Brasil não consegue ultrapassar condição de exportador de commodities agrícolas

Na coluna Vaivém das Commodities desta terça-feira (17), na Folha de S.Paulo, Mauro Zafalon faz interessante análise sobre o fato de o Brasil ter dificuldade histórica de agregar valor ao produto, embora seja um grande exportador de commodities agrícolas.
O resultado disso, assinala o colunista, pode ser observado agora com a soja, que segue o exemplo do café: em ambos os casos, o país lidera as exportações mundiais em grãos, mas não consegue ter ganhos maiores porque não vende produto com valor agregado.
Mais do que discurso, a agregação de valor ao produto agrícola exige uma série de medidas práticas. Os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e a cadeia do agronegócio sabem disso.
Certamente, têm plena consciência sobre o que precisa ser feito para o país deixar de ser um mero exportador de commodities agrícolas. Logo, se nada fazem de mais proativo, é porque preferem se conformar com essa condição no mercado global a buscar uma posição de maior competividade no comércio mundial.
Leia trechos da coluna de Zafalon:
“Há décadas, o Brasil é líder mundial na produção e na exportação de café. O país se distancia cada vez mais, porém, das receitas mundiais geradas por esse produto.
A industrialização e a geração de “blends” (misturas) para a bebida com cafés de diferentes regiões do mundo são o que interessam hoje ao mercado internacional.
O Brasil, contudo, fecha as portas a esse tipo de industrialização e comercialização da bebida, proibindo a importação de café verde.
Com isso, o café perde espaço nas receitas externas obtidas pelo país com as exportações do agronegócio.
É a soja que agora ganha corpo. O Brasil é o maior exportador da oleaginosa e caminha também para ser o maior produtor mundial, desbancando os Estados Unidos.
A soja segue, porém, o caminho do café. Enquanto a exportação de soja em grãos da Argentina atinge apenas 14% do que ela produz, a do Brasil é de 60%. A tributação argentina dificulta a exportação do grão, ao contrário da brasileira, que a facilita.
O Brasil necessita exportar soja em grãos – e vai continuar exportando–, mas deveria aumentar mais a industrialização do produto, acrescentando valor agregado.
Isso não será fácil, uma vez que o maior importador do mundo, a China, já se antecipou e definiu como quer a matéria-prima.
Os chineses facilitam as importações de grãos e dificultam as de farelo e de óleo.
O cenário para o mercado ficará ainda mais complicado nos próximos anos.
Afinal, as tradicionais “tradings” começam a sofrer a concorrência de grandes estatais chinesas, que estão adquirindo empresas no setor e entrando na comercialização de soja.”
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