OMS recomenda redução de antibióticos de crescimento de animais

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Foto: Maria Virgínia Ribeiro/Embrapa

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta semana as diretrizes sobre o uso de antibióticos na agropecuária. As recomendações visam combater a aplicação inadequada e desnecessária de medicamentos por produtores e pela indústria alimentar, que rotineiramente utilizam certos remédios para promover o crescimento e prevenir doenças em animais saudáveis. A prática pode aumentar a resistência antimicrobiana a alguns tipos de tratamento.

Em alguns países, cerca de 80% do consumo total de antibióticos medicamente importantes está no setor animal, em grande parte para a estimulação do crescimento em animais que não estão doentes.

Segundo a OMS, o uso excessivo e indevido de antibióticos em animais e seres humanos tem agravado o problema da imunidade de certos agentes infecciosos a determinados tratamentos. Alguns tipos de bactérias que causam infecções graves em humanos já desenvolveram resistência à maioria ou a todos os remédios disponíveis — e há poucas opções promissoras de pesquisa em etapa de desenvolvimento para uso clínico.

Uma revisão sistemática publicada nesta semana na revista The Lancet Planetary Health descobriu que as intervenções restringindo o uso de antibióticos em animais produtores de alimentos reduziram as bactérias resistentes a antibióticos em até 39%.

“A falta de antibióticos eficazes é uma ameaça de segurança tão séria como um surto de uma doença súbita e mortal”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Uma ação forte e sustentada em todos os setores é vital se quisermos reverter a maré da resistência antimicrobiana e manter o mundo seguro.

O organismo internacional recomenda uma redução no uso de todas as classes de antibióticos de importância médica em animais produtores de alimentos, incluindo a restrição completa dessas drogas para a promoção do crescimento e a prevenção de doenças sem diagnóstico. Seres vivos saudáveis só devem receber antibióticos para prevenir doenças se elas tiverem sido diagnosticadas em outros animais no mesmo rebanho ou população de peixes.

Resistência a medicamentos

Ainda segundo a OMS, quando possível, animais doentes devem ser testados para determinar o antibiótico mais eficaz e prudente para tratar sua infecção específica. Os antibióticos utilizados em animais devem ser selecionados entre os que a OMS classificou como “menos importantes” para a saúde humana e não entre os classificados como “a mais alta prioridade de importância crítica”.

“A evidência científica demonstra que o uso excessivo de antibióticos em animais pode contribuir para o aparecimento de resistência a esses medicamentos”, explicou Kazuaki Miyagishima, diretor do Departamento de Segurança Alimentar e Zoonoses da OMS. “O volume de antibióticos utilizado em animais continua a aumentar em todo o mundo, impulsionado por uma crescente demanda por alimentos de origem animal, muitas vezes produzidos por meio de sua criação intensiva.”

Alguns países e blocos já contam com políticas para mudar o atual cenário. Desde 2006, por exemplo, a União Europeia proibiu o consumo de antibióticos para estimular o crescimento dos animais. Os consumidores também estão impulsionando a demanda por carne sem o uso rotineiro de medicamentos, com algumas grandes cadeias produtivas adotando políticas “sem antibióticos” para a compra de desses alimentos.

Entre as opções seguras para prevenir doenças em animais, estão a melhora na higiene, a otimização do uso de vacinas e mudanças na habitação e nas práticas de criação.

Acesse as novas diretrizes da OMS clicando aqui.

Das redação, com informações da OMS

AGROemDIA

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