideradas perdas cosméticas. “Nossa estrutura de pós-colheita não é suficiente o bastante para suportar as grandes produções de frutas que temos. Associado a isso, há uma classe média desenvolvida muito grande, o que repercute em um alto índice de perda cosmética”, esclarece Ebenezer Silva.

Redução da fome e sustentabilidade

Uma das estratégias da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para redução da fome e garantia da sustentabilidade é minimizar as perdas pós-colheita de frutas e hortaliças. A outra é aproveitar o que seria perdido na indústria, o que vai ao encontro da proposta do suco-base desenvolvido pela Embrapa.

“Uma das maneiras de reduzir as perdas pós-colheita é criar tecnologias para o processamento, dando uma outra utilização ao fruto. A indústria do melão no Brasil é muito pequena, por isso acreditamos que essa tecnologia poderia dar um ganho tanto para a indústria quanto para os produtores”, diz.

Para o pesquisador, a proposta de aproveitar melão como suco-base é interessante para reduzir as chamadas perdas cosméticas. “São melões de alta qualidade, que, por não atingirem alta exigência para os padrões de mercado, podem ser utilizados na industrialização. Para produzir, por exemplo, um suco concentrado e desaromatizado que poderia ser um ingrediente para a indústria de alimentos, principalmente indústria de sucos e outros”, acredita.

De acordo com ele, é necessário observar também outras possibilidades de industrialização. Já existe em alguns países o aproveitamento do melão para a produção de cremes hidratantes e protetores solares. “Uma alternativa seria descobrir quais são as substâncias ativas no melão e desenvolver insumos para a indústria brasileira de cosméticos”, propõe. O especialista alerta que existem várias possibilidades de usar melão como produto. “Mas o de maior volume, seria o suco concentrado,” afirma.

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Informações melão – Ano  de Referência 2015

Dados de produção, consumo per capita e população são do IBGE -2015

Dados de exportação MDIC-Aliceweb  http://aliceweb.mdic.gov.br/

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Consumo hídrico:  https://link.springer.com/article/10.1007/s11367-013-0630-0 Fonte: Pegada de carbono   http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0959652612004805

Verônica Freire (Embrapa Agroindústria Tropical)

 

AGROEMDIA

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