Encontro mundial deve impulsionar setor de cacau brasileiro

O Brasil sediará a reunião anual da Fundação Mundial do Cacau (WCF, na sigla em inglês) em 2018. O evento será realizado em São Paulo, de 23 a 24 de outubro, e servirá para que sejam definidas parcerias entre governos e o setor privado para apoiar a cacaueiro, visando à sustentabilidade global da cultura.
Além dos países produtores, a Reunião de Parceiros contará com a participação de economias consumidoras de cacau. A Fundação Mundial do Cacau reúne empreendedores que representam cerca de 80% do mercado mundial do produto.
Segundo o diretor-executivo da Associação Nacional das indústrias de Cacau (AIPC), Eduardo Bastos, a escolha do Brasil como sede da reunião reflete a importância do produto para a economia nacional.
De acordo com ele, o esforço de entidades internacionais para o desenvolvimento da cacauicultura sustentável proporcionará ganhos consideráveis ao Brasil.
“Nunca tivemos um momento tão virtuoso, com novas lideranças nos setores público e privado. É preciso aproveitá-lo e incentivar a capacidade da cadeia para o avanço da produtividade”, ressalta Bastos.
O desafio do Brasil, acrescenta Bastos, é produzir mais 200 mil toneladas anuais de cacau em, no máximo, 10 anos. Nos últimos 30 anos, o país saiu de uma produção de 450 mil toneladas para cerca de 150 mil t/ano. “Temos condições de voltar a ser uma potência na produção de cacau e chocolate.”

Replantio de áreas
Para a retomada do crescimento da cacauicultura, assinala Bastos, é imprescindível estimular o replantio de áreas na Bahia, em conjunto com projeto de manejo da cabruca (técnica que corta apenas algumas árvores exóticas para reduzir o excesso de sombreamento).
“É necessário recuperar pastagens degradadas nas florestas produtivas de cacau no Pará, no extremo sul da Bahia, em Rondônia e no Espírito Santo”, enfatiza o diretor-executivo da AIPC.
Bastos também destacou a importância do papel da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) na coordenação das políticas públicas voltadas à sustentabilidade do setor.
“O evento será uma oportunidade para que o Brasil apresente ao mundo seu potencial no setor cacaueiro”, observa o consultor da WCF no Brasil, Pedro Ronca. A fundação poderá dar apoio relevante à organização e ao fortalecimento da cadeia brasileira do cacau.

